capítulo 02

2469 Palavras
Depois de passar bastante tempo tentando convencer aquele marrento, brigão, zangado... Mais conhecido como meu irmão que isso era a única solução para o nosso problema de 1 milhão de dólares, ele finalmente aceitou. Felizmente, na escola em que ele estuda, os alunos podem escolher entre dormir nos dormitórios ou em suas próprias casas, e como não vou estar mais em casa todo dia, eu convenci (obriguei) ele à se mudar para o dormitório. Nós combinamos de sempre que tivermos um tempo livre nos encontrarmos e irmos visitar nosso pai, que continua em coma. Agora, as 7:00 da manhã estou dirigindo minha motocicleta pelas ruas da cidade, seguindo em direção à praia, onde irei conhecer meu primeiro patrão. Admito que achei um pouco estranho ele querer me encontrar na praia, e ainda tão cedo. Mas quem sou eu para questionar? Afinal, ele vai me dar 100 mil dólares daqui à trinta dias, por esse dinheiro eu cruzo os 40km entre minha casa e a praia de joelhos. Estou vestindo uma calça jeans preta, uma camisa verde e uma jaqueta de couro por cima, além dos meus tênis pretos de sempre. Tentei ser o mais descolado possível, para que ele tenha uma boa impressão de mim. Há cada metro que me aproximo do meu destino, sinto o frio na minha barriga aumentar ainda mais. Espero que ele seja gentil e não me cause ainda mais problemas, porquê os que já tenho são o bastante para uma vida toda. Quase meia hora depois, estaciono ao lado do único carro à vista nessa praia deserta, onde não vejo um ser humano sequer. Tiro o capacete e o coloco no coloco em cima do banco da moto, então caminho um pouco pela areia, sentindo a brisa fria bagunçar meus cabelos. Então vejo alguém. Um homem solitário no meio daquela imensidão azul, sentando sobre uma prancha enquanto encara o horizonte, pensativo. O mar ondula um pouco, então avisto uma onda, que inicialmente é pequena, mais vai crescendo à medida que se aproxima do homem solitário. Ele dá meia volta e começa à remar com os braços, até que a onda chegue até ele e o impulsione para frente com bastante força. Assisto hipnotizado enquanto ele fica de pé na prancha com uma agilidade impressionante, então começa à deslizar em zigue zague pela onda enorme... É simplesmente lindo e satisfatório ver aquele homem desconhecido fazer isso. Depois de alguns minutos, ele sai da água e caminha em minha direção com a prancha embaixo do braço e a parte de cima da roupa de mergulho amarrada na cintura. Encaro o chão com um pouco de vergonha, já que estou ciente de que ele está me encarando de cima abaixo. - oi, eu sou o Dante.- o homem fala, fazendo com que eu levante a cabeça e o encare. - o-oi.- me amaldiçoo internamente por gaguejar, meus olhos se movem contra minha vontade e focam naquele peitoral musculoso e bronzeado, onde há pequenos grãos de areia grudados. - você é o Lukka?- ele me pergunta, então me sinto obrigado á encarar seus olhos, que encaram de volta com uma intensidade absurda. - sim... Sou.- coro absurdamente enquanto ele examina cada milímetro do meu corpo. - é um prazer conhecer você, Lukka.- ele estende a mão, então aperto-a com a minha, tirando-a dali dois milissegundos depois, para evitar o máximo de contado possível. - o prazer é meu.- digo sem jeito. - venha, ei vou te levar para casa.- Dante caminha em direção ao carro, fazendo com que eu o siga. - na verdade... Eu vim de moto. Você mostra o caminho e eu sigo o seu carro.- explico, ainda um pouco nervoso. - sem problemas, eu não moro longe daqui.- diz ele, me lançando um pequeno sorriso por cima do ombro, revelando dentes brancos e super alinhados, emoldurados por lábios carnudos e rosados... Cruzamos os poucos metros até os veículos em silêncio, comigo sempre um metro atrás dele, encarando os músculos bronzeados de suas costas. - bela moto.- ele elogia, olhando para minha moto vermelha, que é um pouco antiga mais está em ótimo estado. Ela é minha belezinha e provavelmente o bem material mais caro que eu tenho. - obrigado. O seu carro também é muito... Bonito.- termino, me sentindo obrigado á também fazer um elogio. Ele confirma com a cabeça antes de falar: - agora vamos, eu tenho que te mostrar o lugar onde você vai passar os próximos trinta dias. – assinto, enquanto subo na moto e coloco o capacete. Ele me encara por mais alguns segundos, antes de entrar no carro, dá ré e começar à dirigir pela rua deserta, então eu o sigo, ainda sentindo aquele frio na barriga. (***) Algum tempo depois, ele diminui a velocidade do carro e entra na garagem da maior casa que eu já vi. Dante sai do carro e sinaliza para que eu entre na garagem e estacione minha moto lá também. - bem-vindo à minha humilde residência.- fala ele com um pouco de sarcasmo na voz (já que de humilde aqui não tem nada) enquanto eu tiro o capacete. Saio de cima da moto e cambaleio meio sem jeito em sua direção, enquanto esfrego uma mão na outra, indicando todo meu nervosismo. - siga-me.- diz dando meia volta e começando à andar em direção a porta da mansão. Nós cruzamos a grama bem cuidada do jardim e subimos o pequeno lance de escadas, para então ficarmos em frente a uma enorme porta de vidro. - você mora sozinho?- pergunto, deixando a curiosidade me vencer. - sim.- responde sem qualquer emoção evidente na voz. Ele abre a porta e entra, me lançando um olhar por cima do ombro. Um pedido silencioso para que eu o siga. Fecho os punhos com força, tentando esconder o nervosismo. Enquanto dou alguns passos e entro na mansão, escutando o “click” típico quando ele fecha a porta atrás de mim. - venha, vou te mostrar a casa.- ele fala com uma voz gentil, mas eu nem dou atenção para ele. Minha boca seca ao observar o tamanho dessa sala, tudo que há nela grita a palavra “caro”. A TV que deve ter umas 100 polegadas; o carpete felpudo que deve ser persa, egípcio ou sei lá... Até a mesinha de madeira (que desconfio ser feita com alguma madeira muito rara)... Aposto que se vendesse as coisas presentes apenas nessa sala, eu conseguiria pagar a dívida da minha família e ainda ter dinheiro para viver o resto da minha vida tranquilamente. - você não vem?- ele chama, me tirando do transe em que estava. - s-sim, claro.- digo, focando o olhar no seu rosto. Nós começamos à andar pela casa, sem que nenhum de nós diga uma palavra. Eu observo atentamente cada detalhe dessa casa gigante, onde qualquer pessoa poderia se perder facilmente. Os quadros luxuosos do corredor são ainda mais estranhos do que os da minha tia (o que quer dizer mais caro ainda), o papel da parece dourado que realça tudo... - essa é a cozinha.- ele avisa, assim que chegamos num enorme cômodo (como todos os outros) que tem um grande balcão de mármore branco o dividindo ao meio; o armário de parede possui portas de vidro, mostrando as tigelas, xícaras e pratos de porcelana; a geladeira cinza é enorme; os eletrodomésticos caros todos combinando entre si, e como se tudo isso já não bastasse, há uma enorme mesa de vidro onde eu posso ver meu reflexo perfeitamente. - há sempre comida da geladeira, você pode pegar o que quiser sempre, que quiser.- ele explica sem se virar para mim. - hum... Okay.- respondo meio sem jeito, antes de enfiar as mãos nos bolsos da calça jeans. - agora vou te mostrar a minha parte favorita de toda essa casa.- Dante me lança um sorriso por cima do ombro, o que faz meu nervosismo aumentar. Nós voltamos à caminhar, subimos para o segundo andar e ele me leva para o que parece ser... Uma sacada. - eu comprei essa casa só para poder ter essa vista todos os dias.- ele murmura pensativo, olhando para o horizonte, e quando eu sigo seu olhar, vejo a paisagem mais linda que eu já vi. A sacada fica na parte detrás da casa, de onde podemos avistar o mar, aquela imensidão azul que se move de forma monótona e linda. Ao que parece, o terreno da casa abrange um pouco da praia, dando ao dono uma linda praia particular e escondida de todo o resto. Como já são mais de 8:30, o sol já está um pouco alto, mas mesmo assim imagino como seria ver ele se pôr e nascer todos os dias, surgindo através da linha do horizonte... - é-é lindo!!- exclamo, ainda hipnotizado pela cena. - sim. É.- nós ficámos ali por mais alguns minutos, onde o único som que escutamos é o das ondas, sem o barulho estridente dos veículos, típico das grandes cidades. - vamos, vou te mostrar seu quarto.- diz, voltando à caminhar mais uma vez, então eu começo à segui-lo novamente, alternando o olhar entre sua nuca, as costas musculosas e a sua b***a grande. (***) Depois de passarmos por uma infinidade de quartos, dispostos dos dois lado do corredor que divide o segundo andar bem no meio, finalmente chegamos ao meu suposto quarto. - esse será o seu quarto pelos próximos 25 dias.- avisa, antes de abrir a porta. O quarto é enorme, há uma cama de casal bem no centro do quarto, com um edredom azul disposto perfeitamente sobre ela. O papel de parede é de um verde claro muito bonito, que deixa o quarto mais elegante. Também há um guarda-roupas enorme e uma escrivaninha com alguns livros sobre ela. Solto um suspiro, tudo aqui é tão chique que me deixa sem jeito. No meu apartamento há apenas dois quartos, eu dividia um com meu irmão e meu pai ficava com o outro, e embora o nosso quarto fosse muito aconchegante, não chega bem aos pés desse. - o que foi?- ele questiona.- você não gostou? Se quiser eu posso mudar... - não! O quarto é muito bonito, obrigado... Sr.ª warrem.- completo, sem ter certeza se devo chama-lo de outro jeito. - não precisa me chamar assim. Eu não sou muito mais velho que você. Meu amigos me chamam de Dante.- diz, mantendo o contato visual comigo, então ele leva as mãos a cintura bronzeada e desnuda. - nós somos amigos?- questiono, enquanto caminho pelo quarto e sento na cama, que por sinal, é muito macia. - não somos? - o dinheiro é seu, você que manda.- deixo escapar, e quando percebo já está sem jeito. Levo a mão à boca instantaneamente, uma tentativa atrasada de tentar impedir as palavras. m***a, acho que já quebrei a maioria das regras que a tia Mary me impôs. Mas ao contrário do que imaginei, ele apenas abre um sorriso em apoia as costas na parede, ficando ali, me observando enquanto eu o observo. Encaro cada mínimo detalhe do corpo dele descaradamente (afinal, ele fez/faz a mesma coisa comigo). Algumas mechas do seu cabelo loiro caem sobre a testa, ele contrai o maxilar enquanto eu o observo. Desço o olhar para seu pescoço, depois para seu peitoral, os gomos perfeitamente esculpidos da sua barriga, aquele “V” que aponta diretamente para dentro da sua roupa de surf... Tenho ódio de mim mesmo por ficar olhando, então viro a cabeça bruscamente e foco em um ponto qualquer do quarto. - então... Qual é a minha função?- quebro o silêncio, fazendo em voz alta a pergunta que tenho feito para mim mesmo desde que resolvi trabalhar com minha tia. - bom... Eu sou um pouco famoso. E como você sabe, muito rico.- diz, fazendo-me revirar os olhos. - e por isso – ele prossegue.- eu sou alvo de todos os interesseiros de plantão, que pretendem me fisgar. Não importa onde eu esteja, eles vem até mim como abutres que voam até um animal morto. - eu ainda não entendi. E porquê você contrataria um homem ao invés de simplesmente arranjar um namorada?- questiono, sem entender direito onde ele quer chegar. - bom... Eu não quero entrar em nenhum relacionamento. E sobre a questão de você ser homem, é de conhecimento público que eu sou bi, o que dificulta as coisas, já que além das mulheres, eu tenho homens tentando me conquistar... ou melhor: pegar meu dinheiro. - deixa eu ver se entendi, você quer que eu finja ser seu namorado, ou melhor: que eu seja seu escudo contra interesseiros?- tento seguir a sua linha de raciocínio. - exatamente.- ele confirma, me lançando um sorriso.- você dá conta, não é? - claro.- confirmo (como se eu tivesse outra escolha). - ótimo, eu preciso que você esteja à disposição aos sábados e domingos para ir comigo à eventos profissionais e pessoais. Nos outros dias, você pode andar por aí, conhecer a propriedade, usar a piscina... Enfim, sinta-se à vontade.- termina, antes de virar de costas e dá alguns passos em direção à porta. - por que você me escolheu?- deixo escapar, fazendo ele parar de andar e me encarar por cima do ombro. - eu gostei de você, quando vi suas fotos naquele site soube que seria perfeito para o serviço. Você é muito bonito, e também tem esse olhar marrento, que vai afastar todas as pessoas que tentarem chegar perto do seu namorado, que no caso, sou eu.- diz, sem tirar aquele maldito sorriso do rosto. Decido não agradecer, já que não tenho certeza se isso foi um elogio. - ah, eu também contratei você, porque não vejo a hora de te ver nu, com essa bundazinha linda empinada para mim.- completa, com seu sorriso ficando maior à cada segundo. O QUE?! Travo no lugar, sentindo minhas pernas tremendos e um calafrio subir pela minha espinha. - s-senhor... Não sei se v-você leu o contrato, mas esse é um trabalho inteiramente p-profissional. Eu não tenho que fazer sexo...- tento argumentar, mas ele vem na minha direção e para a centímetros de mim, com sua boca à centímetros da minha, fazendo-me parar de falar instantaneamente. - eu sei o que está no contrato, Lukka. Você vai me dá essa bundazinha por vontade própria, e pode ter certeza, eu vou adorar te fazer gemer.- fala com a voz sedutora, antes de dá um beijo no canto da minha boca, virar de costas e andar até a porta do quarto. - o meu quarto é o último do corredor, me procure quando quiser fazer o melhor s**o da sua vida.- completa, então ele fecha a porta do quarto e me deixa aqui plantado, ainda tentando entender o que acabou de acontecer. Merda, m***a, m***a. Onde eu fui me meter?!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR