PASSO NÚMERO 3

2352 Palavras
Daqui a pouco vai amanhecer, sabe, tem sido complicado quando perco o sono, geralmente eu faço algo a respeito, fico no trabalho até tarde ou faço outras coisas aleatórias pra cansar minha cabeça, mas cada dia isso tem ficado difícil. A terapeuta diz que se isso afetar meu desempenho eu posso recorrer alguma coisa, mas, como você sabe, eu não sou muito chegado em remédios e muito menos pensar nessa possibilidade. Eu sei o motivo de eu não conseguir desligar a minha cabeça, ou eu me acostumo ou me forço a desligar, tenho que aprender lidar com isso, acho que a chave vai aparecer quando souber lidar com isso, assim ou ter controle e sensatez, eu sei que as nove eu tenho que estar na empresa, sei que me rendimento vai cair novamente pela noite nem dormida de sono. Mas está tudo bem. Isso é sobre mim, uma hora isso termina e eu consigo fazer as coisas voltarem pro eixo certo, embora eu já estou cansado de beber café, sabe aquela confeitaria que você gostava, amor? Peço café lá, toda manhã, as vezes um expresso amargo duplo, as vezes uma rosquinha daquelas coloridas, suas preferidas, que fazia o e sempre sorrir como aquelas crianças pequenas. Também estou consumido muito energético, pra conseguir suprir a energia ou fazer meu corpo funcionar melhor. Tem dado certo, mesmo que eu aos poucos estou usando algo que não é muito bom a longo prazo, mas tudo bem, espero parar com esse hábito em breve. Engraçado, existem tantos hábitos que eu tinha com você e hoje já não tenho mais, de verdade, se eu for listar todos eles, eu poderia ter um novo tópico aqui, mas esse não é o ponto. Acho que isso acontece nos términos, muita coisa era junto com você, você se foi, não existe mais alguém pra ter esses hábitos compartilhados, como tomar café junto ou até mesmo escovar os dentes, enquanto tentamos conversar sobre alguma coisa antes do trabalho. Era gostoso te ver acordando toda manhã e me dando bom dia, você ficava brava se eu não fizesse aquilo, você fazia também, me dando um beijo na bochecha, seus cabelos ficavam sempre uma bagunça, a primeira coisa que ice fazia era arrumar eles, pentear e ir pro banheiro, as vezes você tomava banho pro trabalho e as vezes apenas colocava a roupa, mas você fazia uma coisa deliciosa antes. Você ficava de frente ao espelho e passava seu hidratante, era todo o dia, ao acordar e na hora de dormir, você era cheirosa e tinha a pele gostosa de pegar e apertar, tinha uma Sedução no seu perfume, algo que eu não sei dizer, mas que seu eu me concentrar posso me lembrar com exatidão. De noite era ainda melhor, você quando estava no auge fazia aquilo do meu lado pra provocar, eu sei disso porque sempre acabava com você se oferecendo pra fazer uma massagem em mim, passando o hidratante, isso até ficarmos pelados e você por cima de mim, sem roupa e com os olhos apaixonados. Totalmente rendida e entregue ao que iríamos fazer. Aquilo era gostoso. Era um i********e que tínhamos. Você também era cuidadosa comigo, você sempre tinha alguma coisa pra fazer comigo, lembro que no começo do namoro até o começo do casamento, você fazia suas hidratações e me incluía nelas, até argila você me convenceu a passar no rosto. Eu deixava, você gostava demais daquilo. Era divertido também. Isso é bom lembrar, assim mostra que em algum momento isso foi ficando apagado. Lembra quando nós ficávamos perto um do outro, sempre juntos? Éramos próximos o bastante, fisicamente é todo o resto. Você parecia que via um urso em mim, sempre perto de mim, se abraçando em mim, me apertando forte. Gostava do meu calor e eu da sua presença, do seu cheiro ou da forma que você ficava quieta comigo as vezes, apenas me abraçando. Essa coisa de casal fazer as coisas juntas é importante, não estou falando de sair ou nada do tipo, de dividir momentos e coisas pequenas, de fazer coisas juntos, como cozinhar, arrumar as coisas, jogar um jogo ou coisa do tipo, tudo dentro da redoma que os dois podem criar para eles. Sabe aquele lance de dormir sempre na mesma cama, mesmo brigado? Valoriza e segue isso. Ainda mais se for por coisa boba. Fazer isso fortalece o casal, no meio da noite o corpo do outro vai colar com o seu ou o seu vai colar com o dele, isso pode ser automático ou apenas a outra pessoa fugindo dormir pra se aproximar ou até você mesmo. As vezes rola um s**o de reconciliação ali mesmo e na manhã seguinte estão bem, claro, se for um problema pra resolver, resolva, mas não se afastem. Eu sempre gostei de dormir abraçado com você, era quente e delicioso. Você dizia que eu era um ogro pelos músculos e um urso de pelúcia por ser muito quente, era reconfortante ter você próxima, da mesma forma que devia ser para você. Aquela aproximação sempre me fazia ficar calmo e quieto, eu gostava, mesmo que depois que as coisas desandaram entre a gente, eu me pegava em alguns momentos com você nos meus braços. Mas não rolava muito depois de um tempo. Eu lembro disso, me dói, mas eu lembro o quanto ficou complicado depois de um tempo que larguei. Eu me lembro da gente no sofá falando qual episódio da série a gente iria assistir primeiro ou filme, você sempre escolhia, eu tentava, mas o jeito que você fluía me fazia embalar na sua e querer não sair jamais, mas eu gostava do que você escolhia, você tinha um tipo de conteúdo diferente do meu, mas eu gostava disso. Gostava do que você gostava amor, gostava de verdade. Isso não é mentira. Mas as coisas foram ficando estranhas entre a gente e eu nem puxei isso como foco. Nada. Sem amizade e sem seu sorriso, como com o seu medo do que você fizesse pudesse ser criticado por mim. Muitas coisas mudaram, vendo agora daqui, de onde eu estou hoje, vejo e observo detalhes que na época pareciam que nem existiam e eu fingia de cego ou apenas era frio demais pra perceber. Eu era e******o demais, minha vontade as vezes fica sendo ir atrás de você e me humilhar cegamente, mas eu sei que isso não faria bem pra você e muito menos pra mim, então me contenho em hoje escrever o que se passou e ver os passos que me fizeram perder você. Você, apesar do que começava a acontecer no nosso casamento, continuou sendo você mesma. Mesmo que às vezes você era você mesma sozinha, longe de mim pela falta de diálogo ou com receio de eu abrir minha boca grande demais e estragar o seu momento. Mesmo assim, eu sabia o quanto você queria a minha companhia naquele sofá ou, até mesmo, alguém que te levasse para fora daquele inferno particular sem nada bom para oferecer para você. Você merecia tudo e eu não dei nada e também não quis o que você estava pronta para me dar, talvez isso seja o fato. Eu não estava pronto para uma mulher tão boa, talvez eu devesse ter ficada com alguém que iria ser comparável a mim, tão r**m mesmo, mas você era diferente, por um tempo eu achei que você não era mulher para mim, mas não era verdade. Era eu que devia ser um homem para você. Eu não fui esse homem para você, mas você esperasse uma atitude de mim dentro da nossa casa, entre mim e você, mesmo com tudo que começava a acontecer entre mim e você, você tinha algo bom dentro de você, uma esperança ou uma luz, talvez seja verdade essa coisa de o amor ser cego, mas também é verdade que o amor e burro, da minha parte principalmente. Eu fui burro, burro em relação a você. Na verdade burro não foi apenas o que eu fui, fui tanta coisa, mas não o que era necessário ser, poderia dizer que eu me caracterize de carrasco e fiz o melhor papel, pena que esse papel era de vilão. Um vilão que ficou sem ninguém no final, sozinho, que está com problemas pra superar alguém e que escreve hoje admitindo que perdeu, que deu dez passos para perder aquela que poderia ter me dado o céu. O segundo passo começa em outubro, você também fazia aniversário nesse mês, mas naquele ano apenas reunimos alguns amigos e pronto, você ficou satisfeita no dia, até fomos pra cama, foi ótimo e glorioso. Mas nem tudo era rosas vermelhas, naquele outubro também aconteceu algo importante, na época achei estupidez e nem liguei, como sempre. Eu lembro que era uma noite de outubro, você queria a minha companhia, soube daquilo quando você ficou diante a TV com um balde grande de pipoca, eu passei para ir para o nosso quarto, você olhou para mim, seus olhos me acompanharam, tinha um brilho tão bonito naqueles olhos. Amor, você tinha esperança que eu parasse ali, me aproximasse e me sentasse ao seu lado, te puxasse para mim e fizesse você se encaixar nos meus braços, que assistiríamos algo e depois fossemos para o quarto, fizéssemos amor ou o que você quisesse. Você queria a minha companhia pra ver um filme e dividir sua pipoca doce e salgada, toda misturada, você gostava do agridoce dela, gostava tanto que podia fazer aquilo sempre que iria assistir um filme, você gostava de comer alguma coisa durante os filmes, o e era ansiosa, principalmente em filme de suspense. Paro de escrever e reflito que você faria bem aqui comigo agora, com um balde de pipoca, pertinho de mim, mas você não estava e eu nem podia sonhar com o cheiro da sua pipoca deliciosa. Que loucura, viu? Acabei de pensar em algo que apenas você fazia, fazia tão bem. Mas naquele dia não se tratava de comer pipoca ou pular o fim do filme pra t*****r. Não. Na verdade as vezes as mulheres tem isso, tem esse lugar que só o cara que elas gostam podem preencher, mas ele tem que se esforçar pra fazer isso, não basta apenas estar ali, vai do querer estar, de se esforçar ao máximo por algo simples e singelo, mas de extrema importância. Naquele dia você precisava de companhia. Não apenas isso, eu sabia disso porque você nem havia escolhido o filme, não me lembro de você ter ligado a TV, então o foco não era o filme e nem nada do tipo, era você, de olhos brilhantes e com uma chama feroz e esperançosa dentro de você. Estava carente. Eu sempre cuidava de você quando estava assim, carente e com vontade de contato, pele com pele. Você sempre teve isso de em alguns momentos você estar carente. Você queria que eu ficasse ali com você, mesmo sem falar nada, só minha presença. Mas não foi isso que aconteceu. Você até sorriu para mim na expectativa que eu deixei cair, eu não fiquei ali naquela sala e nem respondi a expectativa que fez seu coração bater. Eu não fiz o meu papel e nem aquilo que você esperava de mim, nada, meu amor. Fui inacessível demais, eu precisava ter parado o que eu estava fazendo e te dado aquilo, casamento também é sobre isso, sobre parar e ver as necessidades do seu parceiro, mesmo que de forma sutil. Eu cortei suas esperanças não ficando com você aquela noite. Preferi me enfiar no escritório e cuidar do trabalho, infelizmente hoje eu entendo que eu não posso trocar amor por trabalho ou que meu casamento era mais importante do que qualquer coisa. Dava pra eu ter abrindo mão de tudo e ficado com você. Mas não fiz isso, não foi somente aquela noite que eu não fui seu companheiro, foi em várias outras noites, em várias mesmo. Eu sei disso. Isso te desanimou, tirou um pouco do seu t***o na gente, não é? Eu comecei a perder os nossos momentos, comecei a não viver ao seu lado, ser a companhia que você merecia e precisava, eu comecei a não fazer nada daquilo que manda o manual e que eu devia me importar mais. Eu não queria nada daquilo, achava que não era importante, que você estaria em casa e pronto, estava ótimo assim. Muito r**m esse pensamento, não é? Mas fazia sentido pra mim na época, mesmo sabendo que você não pensava assim e iria reprovar esse tipo de pensamento. Eu era um pretensioso e arrogante, orgulhoso e uma vergonha para você em relação a um companheiro. Saiba que o meu grande amor deixou literalmente de ter um amigo e um companheiro, isso a matou um pouco, apagou devagar a esperança dela em relação a nós dois, isso era evidente para mim. Sabe o que é admitir isso? Complicado, porque eu lembro dos meus votos e lembro os seus. Lembro que as promessas ficaram evidentes e claras, mas apagadas pra mim. Eu não via as expectativas mais, e é estranho, porque eu notava, mas eu estava tão ocupado que eu não dava a mínima, saiba que isso foi um erro, naquela noite de outubro eu cavei nosso companheirismo de fazer companhia um para o outro com um casal tinha, quer dizer, devia fazer, mas eu não ligava, eu era prepotente o suficiente para não ligar ou estava ocupado com coisas superficiais. Você estava ali, para quer dar atenção, não é mesmo? Agora que eu quero sua companhia e atenção, você já não está ali, não se trata de valorizar quando perde, mas sim quando tem. Eu troquei sua companhia e deixei ela de lado, esse foi o terceiro passo para perder você. AVISO - Mais um capítulo fresquinho pra vocês (finalmenteeee), para ficar por dentro adicione o livro na biblioteca, comente sempre nos capítulos para eu poder saber o que vocês acham do livro e deixe o seu voto maravilhoso ou me sigam para receber novidades e atualizações. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR