O silêncio da noite na Maré era um falso véu que escondia o pulsar agitado do morro. Lá embaixo, as luzes dos barracos, as vozes cansadas e o cheiro de comida misturavam-se ao som distante das sirenes e dos tiros perdidos. Mas lá dentro, num pequeno apartamento no coração da comunidade, Mariana sentia que sua alma estava em guerra, tão dilacerada quanto o território ao redor. Ela estava sentada na beirada da cama, os olhos vermelhos e cansados, os pensamentos pesando como chumbo. O rosto pálido iluminado pela luz trêmula de um abajur velho. A adrenalina do dia, as ameaças que chegavam junto com o silêncio dos telefones, o olhar feroz de Pedro quando ele a buscara no hospital horas antes… tudo isso girava em seu peito. Pedro era o rosto do morro, o homem que dominava territórios onde o Es

