Capítulo Seis

1557 Palavras
Eleanor guardou seus materiais em seu armário, pegou seu lanche e foi para a arquibancada da escola onde ela almoçava todos os dias com Rae e Jane. A arquibancada era o lugar menos cheio durante o almoço na escola, a maioria dos alunos ficavam espremidos no refeitório em busca da atenção dos mais populares ou ficavam em algum canto para que passassem despercebidos. Quando Eleanor atravessou o gramado correndo ficou surpresa ao ver que Rae não estava sozinha, na verdade, estava sorrindo e conversando com uma garota. Jane não havia chegado ainda. — Ei Eleanor! — Rae chamou Eleanor. Eleanor subiu os degraus da arquibancada e finalmente chegou perto o suficiente para ver quem era a garota e ela não sabia. Nunca a tinha visto na escola, como muitos outros alunos. Ela era bonita, tinha os olhos cor de âmbar e os cabelos castanhos claros com algumas meixas azuis. — Olá. — Eleanor disse. — Essa é a Blake, minha dupla no trabalho de inglês. — Prazer, Blake. Me chamos Eleanor. — O prazer é todo meu, Rae me contou sobre você. — Espero que tenha falado coisas boas. — Eleanor brincou e Rae deu um soquinho de leve em seu braço. — É claro que foi. Eleanor sentou na bancada abaixo das duas e ficou torcendo para que Jane chegasse logo, ela não tinha nada contra Blake, mas era visível a afinidade com Rae e ela não estava se sentindo muito à vontade para intrometer no assunto das duas. — Hey, garotas! — Jane chegou ofegante. — Blake, não sabia que tinha feito amizade com Rae. — Pois é! Jane sentou ao lado de Eleanor. — Você já a conhecia? — Sim, ela é bem popular, mas acho que você não repara muito nas pessoas dessa escola. — Não mesmo. — Eleanor bebeu um pouco de seu suco. — Queria te pedir desculpas por ontem, estraguei nosso domingo juntas. — A gente passa todos os dias juntas na escola, Elea. — Jane passou o braço pelo pescoço de Eleanor e deu um tapinha em seu ombro. — E eu sei que estava com ciúmes de Rae. — Ela sussurrou no ouvido de Eleanor. — Eu não estava. — Estava sim. — Jane sorriu e pegou seu sanduíche de pasta de amendoim e geleia de morango. Eleanor revirou os olhos e também pegou seu sanduíche, era de frango com alface, parecia muito apetitoso. Ela e Jane comeram seu lanche em silêncio enquanto ouviam a vozes eufóricas de Rae e Blake ao lado. Nunca acaba o assunto? Aquilo já estava ficando chato, Eleanor não estava sentindo ciúmes, ok, talvez um pouco. Rae não havia conversado com ela direito naquela manhã e por que Blake tinha tantos assuntos legais? A sirene da escola soou de longe e finalmente elas encerraram seus assuntos. Blake foi na frente, porque precisava passar na biblioteca antes de ir para o quarto horário. — Então Blake Armstrong virou sua nova amiga? — É o que parece. — Rae disse. — Temos muitas coisas em comum. — Eu percebi. — Jane disse e jogou as embalagens de seus lanches no lixo antes de adentrarem o corredor de alunos frenéticos. — Vocês têm aula de álgebra agora também? — Por infortúnio do destino, sim. — Eleanor disse amargurada. — Idem. — Rae pegou seu livro no armário e o fechou com o pé. *** Eleanor ajeitou o visual mais ou menos antes de entrar na sala de aula dos detentos, estava um tanto escuro, mas de longe pôde ver a silhueta de quatro pessoas. Quando aproximou o suficiente viu que uma delas era Rae, os outros eram: uma menina de cabelos azuis que lia uma revista de moda, um garoto franzino olhando fixamente para a janela e o outro não dava para saber já que estava com a cabeça sob a mesa, provavelmente dormindo. — Só faltava você, Eleanor. — A professora Rebecca entrou na sala e ascendeu a luz, Eleanor não teve interesse em perguntar como ela sabia que estava atrasada se nem ao menos tinha chegado à sala de aula. A professora trajava um blusão de calor que ia até quase o joelho, uma calça larga de alfaiataria, botas pretas e o cabelo estava parte armado e a outra parte preso por uma tiara. ─ Me desculpe pelo atraso. ─ Eleanor tentou não reparar o estilo estranho da professora e se sentou em uma carteira ao lado de Rae. ─ Não tem problema, linda.— Rebecca pegou uma régua e a rodopiou com os dedos. — Vamos ao que interessa. ─ Ela começou a andar pela sala ainda girando, apenas Rae e Eleanor a encaravam. ─ Detentos do dia, como sabem, sou a professora de arte desta escola e isso influencia muito no propósito de eu estar aqui no momento. Conseguem imaginar o porquê? ─ Ela parou o olhar sobre Rae. ─ Não. ─ Rae respondeu. ─ Porque vocês precisam de arte! ─ Ela disse com tanta convicção que o garoto que dormia levantou a cabeça assustado. Eleanor admirou sua beleza por um segundo, sua pele era n***a, seus cabelos cacheados e seus olhos cor de mel. ─ Não importa qual seja o motivo da detenção de cada um, os erros de vocês podem ser substituídos por arte! ─ O que isso quer dizer? ─ A garota de cabelos azuis finalmente tirou os olhos da revista e a perguntou. ─ Que não vão fazer essas bobeiras de resenha de livros, vocês vão fazer um peça de teatro! ─ O que é pior. ─ O garoto no canto da sala resmungou. ─ Nada de contradições, Elias. ─ Qual será a peça? ─ A menina continuou a perguntar. ─ Boa pergunta, Olivia. Será "Romeu e Julieta" do inesquecível William Shakespeare! ─ Ah não. ─ Elias escorregou na carteira. ─ Mas será diferente dessa vez, quero algo mais intenso, um amor mais delicado... ─ A professora andou até sua mesa, deixou a régua sob ela e depois virou abruptamente para os alunos. ─ Um amor entre duas meninas! Todos a encararam em silêncio. ─ Não me olhem com essa cara de pastel assado, vai ser isso mesmo. Vou sortear o nome de vocês, meninas. ─ Ela deu um sorrisinho e em seguida anotou o nome das meninas em papeizinhos, sacudiu na mão e retirou dois. ─ Perfeito! Rae e Eleanor, vocês serão o casal. ─ Não é possível. ─ Eleanor disse baixinho. ─ Perfeito! Vocês combinam perfeitamente para esse papel. ─ A professora caminhou até a carteira das duas e ficou entre elas. ─ Eleanor, uma menina pálida, de olhos verdes e cabelo como a cor do sol, vê e sente tudo de forma intensa. ─ Ela pegou a mão de Eleanor. ─ Rae, uma menina de pele bronzeada, cabelos escuros e ondulados como uma noite ventosa, esconde seus sentimentos por medo de se arriscar. ─ Desta vez ela pegou a mão de Rae. ─ A combinação perfeita! ─ Uniu a mão das duas. A esse ponto, Olivia, Elias e o garoto bonito estavam se esforçando para escondender o riso. Eleanor queria sair dali correndo naquele mesmo minuto. Era tão constrangedor o olhar fixo de Rebecca sobre as duas e suas mãos se tocando daquele jeito, a mão de Rae fria sob a sua que queimava como fogo. "Sua mão está quentinha" ela lembriu do último dia que dormiu com Rae. ─ Sexta, às três e meia, quero todos vocês no salão de teatro. ─ Ela soltou a mão das meninas e voltou para perto de sua mesa. ─ Na próxima aula vou dividir todos os papéis. E é claro que haverá partições dos atores do teatro da nossa escola. Estão liberados, pequenos girassóis. Todos saíram depressa da sala de aula, inclusive Rae, mas Eleanor ficou por último para conversar com a professora, talvez conseguisse fazê-la mudar de ideia. ─ Professora, não tem como a senhora mudar os papéis? ─ Por que, querida? ─ Rebecca estava organizando alguns papéis dentro de uma pasta roxa com várias flores de cores diferentes. ─ Eu não gostei de ter que fazer um par romântico com Rae. ─ É apenas uma peça de teatro, não há nada demais nisso... ─ Rebecca parou de juntar as folhas e a encarou. ─ Ou tem? ─ Não... não... ─ Eleanor gaguejou. ─ Um pouco. ─ Eu sei disso aí que você está sentindo, qualquer um que chegue ao seu lado pode sentir essa chama acessa, ela irradia calor por todos os lados, digamos que eu seja uma cartomante. Eu sei de tudo. ─ Sabe do quê? Não tem como você saber. ─ Ah, eu sei... e aliás, espero que se entendam. ─ Rebecca juntou seus materiais e pegou sua bolsa. ─ Tenho que ir, docinho. Pegue um sol e se alimente melhor, até sexta. A professora saiu da sala, deixando um aroma de colônia de rosas e uma Eleanor confusa e perplexa. — O que achou da peça? — Rae perguntou quando Eleanor saiu da sala, as duas caminharam para a saída. ─ Interessante, mas não queria que fosse comigo, eu já tenho tantas coisas extracurriculares para eu me preocupar. — Eu que o diga. ─ Rae disse pensativa. As duas saíram da escola e caminharam para o gramado, de longe elas viram John as esperando escorado ao lado de fora do seu carro.
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