Alicia girava a colher no cappuccino enquanto observava Lucas falando sobre o estágio novo. Ele parecia animado, sorridente, atencioso. Um cara bom. Mas ela se sentia a quilômetros de distância dali.
— Tá tudo bem? — ele perguntou, tocando de leve a mão dela.
Ela forçou um sorriso.
— Claro. Só cansada.
Cansada de fingir que sentia por ele o que não sentia. Cansada de forçar seu corpo a reagir a toques que não a acendiam.
Na noite anterior, Lucas tentou de novo. Mas ela negou com um beijo rápido e disse que estava com dor de cabeça.
Mentira.
A verdade?
Ela queria Rafael.
Mesmo depois de toda a raiva, da humilhação, dos silêncios dele… era com ele que ela sonhava. Era ele quem fazia seu corpo queimar só com um olhar. E agora, morando na casa ao lado, ele a observava.
Ela sabia.
E se ele queria assistir… então ela daria um show.
—
Alicia saiu do banho com o cabelo ainda molhado e vestiu a primeira camisola que achou — uma de renda preta, curta, sem alças. Nem se preocupou em colocar calcinha. Andou pela casa com a luz acesa, as cortinas meio abertas.
Sabia que ele via.
Queria que visse.
Deixou cair a toalha no chão com movimentos lentos, virou-se de costas para a janela, abaixou-se para pegar algo do chão e esticou o corpo como se fosse por acaso. Depois, foi até a cozinha buscar água, a camisola colando nas curvas.
Do outro lado da rua, Rafael travava os dedos na beirada da janela. Os olhos azuis em brasa.
— Filha da p**a… — rosnou para si mesmo, sentindo o m****o latejar por baixo do jeans.
Ela sabia. Aquela garota sabia exatamente o que estava fazendo com ele.
Mas era ele quem ia ganhar esse jogo. Não ela.
—
Na faculdade, Alicia se encontrou com Júlia, Mel e Pedro. Sentaram-se no gramado, rindo alto com as piadas idiotas de Pedro e tomando sorvete.
— E então, o Lucas é mesmo bom de cama? — Mel perguntou com aquele sorriso malicioso.
Alicia deu de ombros.
— Ele é legal. Gentil. Cuidadoso.
— Isso é o que se fala de um cachorrinho, não de um homem que te come direito — riu Júlia.
— Tá, confessa logo: ainda pensa no professor gato.
Ela ficou em silêncio.
Sorriu de lado.
— Talvez.
— “Talvez” é sim em alicês — comentou Pedro, arrancando risadas.
—
À noite, Alicia tomou um banho demorado, colocou uma camiseta larguinha sem nada por baixo e deitou no sofá para ver série com Manuela. A irmãzinha se enroscou no colo dela, com um cobertor, e adormeceu ali mesmo.
Dona Teresa passou por perto e sorriu.
— Vocês duas são minha paz — disse, beijando a testa da ruivinha.
Alicia sentiu o coração aquecer. Por mais bagunçada que fosse sua vida emocional, ali com sua irmã e a babá, ela se sentia completa. Era o único espaço onde Rafael não invadia.
Mas bastou subir para o quarto para sentir o peito apertar de novo.
Abriu a cortina da janela.
A casa dele estava acesa. A luz do escritório ligada.
“Está me assistindo agora?”, ela pensou.
O arrepio percorreu sua espinha.
—
Naquela mesma noite, Rafael sonhou com ela.
No sonho, ela invadia sua casa, usando aquela camisola preta. Se jogava sobre ele no sofá. Dizia “tô cansada de fingir”, e subia no colo dele. Tirava a roupa devagar, rebolando em cima da ereção dele, os olhos nos dele como fogo.
Ele a penetrava forte, sem aviso. Ela gemia alto, arfava, arranhava.
Ela dizia “me fode até eu esquecer meu nome, professor.”
E ele obedecia.
Acordou suado, o m****o duro e latejando.
Trancou os olhos, frustrado.
— Maldita garota…
Jurou que não se tocaria. Não por ela. Não de novo.
—
Na manhã seguinte, Alicia usou um vestido leve, sem sutiã, o tecido quase transparente contra a luz. Passou na frente da janela de propósito.
Rafael estava lá, parado, tomando café. O olhar dele cravou nela como uma lâmina.
Ela fingiu que não viu. Mas por dentro… estava derretendo.
—
Na faculdade, ele a ignorou como de costume. Mas ela não deixava barato.
Na hora do intervalo, passou propositalmente perto dele no corredor e deixou cair uma caneta. Se abaixou de forma lenta, mostrando parte da coxa e da calcinha de renda branca.
Quando se levantou, ele estava parado atrás.
— Tá querendo que eu seja expulso, Alicia? — murmurou no ouvido dela.
— Só tô pegando minha caneta, professor — respondeu com a voz mais doce e venenosa do mundo.
Ele a encurralou na parede, o corpo quase encostando no dela.
— Tá brincando com fogo.
— Já tô queimada faz tempo — respondeu, encarando-o.
Eles ficaram ali, olhando um para o outro, o ar eletrizado.
Mas ele recuou. Como sempre.
E ela ficou com o coração martelando no peito.
—
À noite, Lucas ligou.
— Posso passar aí? Tô com saudade.
Ela hesitou. Olhou para a janela. As luzes da casa de Rafael estavam acesas.
— Melhor não hoje. Tô exausta.
Desligou e entrou no banheiro. Olhou para si mesma no espelho.
Os m*****s duros por baixo da camisa. A pele arrepiada. O corpo quente.
Não era por Lucas. Era por ele. Sempre foi.
Deitou-se na cama, apagou a luz, abriu as pernas devagar, e passou os dedos entre elas.
Imaginou as mãos dele. Os olhos azuis a olhando como se quisessem devorá-la. A voz dele dizendo “olha como goza pra mim”.
Se tocou com força.
Gozou com o nome dele preso na garganta.
Do outro lado da rua, Rafael observava a janela apagar.
Sorriu com o canto da boca.
Sabia exatamente o que ela tinha feito.