O céu estava cinzento naquela manhã, como se prenunciasse que algo sombrio estava por vir. Rafael estava trancado no escritório de sua casa, com a mandíbula tensa e os olhos fixos nos relatórios que acabara de receber. O detetive contratado para investigar o passado de Alicia havia entregue mais do que ele esperava. Um envelope preto sobre a mesa. Dentro, documentos, fotos e uma única frase grifada em vermelho: “Localizada em Lisboa — atualmente registrada como funcionária doméstica da família Vasconcelos.” Rafael fechou os olhos por um segundo. Aquilo não fazia sentido… ou fazia demais. A mãe biológica de Alicia — desaparecida por décadas — estava viva. E não apenas viva, mas vivendo como empregada da própria família. Casada com um homem que a tratava como objeto. Mais abaixo, outro

