Numa mansão forrada a veludo e aparências, Maria Gabriella Portilha cresceu com tudo — menos com o que mais desejava: o amor de quem a gerou. Conhecida publicamente como a “herdeira perfeita”, ela vive entre festas, colunas sociais e sorrisos ensaiados; por trás das cortinas, a casa respira silêncio, quartos separados e olhares frios. A mãe, Eloísa, cultiva uma preferência explícita por Camilla, a irmã mais nova: mimada, brilhante e feita à imagem do que a família quer exibir. Gabriella, morena de olhos azuis, é tratada como um enigma — uma beleza que incomoda, um corpo que não se encaixa na árvore genealógica que os Portilha cultivam.
Quando ainda era bebê, uma intriga do passado obrigou alguém a ceder perante uma chantagem: uma recém-nascida foi colocada no centro de um acordo sujo para enterrar um escândalo que poderia destruir reputações, carreiras e fortunas. A família Portilha aceitou a criança; a razão foi escondida em gavetas trancadas, em pagamentos discretos e em um pacto de silêncio que se estende há décadas. Para Eloísa, Gabriella é o lembrete vivo de uma traição — real ou imaginada — e por isso nunca lhe ofereceu carinho. O que a sociedade vê como um drama glamouroso é, para Gabriella, um labirinto de portas que nunca se abrem.
Ao atingir a idade em que perguntas se tornam exigências, Gabriella decide que já é tempo de arrancar as cortinas. A investigação começa por pequenas fissuras: fotografias recortadas, um diário guardado num cofre, conversas interrompidas nos salões noturnos. Ao invés de respostas fáceis, encontra testemunhas relutantes, documentos forjados e uma cadeia de silêncios que protege interesses maiores do que a honra de um só nome. No caminho, descobre que a chantagem original não fora um mero ato de avareza — foi uma moeda de troca num jogo de poder que envolvia política, negócios e velhas alianças.
“Amor & Mentiras” segue Gabriella na sua descida por memórias e segredos, enquanto ela confronta não só os adultos que a criaram, mas também as próprias imagens que guardou de si mesma. Entra em cena um círculo de aliados improváveis — um mordomo que conhece mais do que fala, um amigo de infância que nunca aceitou as regras da família, e um jornalista disposto a trocar uma verdade por outra — que ajudam a costurar a narrativa e a expor a engenharia social que manteve a mentira viva.
O clímax ocorre quando a verdade, finalmente, rompe o verniz. Revelações sobre a origem de Gabriella — quem foi a mãe biológica, quem a usou como peão, e que segredos da juventude de Eloísa motivaram o pacto — detonam confrontos cruéis. A família se parte entre negação, raiva e remorso; alianças antigas desmoronam; e Gabriella, por fim, precisa escolher: exigir reparação na mesma moeda que a traiu (vingança social, expulsão, exposição pública), ou reconstruir a própria vida longe do legado que a sufoca.
No final, o que resta não é só responder quem ela é no papel, mas descobrir quem ela será por sua vontade. “Amor & Mentiras” é uma história sobre identidade roubada e reconquistada, sobre como riqueza não cura a solidão, e sobre o preço de segredos antigos quando uma jovem ousa transformá-los em verdade.
🌳 Árvore Genealógica de Amor & Mentiras
Família Portilha (oficial, criada no luxo e nas mentiras)
Joaquim Portilha (52)
Empresário poderoso, guardião das aparências. Pai oficial de Gabriella e Camilla.
Casado com:
Eloísa Portilha (46) – mãe oficial. Orgulhosa, fria, obcecada com status.
Filhas:
Maria Gabriella Portilha (23) – a herdeira “diferente”, rejeitada pela mãe.
Camilla Portilha (19) – a filha mimada, favorita de Eloísa.
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Família Albuquerque (biológica, marcada pela perda e pelo segredo)
Dona Amália de Albuquerque (70)
Matriarca. Avó biológica de Gabriella. Sofreu a vida inteira por não conhecer a neta.
Casou-se duas vezes:
1. Primeiro casamento (pai biológico de Rosa e Antônio) – já falecido.
Antônio de Albuquerque (48) – filho mais velho, irmão de Rosa. Protetor e revoltado com os Portilha.
Rosa Helena de Albuquerque (44) – mãe biológica de Gabriella. Teve a filha ainda jovem, obrigada a entregá-la.
2. Segundo casamento (com Severino, 63)
Luciana de Albuquerque (36) – filha caçula, meia-irmã de Rosa e Antônio. Doce, conciliadora, sempre desejou conhecer a sobrinha.
Severino (63) – padrasto de Rosa e figura paterna.
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Conexão das famílias
Segredo central:
Rosa Helena engravidou de Joaquim Portilha (possivelmente antes ou durante o casamento dele com Eloísa).
Chantagem:
Para proteger o nome Portilha, Eloísa e Joaquim aceitaram criar a criança (Gabriella) como filha legítima. A verdade foi escondida com ajuda de Dr. Mendonça, advogado da família.
Consequência:
Gabriella cresceu numa família que nunca a amou de verdade, enquanto sua família biológica viveu na dor da separação e da injustiça.