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1212 Palavras

Gabriel Narrando - Continuação Fiquei pela boca mesmo, aquele canto abafado com cheiro de fumo e gente indo e vindo, esperando os moleques trazerem o carro que pedi. O sol já tava baixando por detrás da favela, fazendo as sombras se alongarem nas paredes sujas. A fumaça de baseados tomava conta do ambiente, e uns cinco ou seis manos rodavam por ali, armados, atentos ao radinho que pipocava estática vez ou outra. Sentei num caixote improvisado perto da banca onde guardo uns papelotes, e puxei meu próprio cigarro pra relaxar. Sentia o peso do dia inteiro, mas aquela ansiedade de resolver o que tinha que resolver com a Lívia me corroía. — Arcanjo, tá na neurose ainda, irmão? — Boca se aproximou, me oferecendo um novo baseado. — Tô de boa, mas manda essa merda aí — falei, pegando o bagulho

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