Capítulo 13

965 Palavras
Alicia girava a colher no cappuccino enquanto observava Lucas falando sobre o estágio novo. Ele parecia animado, sorridente, atencioso. Um cara bom. Mas ela se sentia a quilômetros de distância dali. — Tá tudo bem? — ele perguntou, tocando de leve a mão dela. Ela forçou um sorriso. — Claro. Só cansada. Cansada de fingir que sentia por ele o que não sentia. Cansada de forçar seu corpo a reagir a toques que não a acendiam. Na noite anterior, Lucas tentou de novo. Mas ela negou com um beijo rápido e disse que estava com dor de cabeça. Mentira. A verdade? Ela queria Rafael. Mesmo depois de toda a raiva, da humilhação, dos silêncios dele… era com ele que ela sonhava. Era ele quem fazia seu corpo queimar só com um olhar. E agora, morando na casa ao lado, ele a observava. Ela sabia. E se ele queria assistir… então ela daria um show. — Alicia saiu do banho com o cabelo ainda molhado e vestiu a primeira camisola que achou — uma de renda preta, curta, sem alças. Nem se preocupou em colocar calcinha. Andou pela casa com a luz acesa, as cortinas meio abertas. Sabia que ele via. Queria que visse. Deixou cair a toalha no chão com movimentos lentos, virou-se de costas para a janela, abaixou-se para pegar algo do chão e esticou o corpo como se fosse por acaso. Depois, foi até a cozinha buscar água, a camisola colando nas curvas. Do outro lado da rua, Rafael travava os dedos na beirada da janela. Os olhos azuis em brasa. — Filha da p**a… — rosnou para si mesmo, sentindo o m****o latejar por baixo do jeans. Ela sabia. Aquela garota sabia exatamente o que estava fazendo com ele. Mas era ele quem ia ganhar esse jogo. Não ela. — Na faculdade, Alicia se encontrou com Júlia, Mel e Pedro. Sentaram-se no gramado, rindo alto com as piadas idiotas de Pedro e tomando sorvete. — E então, o Lucas é mesmo bom de cama? — Mel perguntou com aquele sorriso malicioso. Alicia deu de ombros. — Ele é legal. Gentil. Cuidadoso. — Isso é o que se fala de um cachorrinho, não de um homem que te come direito — riu Júlia. — Tá, confessa logo: ainda pensa no professor gato. Ela ficou em silêncio. Sorriu de lado. — Talvez. — “Talvez” é sim em alicês — comentou Pedro, arrancando risadas. — À noite, Alicia tomou um banho demorado, colocou uma camiseta larguinha sem nada por baixo e deitou no sofá para ver série com Manuela. A irmãzinha se enroscou no colo dela, com um cobertor, e adormeceu ali mesmo. Dona Teresa passou por perto e sorriu. — Vocês duas são minha paz — disse, beijando a testa da ruivinha. Alicia sentiu o coração aquecer. Por mais bagunçada que fosse sua vida emocional, ali com sua irmã e a babá, ela se sentia completa. Era o único espaço onde Rafael não invadia. Mas bastou subir para o quarto para sentir o peito apertar de novo. Abriu a cortina da janela. A casa dele estava acesa. A luz do escritório ligada. “Está me assistindo agora?”, ela pensou. O arrepio percorreu sua espinha. — Naquela mesma noite, Rafael sonhou com ela. No sonho, ela invadia sua casa, usando aquela camisola preta. Se jogava sobre ele no sofá. Dizia “tô cansada de fingir”, e subia no colo dele. Tirava a roupa devagar, rebolando em cima da ereção dele, os olhos nos dele como fogo. Ele a penetrava forte, sem aviso. Ela gemia alto, arfava, arranhava. Ela dizia “me fode até eu esquecer meu nome, professor.” E ele obedecia. Acordou suado, o m****o duro e latejando. Trancou os olhos, frustrado. — Maldita garota… Jurou que não se tocaria. Não por ela. Não de novo. — Na manhã seguinte, Alicia usou um vestido leve, sem sutiã, o tecido quase transparente contra a luz. Passou na frente da janela de propósito. Rafael estava lá, parado, tomando café. O olhar dele cravou nela como uma lâmina. Ela fingiu que não viu. Mas por dentro… estava derretendo. — Na faculdade, ele a ignorou como de costume. Mas ela não deixava barato. Na hora do intervalo, passou propositalmente perto dele no corredor e deixou cair uma caneta. Se abaixou de forma lenta, mostrando parte da coxa e da calcinha de renda branca. Quando se levantou, ele estava parado atrás. — Tá querendo que eu seja expulso, Alicia? — murmurou no ouvido dela. — Só tô pegando minha caneta, professor — respondeu com a voz mais doce e venenosa do mundo. Ele a encurralou na parede, o corpo quase encostando no dela. — Tá brincando com fogo. — Já tô queimada faz tempo — respondeu, encarando-o. Eles ficaram ali, olhando um para o outro, o ar eletrizado. Mas ele recuou. Como sempre. E ela ficou com o coração martelando no peito. — À noite, Lucas ligou. — Posso passar aí? Tô com saudade. Ela hesitou. Olhou para a janela. As luzes da casa de Rafael estavam acesas. — Melhor não hoje. Tô exausta. Desligou e entrou no banheiro. Olhou para si mesma no espelho. Os m*****s duros por baixo da camisa. A pele arrepiada. O corpo quente. Não era por Lucas. Era por ele. Sempre foi. Deitou-se na cama, apagou a luz, abriu as pernas devagar, e passou os dedos entre elas. Imaginou as mãos dele. Os olhos azuis a olhando como se quisessem devorá-la. A voz dele dizendo “olha como goza pra mim”. Se tocou com força. Gozou com o nome dele preso na garganta. Do outro lado da rua, Rafael observava a janela apagar. Sorriu com o canto da boca. Sabia exatamente o que ela tinha feito.
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