Capítulo 7

1357 Palavras
O salão do Centro Jurídico estava luxuoso. Luzes âmbar refletiam nas taças de cristal, a trilha sonora alternava entre jazz moderno e batidas sensuais, e as risadas ecoavam como ondas abafadas entre grupos de estudantes e professores. Alicia entrou como um furacão calmo. Vestido preto colado, com um decote profundo e alças finas. A f***a lateral deixava à mostra a coxa quando ela andava. Cabelo preso num coque desleixado com alguns fios caindo no rosto, boca vermelha como vinho tinto. — Você veio pra estudar ou pra destruir carreiras? — disse Mel, ao lado, admirada. — Vim beber, dançar e esquecer que Rafael Calderon existe — respondeu Alicia, mesmo sabendo que era mentira. Do outro lado do salão, ele já estava lá. Terno azul-marinho impecável. Copo de uísque na mão. O olhar mais letal da noite. Eles se viram no mesmo instante. Mas Alicia desviou. Como se ele fosse invisível. O jogo tinha começado. — Alicia agarrou uma taça de espumante e se juntou ao grupo. Júlia, Mel e Guilherme estavam animados, dançando e fazendo piadas. A música agora era mais quente, mais provocante. Ela bebeu rápido. Depois outra. E outra. — Devagar, senhorita — disse Guilherme, rindo. — Hoje eu quero esquecer que estudo Direito — disse ela. — Me deixa. Ela dançou como se estivesse sozinha. Movimentos fluídos, quadris lentos, braços erguidos. Sabia que ele estava vendo. Sentia o olhar dele queimando sua pele mesmo à distância. Mas ela nunca o encarava diretamente. Nem uma vez. E isso o deixava louco. — Rafael Calderon estava em colapso. Tentava manter a conversa com os outros professores, mas não conseguia se concentrar. A cada movimento da garota no meio da pista, ele perdia a noção de limites. Ela se mexia como uma provocação viva. Girava o quadril, mordia o lábio, ria alto, virava de costas e dançava com uma leveza que era puro pecado. Mas o pior? Ela fingia que ele não existia. — Conhece aquela aluna? — perguntou um professor mais velho. — Vermelha como uma faísca. — Infelizmente. — Rafael respondeu seco. E desejava mais do que qualquer coisa que ela o chamasse. Que quebrasse o orgulho e se aproximasse. Mas Alicia era inteligente. Sabia brincar. Sabia fazer ele implodir. — Horas depois, já um pouco bêbada, Alicia se apoiou no balcão do bar. — Me dá o que tiver de mais forte — pediu ao garçom. — Tá querendo esquecer ou lembrar? — perguntou Guilherme, surgindo ao lado. — Os dois — ela respondeu, rindo. Rafael a observava. Sempre de longe. E sempre em silêncio. Até que Alicia, com a taça nova na mão, resolveu dançar sozinha de novo. Mais devagar. Mais sensual. Agora de olhos fechados. E ele perdeu o controle. — — Com licença — Rafael disse, saindo do grupo de colegas e caminhando direto para a lateral da pista. Ele não podia se aproximar no meio da multidão. Mas podia… encurralá-la discretamente. Alicia estava perto da varanda, olhando o céu, o corpo ainda balançando levemente no ritmo da música. — Srta. Alicia — ele sussurrou atrás dela. Ela nem se virou. — Professor Calderon. Está aproveitando a festa? — Não tanto quanto você. Ela riu com ironia. — Eu só estou… dançando. O senhor parece tenso. Ele chegou mais perto. O calor do corpo dele tocou suas costas, sem que ele encostasse de fato. — E você parece provocante demais para alguém que diz não se importar. Ela se virou devagar. O rosto muito próximo do dele. Olhos nos olhos. Boca a centímetros. — Eu? Imagina. Eu nem notei o senhor aqui — sussurrou ela, com o hálito cheirando a vinho e pecado. Rafael perdeu a respiração. O olhar desceu para os lábios dela. Seu m****o pulsava no paletó, duro e faminto. Ela não se afastou. Nem ele. O mundo ao redor sumiu. Só restavam os dois. — — Você me quer, professor? — ela perguntou, com malícia. — Não. — Tem certeza? — Absoluta — ele mentiu. E então seus dedos roçaram o braço nu dela. Só um toque. Mas suficiente para arrepiar até a alma. Ela estremeceu. Mas manteve o olhar firme. — Se não me quer, por que está aqui? Ele aproximou a boca do ouvido dela. A voz saiu rouca, contida, quase animal. — Porque eu quero quebrar você. E não posso fazer isso… ainda. Alicia riu baixo, provocante. — Medo? Ele segurou o pulso dela por um segundo. Forte, quente. Depois soltou. — Medo de gostar — sussurrou. E se afastou. Alicia ficou ali, com o coração disparado, o corpo molhado entre as pernas e o gosto dele… em todos os sentidos possíveis. Ela tinha vencido a primeira batalha. Mas a guerra estava longe de acabar A porta da casa recém-herdada se fechou atrás de Rafael com um estalo seco. O silêncio o engoliu. Ele tirou o paletó com pressa, desabotoou a camisa com raiva contida, e a jogou sobre o encosto da poltrona. O gosto de Alicia ainda estava em sua pele. O perfume dela. O som da risada. O modo como dançava. Como o provocava com o olhar sem nem olhar. Ele não aguentava mais. Foi até o quarto escuro, jogou-se na poltrona ao lado da cama, abriu o cinto e desceu o zíper da calça. Seu p*u estava duro, latejando, faminto. Fechou os olhos e a imagem veio. Alicia, de vestido preto, deslizando as mãos pelas coxas. A boca vermelha entreaberta, o pescoço exposto, o riso debochado. Alicia mordendo o lábio. Alicia dançando sozinha. Alicia perguntando: “Você me quer, professor?” — p**a que pariu… — ele murmurou, começando o movimento com força. A respiração ficou pesada, o corpo tenso. Ele bombeava com violência, com urgência, os músculos do abdômen contraindo, a pele ardendo. Cada imagem dela vinha como uma tortura deliciosa. Alicia de joelhos. Alicia por cima. Alicia gemendo seu nome. — Alicia… A explosão veio forte, um g**o rasgado, quente, sujo. Jato após jato, Rafael afundou os dedos na poltrona, o peito arfando. Mas o prazer durou pouco. Muito pouco. A culpa caiu como um soco no estômago. Ele respirou fundo, os olhos ainda fechados. E então… a lembrança veio. ⸻ Outra garota. Outra aluna. Anos atrás. Seu nome era Lara. Vinte e um anos. Linda. Inteligente. Rafael estava no auge da vaidade e do vício em sexo. Dormiu com ela duas vezes. Talvez três. Ela queria mais. Ele não. — Eu não sou seu namorado, Lara — dissera a ela, frio. Ela chorou. Pediu pra ele tentar. Disse que o amava. Ele riu. Disse que ela era só mais uma. Que não confundisse as coisas. Dois dias depois, ela estava morta. Suicídio. Um prédio. Uma carta confusa. Nenhuma menção direta a ele. Mas a dor… A culpa… Nunca mais saiu. Rafael passou noites sem dormir. Tentou ignorar. Tentou se afundar em outras mulheres. Em álcool. Mas aquela imagem sempre voltava: O olhar da garota. O som do corpo dela batendo no chão. O silêncio depois. — Ele passou as mãos pelo rosto agora, no presente. O corpo ainda suado. O p*u amolecido, sujo. O desejo virando cinza. — Eu não posso — sussurrou. — Não de novo. Levantou-se. Limpou-se no banheiro. Jogou água no rosto. Olhou-se no espelho como se não reconhecesse o próprio reflexo. O homem que encarava de volta tinha os olhos escuros, as olheiras fundas. O maxilar rígido. O mesmo rosto de quem sobreviveu, mas nunca mais viveu. — Na cozinha, serviu uísque. Forte. Puro. Mas parou antes de levar à boca. Nunca mais. Depois do acidente com a noiva, ele prometeu. E até hoje, cumpria. — Lentamente, foi até a janela do quarto. A mesma janela da visão anterior. Alicia não estava lá. Talvez com a irmã. Talvez dormindo. Talvez nua. Mas longe dele. Como deveria estar. E mesmo assim… ele a queria mais a cada dia. — Ele sabia o que estava fazendo. Sabia o caminho. Sabia onde levava. E mesmo com toda culpa, todos os fantasmas, todas as regras… Ele não ia conseguir resistir por muito mais tempo. Porque Alicia não era só desejo. Ela era o abismo. E ele já estava pulando.
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