Luna Carvalho não era o tipo de mulher que se intimidava facilmente.
Mas naquele momento…
o coração dela estava batendo rápido demais.
Aleksandr Volkov.
O homem que comandava um dos impérios empresariais mais poderosos da Europa.
O homem que ela estava investigando há meses.
E agora ele estava diante dela… olhando diretamente nos olhos dela como se já soubesse tudo.
Luna manteve o rosto neutro.
— Você deve estar me confundindo com outra pessoa — respondeu calmamente.
Aleksandr soltou um pequeno riso.
Baixo.
Quase divertido.
— Não.
Ele deu um gole no uísque.
— Eu raramente me confundo.
Droga.
Ela precisava sair dali.
Agora.
Luna forçou um sorriso educado.
— Foi um prazer conhecê-lo, senhor Volkov.
Ela deu um passo para o lado.
Mas ele se moveu primeiro.
Bloqueando o caminho.
Não de forma agressiva.
Mas de forma impossível de ignorar.
Alto demais.
Grande demais.
Presença demais.
— Com tanta pressa? — ele perguntou.
— Eu tenho compromissos.
— Engraçado.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Porque minha equipe verificou a lista de convidados… e você não tem compromisso algum aqui.
Luna respirou fundo.
— Talvez eu esteja no evento errado.
Aleksandr sorriu de lado.
— Isso é exatamente o que estou tentando descobrir.
Silêncio.
Por alguns segundos, eles apenas se encararam.
Uma tensão estranha pairava entre os dois.
Ela devia odiá-lo.
Ele era o alvo da investigação dela.
Mas havia algo naquele homem…
Algo perigoso.
Magnético.
Então o celular de Luna vibrou dentro da bolsa.
O coração dela disparou.
Era o contato.
Ela precisava atender.
Agora.
— Com licença — disse rapidamente.
Ela se afastou antes que Aleksandr pudesse responder.
Caminhou em direção ao corredor lateral do hotel.
Mais silencioso.
Mais vazio.
Ela tirou o celular da bolsa.
Mensagem.
Número desconhecido.
Mas era o código combinado.
“Garagem. Agora.”
Luna olhou rapidamente ao redor.
Ninguém.
Perfeito.
Ela começou a andar rápido pelo corredor.
Elevador.
Térreo.
Porta de serviço.
Cinco minutos depois…
Luna entrou na garagem subterrânea do hotel.
O lugar estava quase vazio.
Apenas alguns carros de luxo estacionados.
O eco dos passos dela reverberava no concreto.
— Olá? — ela chamou.
Nenhuma resposta.
Estranho.
Ela caminhou mais alguns metros.
— Eu estou aqui.
Silêncio.
Então ela viu.
Um carro preto parado perto da coluna.
Porta aberta.
Luna aproximou-se devagar.
— Você está aí?
Nenhuma resposta.
Algo estava errado.
Muito errado.
Ela deu mais um passo.
E então viu.
Um homem caído no chão ao lado do carro.
Imóvel.
Sangue espalhado pelo concreto.
O ar desapareceu dos pulmões dela.
— Meu Deus…
Era ele.
O contato.
Os olhos dele estavam abertos.
Sem vida.
Luna deu um passo para trás.
O pânico subiu como um choque elétrico.
Isso era uma armadilha.
Alguém sabia.
Alguém descobriu.
E se descobrissem que ela estava ali…
Passos ecoaram na garagem.
Firmes.
Pesados.
Luna virou rapidamente.
Aleksandr Volkov estava parado a poucos metros.
As mãos nos bolsos.
O olhar frio analisando a cena.
Depois… analisando ela.
— Interessante — ele disse calmamente.
O sangue dela gelou.
— Isso não é o que você está pensando.
Aleksandr caminhou lentamente até o corpo.
Agachou-se.
Observou.
Depois levantou novamente.
— Um homem morto na garagem do meu hotel…
Ele olhou diretamente para Luna.
— …e uma jornalista investigativa brasileira ao lado dele.
O coração dela parou.
— Como você—
— Eu sempre faço pesquisa antes de falar com alguém.
Droga.
Droga.
Droga.
— Eu não matei ele — Luna disse rapidamente.
Aleksandr ficou em silêncio por alguns segundos.
Observando.
Analisando.
Então falou algo inesperado.
— Eu sei.
Ela piscou.
— O quê?
— Você não matou ele.
Ele apontou discretamente para o corpo.
— O tiro foi feito de longe.
Ele levantou os olhos para o teto da garagem.
— Provavelmente do andar superior.
Luna sentiu um arrepio.
— Então você acredita em mim?
Aleksandr deu um pequeno sorriso.
— Acredito que você não é burra o suficiente para cometer um assassinato dentro da minha propriedade.
Não era exatamente um elogio.
Mas servia.
Sirene.
Ao longe.
Polícia.
Luna sentiu o pânico voltar.
— Eu preciso ir.
Ela começou a se afastar.
Mas Aleksandr segurou o braço dela.
A mão forte envolvendo o pulso dela.
Firme.
Quente.
Impossível de ignorar.
— Não.
— Me solta.
— Se você sair agora…
Ele aproximou o rosto.
Os olhos cinza brilhando de forma perigosa.
— …a polícia vai te encontrar correndo de uma cena de crime.
O estômago dela revirou.
Ele estava certo.
— Então o que você sugere? — ela perguntou.
Aleksandr soltou o pulso dela lentamente.
Pensativo.
Então pegou o celular.
— Ivan.
Pausa.
— Traga o carro.
Luna franziu a testa.
— O que você está fazendo?
Ele guardou o celular no bolso.
— Salvando você.
— Eu não preciso—
— Precisa.
Ele se inclinou um pouco mais perto.
A voz baixa.
Controlada.
— Porque alguém matou esse homem para silenciar uma investigação.
O coração dela disparou.
— E?
— E você claramente era parte dessa investigação.
Ele abriu um pequeno sorriso.
— O que significa que agora…
ele fez uma pausa dramática.
— …você provavelmente é o próximo alvo.
Silêncio.
Sirene mais próxima.
Aleksandr estendeu a mão para ela.
— Venha comigo, Luna.
Ela olhou para a mão dele.
Depois para o corpo.
Depois para as luzes vermelhas da polícia que começavam a aparecer na entrada da garagem.
Ela não tinha escolha.
Quando segurou a mão dele…
Luna ainda não sabia.
Mas naquele momento…
sua vida tinha acabado de se ligar para sempre à família mais perigosa da Rússia.
E Aleksandr Volkov…
não tinha intenção alguma de deixá-la ir.