Liliane Narrando Depois de tudo que aconteceu, eu sabia que aquela noite seria longa. A Clarinha ainda estava assustada, então deixei o Bipolar com ela enquanto eu arrumava a cozinha e pensava em como lidar com o que tinha acontecido. Ele não era exatamente o cara mais paciente do mundo, mas com a Clarinha... ah, ele tinha um jeito especial, mesmo que tentasse esconder. Ouvi as risadas baixas vindo do quarto e, ao espiar pela porta, vi os dois. Clarinha tava sentadinha na cama, segurando a escova de dente, enquanto o Bipolar ajudava ela, pacientemente, a escovar os dentes. Ele fazia umas caretas engraçadas, e ela ria daquele jeitinho inocente, como se tudo o que tinha acontecido mais cedo fosse só um pesadelo distante. Clarinha — Tio Bipolar, conta uma história pra mim? – ela pediu com

