Capítulo .03

1397 Palavras
-Que haja em seu coração vontade para recomeçar. E que não haja apenas vontade, mas também coragem.- Laureane Antunes Passei a mão na minha calça tentando tirar algumas gotas de água que estavam sobre a mesma, tudo isso porque não tive a coragem de abrir o guarda-chuva para atravessar a rua. Uma coisa sobre São Paulo é que não se pode confiar no clima, você é sempre surpreendido por ele. O vibrar do meu celular fez eu me lembrar dele na minha mão, era uma mensagem do Ethan: Ethan: - Desculpa, já estou chegando. Isso me fez novamente parar para pensar no que se passava na minha cabeça quando topei sair com ele em plena segunda-feira para nos conhecermos pessoalmente. Meus amigos colocaram isso na minha cabeça, disseram que eu precisava sair novamente, voltar a viver, conhecer pessoas, esquecer meu ex… sim, esquecer meu ex como se fosse fácil e dependesse apenas de mim. Meu celular vibrou novamente, era um áudio do Aslan falando sobre eu sair com o Ethan: "Aslan: Evite falar dos exs com ele, só fale sobre você, pois quando eu converso com uma mulher, eu odeio quando ela começa a falar dos exs dela." Respondi ao Aslan: "Recado anotado, obrigada." Era engraçado como meus amigos me apoiavam e estavam comigo em todos os momentos. -Eii - chamou o Ethan após abaixar o vidro do seu carro e acenar de dentro dele para mim. Meu Deus, agora era tarde demais para fugir. O carro era preto; poderia eu usar a desculpa de não entrar dentro de carros de estranhos para correr dali? Deixa de ser estúpida e entra nesse carro, falei para mim mesma quando entrei e fechei a porta. -Oi - falei timidamente para ele, mantive meus olhos nele por alguns segundos e desviei quando colocava o cinto. -Tudo bem com você, mocinha? - falou enquanto olhava o GPS do seu celular. -Sim, e com você? -Bem também, o que deseja comer? Você gosta de Mc? - questionou-me. -Prefiro Bk, mas posso comer Mc. - falei dando de ombros. -Certeza? -Sim. -E como foi no trabalho hoje? -Cansativo, e o seu? -Corrido, mas indo bem - falou enquanto saía com o carro. Passamos no Mc, compramos nosso lanche e paramos o carro em frente a uma pracinha, onde ficamos conversando sobre assuntos aleatórios. O Ethan era um homem muito bonito, estudioso, muito família, dava para ver o brilho nos seus olhos quando falava da sua família. Ele era uma alma livre, alguém que gostava de viver tudo que o mundo tinha a oferecer. Ele estudava, tinha seus negócios, gostava de todos os tipos de música, gostava de surfar, pular de paraquedas… Ele era diferente de todos os caras que eu já conheci, mas infelizmente parecia ser daquele tipo galinha; dava para ver pelo tanto de vezes que conversas com outras meninas apareciam na tela do seu celular, e ele ignorava. Ele foi me deixar na minha casa quando terminamos de comer, e ficamos algumas horas dentro do seu carro conversando em frente à minha casa. -Você é tão linda - falou ele antes de puxar meu rosto junto ao dele e me beijar. O beijo dele era lento e profundo ao mesmo tempo. Ele tinha cheiro de algum perfume masculino que era muito bom. Retribui o beijo levando minha mão ao seu cabelo, dando um leve carinho. Nos afastamos sem fôlego. -Eu preciso ir por causa do trabalho. -Sim, eu sei, eu também preciso ir jogar com meus amigos - falei, lembrando que hoje era segunda-feira e eu sempre jogava às 19 horas com meus amigos, e já eram 18:30. -Eu gostei muito de te conhecer hoje - falou, me olhando e alisando meu rosto. - Espero que possamos nos ver novamente. -Eu também espero - falei e dei um sorrisinho de lado. Ele me beijou novamente e, quando terminou, eu saí do carro. Ele me esperou entrar em casa e fechar o portão antes de sair. Eu acenei e ele retribuiu, saindo com seu carro. Subi as escadas, entrei na minha casa e sentei na minha cama, tentando absorver tudo que tinha ocorrido. Nesse momento pensei no meu ex e em todos os momentos que passamos juntos; sentia como se eu estivesse traindo meus próprios sentimentos. Eu sentia que isso era injusto comigo e com o Ethan. Na verdade, não conseguia entender nada do que estava sentindo. Peguei todas as fotos e lembranças do meu ex-namorado e guardei dentro do meu guarda-roupa, em um lugar que eu não iria ver sempre que abrisse o mesmo. Eu precisava começar a superar, falei novamente para mim mesma quando me dirigi para tomar banho. Um mês depois... Calor, calor, calor. Meu Deus, como estava calor em São Paulo. Olhei meu celular, onde meu amigo Hugo falou que estava chegando para me encontrar na Paulista. Era 15:00, e o calor estava de matar, ainda mais porque o tempo na minha cidade tinha me enganado pela manhã, quando saí, estava super frio, e agora super quente. Eu estava de bota preta, calça jeans e blusa de manga no calor. Vi ele se aproximando até chegar a mim. -Oi, Elisa, tudo bem? - falou, me abraçando, e eu retribuí o abraço. Hugo e eu nos conhecemos por um jogo que jogamos em comum chamado Ragnarok Mobile; conversamos sempre pelo chat do próprio jogo e pelo w******p. -Oi, sim, estou bem. E você? - falei. Pela cara dele, vi que não acreditava em nada do que eu dizia. Mais aprendi que é mais fácil mentir do que ter que explicar os motivos de não estar bem. -Venha, vamos ao Starbucks - falou, e seguimos andando pela Rua das Paulista. Por ser um dia de sábado, todos os lugares que fomos estavam lotados e com muitas pessoas. Demorou muito até achar um Starbucks vazio. Nos sentamos e, enfim, eu contei para ele tudo que tinha acontecido com meu ex-namorado, tudo que nos levou ao fim. Eu não culpei meu ex, pelo contrário, eu me culpei por não ter dado certo. Mas, depois dos últimos dias chorando e de todas as conversas com meus amigos, eu escrevi uma carta para mim mesma, dando um fim aos dias que deixei de viver a minha vida na esperança de algo que não voltaria mais. Carta: Aqui estou eu, Nesse ônibus, deixando as lágrimas correr novamente por causa desse nosso amor. Mas vejo que preciso seguir em frente sem você, chegar de chorar. Uma parte minha sempre vai amar você, você me ajudou muito, isso eu nunca poderei negar. Você chegou na minha vida em um momento que eu estava totalmente fragilizada por memórias do passado, você foi meu amigo, esteve ao meu lado e me levantou sempre que eu caí. Eu estava com início de depressão, ia sempre ao psicológico, mas não encontrava saída no que sentia, até você aparecer na minha vida. Eu só pensava em morrer, vivia presa no quarto, mas você sempre me mostrou o quanto a vida era bela e valia a pena viver. Você me fez superar essa etapa da minha vida e, nessa época, éramos apenas amigos. Fomos nos aproximando por meio de brincadeiras bobas que fazíamos um com o outro (pão de queijo, coxinhas rsrs), apaixonamos e começamos a namorar. Um namoro um pouco difícil desde o começo, por se tratar de um namoro à distância: eu morava em São Paulo, ele no Estado do Rio de Janeiro. Nós amamos tanto que começamos a amar o outro mais do que a nós mesmos. Ele fazia tudo por mim e se esquecia de si mesmo; logo nossos sentimentos se tornaram apego. A distância, o ciúme longo se tornou algo forte que o amor não suportou; ele quis partir, terminar. Ele já não aguentava mais, isso o deixou doente. Eu me humilhei para ele ficar, fiz de tudo: chorei, bebi, me cortei. Nada fez ele voltar. Tentamos a amizade, mas isso não nos deixava seguir em frente, apenas me dava esperança de que, em algum momento, isso teria volta, mas não tinha. Já fazia um tempo, só eu estava insistindo. Até que ocorreram os bloqueios: nos bloqueamos em todas as nossas redes sociais, esse era o fim. Eu estava sozinha. Guardei e apaguei tudo que lembrava ele. Os dias no trabalho estavam voltando ao normal, as noites também. Os dias passaram, e eu estava voltando a me amar.
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