O salão do Centro Jurídico estava luxuoso. Luzes âmbar refletiam nas taças de cristal, a trilha sonora alternava entre jazz moderno e batidas sensuais, e as risadas ecoavam como ondas abafadas entre grupos de estudantes e professores.
Alicia entrou como um furacão calmo.
Vestido preto colado, com um decote profundo e alças finas. A f***a lateral deixava à mostra a coxa quando ela andava.
Cabelo preso num coque desleixado com alguns fios caindo no rosto, boca vermelha como vinho tinto.
— Você veio pra estudar ou pra destruir carreiras? — disse Mel, ao lado, admirada.
— Vim beber, dançar e esquecer que Rafael Calderon existe — respondeu Alicia, mesmo sabendo que era mentira.
Do outro lado do salão, ele já estava lá.
Terno azul-marinho impecável. Copo de uísque na mão. O olhar mais letal da noite.
Eles se viram no mesmo instante. Mas Alicia desviou. Como se ele fosse invisível.
O jogo tinha começado.
—
Alicia agarrou uma taça de espumante e se juntou ao grupo. Júlia, Mel e Guilherme estavam animados, dançando e fazendo piadas. A música agora era mais quente, mais provocante.
Ela bebeu rápido. Depois outra. E outra.
— Devagar, senhorita — disse Guilherme, rindo.
— Hoje eu quero esquecer que estudo Direito — disse ela. — Me deixa.
Ela dançou como se estivesse sozinha. Movimentos fluídos, quadris lentos, braços erguidos.
Sabia que ele estava vendo. Sentia o olhar dele queimando sua pele mesmo à distância.
Mas ela nunca o encarava diretamente.
Nem uma vez.
E isso o deixava louco.
—
Rafael Calderon estava em colapso.
Tentava manter a conversa com os outros professores, mas não conseguia se concentrar.
A cada movimento da garota no meio da pista, ele perdia a noção de limites.
Ela se mexia como uma provocação viva.
Girava o quadril, mordia o lábio, ria alto, virava de costas e dançava com uma leveza que era puro pecado.
Mas o pior?
Ela fingia que ele não existia.
— Conhece aquela aluna? — perguntou um professor mais velho. — Vermelha como uma faísca.
— Infelizmente. — Rafael respondeu seco.
E desejava mais do que qualquer coisa que ela o chamasse. Que quebrasse o orgulho e se aproximasse.
Mas Alicia era inteligente.
Sabia brincar. Sabia fazer ele implodir.
—
Horas depois, já um pouco bêbada, Alicia se apoiou no balcão do bar.
— Me dá o que tiver de mais forte — pediu ao garçom.
— Tá querendo esquecer ou lembrar? — perguntou Guilherme, surgindo ao lado.
— Os dois — ela respondeu, rindo.
Rafael a observava. Sempre de longe. E sempre em silêncio.
Até que Alicia, com a taça nova na mão, resolveu dançar sozinha de novo.
Mais devagar. Mais sensual.
Agora de olhos fechados.
E ele perdeu o controle.
—
— Com licença — Rafael disse, saindo do grupo de colegas e caminhando direto para a lateral da pista.
Ele não podia se aproximar no meio da multidão.
Mas podia… encurralá-la discretamente.
Alicia estava perto da varanda, olhando o céu, o corpo ainda balançando levemente no ritmo da música.
— Srta. Alicia — ele sussurrou atrás dela.
Ela nem se virou.
— Professor Calderon. Está aproveitando a festa?
— Não tanto quanto você.
Ela riu com ironia.
— Eu só estou… dançando. O senhor parece tenso.
Ele chegou mais perto.
O calor do corpo dele tocou suas costas, sem que ele encostasse de fato.
— E você parece provocante demais para alguém que diz não se importar.
Ela se virou devagar.
O rosto muito próximo do dele.
Olhos nos olhos. Boca a centímetros.
— Eu? Imagina. Eu nem notei o senhor aqui — sussurrou ela, com o hálito cheirando a vinho e pecado.
Rafael perdeu a respiração.
O olhar desceu para os lábios dela.
Seu m****o pulsava no paletó, duro e faminto.
Ela não se afastou.
Nem ele.
O mundo ao redor sumiu. Só restavam os dois.
—
— Você me quer, professor? — ela perguntou, com malícia.
— Não.
— Tem certeza?
— Absoluta — ele mentiu.
E então seus dedos roçaram o braço nu dela. Só um toque. Mas suficiente para arrepiar até a alma.
Ela estremeceu.
Mas manteve o olhar firme.
— Se não me quer, por que está aqui?
Ele aproximou a boca do ouvido dela.
A voz saiu rouca, contida, quase animal.
— Porque eu quero quebrar você. E não posso fazer isso… ainda.
Alicia riu baixo, provocante.
— Medo?
Ele segurou o pulso dela por um segundo. Forte, quente. Depois soltou.
— Medo de gostar — sussurrou.
E se afastou.
Alicia ficou ali, com o coração disparado, o corpo molhado entre as pernas e o gosto dele… em todos os sentidos possíveis.
Ela tinha vencido a primeira batalha.
Mas a guerra estava longe de acabar
A porta da casa recém-herdada se fechou atrás de Rafael com um estalo seco. O silêncio o engoliu.
Ele tirou o paletó com pressa, desabotoou a camisa com raiva contida, e a jogou sobre o encosto da poltrona.
O gosto de Alicia ainda estava em sua pele.
O perfume dela. O som da risada.
O modo como dançava. Como o provocava com o olhar sem nem olhar.
Ele não aguentava mais.
Foi até o quarto escuro, jogou-se na poltrona ao lado da cama, abriu o cinto e desceu o zíper da calça. Seu p*u estava duro, latejando, faminto.
Fechou os olhos e a imagem veio.
Alicia, de vestido preto, deslizando as mãos pelas coxas. A boca vermelha entreaberta, o pescoço exposto, o riso debochado.
Alicia mordendo o lábio.
Alicia dançando sozinha.
Alicia perguntando: “Você me quer, professor?”
— p**a que pariu… — ele murmurou, começando o movimento com força.
A respiração ficou pesada, o corpo tenso. Ele bombeava com violência, com urgência, os músculos do abdômen contraindo, a pele ardendo.
Cada imagem dela vinha como uma tortura deliciosa.
Alicia de joelhos.
Alicia por cima.
Alicia gemendo seu nome.
— Alicia…
A explosão veio forte, um g**o rasgado, quente, sujo. Jato após jato, Rafael afundou os dedos na poltrona, o peito arfando.
Mas o prazer durou pouco.
Muito pouco.
A culpa caiu como um soco no estômago.
Ele respirou fundo, os olhos ainda fechados. E então… a lembrança veio.
⸻
Outra garota. Outra aluna.
Anos atrás.
Seu nome era Lara. Vinte e um anos. Linda. Inteligente.
Rafael estava no auge da vaidade e do vício em sexo.
Dormiu com ela duas vezes. Talvez três.
Ela queria mais. Ele não.
— Eu não sou seu namorado, Lara — dissera a ela, frio.
Ela chorou. Pediu pra ele tentar. Disse que o amava.
Ele riu. Disse que ela era só mais uma. Que não confundisse as coisas.
Dois dias depois, ela estava morta.
Suicídio.
Um prédio.
Uma carta confusa.
Nenhuma menção direta a ele.
Mas a dor…
A culpa…
Nunca mais saiu.
Rafael passou noites sem dormir. Tentou ignorar. Tentou se afundar em outras mulheres. Em álcool.
Mas aquela imagem sempre voltava:
O olhar da garota.
O som do corpo dela batendo no chão.
O silêncio depois.
—
Ele passou as mãos pelo rosto agora, no presente. O corpo ainda suado. O p*u amolecido, sujo.
O desejo virando cinza.
— Eu não posso — sussurrou. — Não de novo.
Levantou-se. Limpou-se no banheiro. Jogou água no rosto.
Olhou-se no espelho como se não reconhecesse o próprio reflexo.
O homem que encarava de volta tinha os olhos escuros, as olheiras fundas. O maxilar rígido.
O mesmo rosto de quem sobreviveu, mas nunca mais viveu.
—
Na cozinha, serviu uísque. Forte. Puro.
Mas parou antes de levar à boca.
Nunca mais.
Depois do acidente com a noiva, ele prometeu.
E até hoje, cumpria.
—
Lentamente, foi até a janela do quarto.
A mesma janela da visão anterior.
Alicia não estava lá.
Talvez com a irmã. Talvez dormindo. Talvez nua.
Mas longe dele.
Como deveria estar.
E mesmo assim… ele a queria mais a cada dia.
—
Ele sabia o que estava fazendo.
Sabia o caminho.
Sabia onde levava.
E mesmo com toda culpa, todos os fantasmas, todas as regras…
Ele não ia conseguir resistir por muito mais tempo.
Porque Alicia não era só desejo.
Ela era o abismo.
E ele já estava pulando.