A sirene da ambulância rasgava a madrugada enquanto Mariana pressionava a mão encharcada de sangue contra o peito de um menino de quinze anos. O fuzil ainda fumegava no beco onde ele caiu, e os gritos da comunidade ecoavam como uma oração desesperada. — Fica comigo, Leozinho… respira, por favor… — sussurrava ela, lutando contra o desespero, com as mãos tremendo e os olhos arregalados. O garoto piscava devagar, o olhar perdido no teto sujo do carro. Carlinhos segurava firme na lateral da maca improvisada, o rosto suado e a camisa manchada de sangue. — Foi a polícia, doutora. Entraram sem aviso. Meteram bala pra todo lado. Nem deram chance de correr. Tava jogando bola com os moleque na laje… — E onde tá a mãe dele? — Mariana perguntou entre os ruídos do aparelho improvisado de oxigênio

