Após alguns dias cansativos viajando com o conde, a Minha chegada em downton foi relativamente calma. durante a viagem paramos em algumas estalagens pelo caminho, mas sempre ficamos em quartos separados. quando a carruagem parou de frente a grande propriedade, vários criados nos aguardavam na entrada , recebi olhares estranhos de alguns deles e até mesmo de pena de outros. Minhas coisas foram levadas a um dos quartos principais, conjugado ao quarto do conde, onde descansei um pouco depois do almoço. Após a viagem longa, sentia-me exausta e essa nova pespectiva de vida também não me causava ânimo algum.
A noite o jantar ocorreu no mais absoluto silêncio. meu esposo olhava-me de forma estranha e eu antecipava em minha mente tudo o que estava por vir, afinal, não estávamos mais no castelo, ou sob a vista de qualquer estranho. Eu ainda terminava o meu prato, quando ele disparou com certa rispidez:
-suba.
sua ordem interrompeu meus devaneios e eu tomei um susto, senti muito medo, mas também vi em seu olhar que não seria possível desafia-lo.
Levantei-me ainda trêmula e subi ao meu quarto, não me troquei, nem me Movi direito na verdade, sequei uma lágrima em meu rosto e decidi que passaria por esta situação com o mínimo de dignidade, não iria chorar diante dele. Ouvi um barulho no quarto ao lado, um pequeno ranger de porta, em seguida a porta que ligava os nossos aposentos foi aberta. George sustentava um sorriso cínico e mais uma vez me olhou da cabeça aos pés.
- porque está com medo priminha? Acha-se assim tão irresistível? Ora, olhe para você, pra mim é tão desprezível!
- mas então....
- NÃO ME INTERROMPA!
gritou enquanto se aproximava mais de mim. eu prometi que não choraria, mas meu medo aumentava a cada segundo e um nó formava-se em minha garganta.
-sabe por que está aqui priminha? Você é o meu baú de ouro! Sua herança é surpreendente, e acabarão com todos os meus problemas. quanto a você, não espero vê-la tão cedo sua estúpida, você me causa repulsa!
George empurra-me em direção ao chão e eu Caio, machucando o meu braço.
-você está louco George?
-estou, louco pra livrar-me de você e dos meus credores. pena que a milady é queridinha do rei, não posso acabar com sua vida tão rapidamente, mas pensarei em algo especial para você. até lá ficará trancada aqui.
George tranca as portas do meu quarto, e sai deixando-me sozinha. por um momento eu até sinto alívio por isso, mas ainda precisava com urgência fugir desse lugar.
assim que ele sai eu caminho pelos aposentos e noto algumas coisas estranhas. as janelas foram seladas com fechaduras e cadeados, nenhuma delas abre. por sorte, que não são inteiramente de madeira, e a luz poderá entrar pelos vidros durante o dia. boa parte das minhas coisas não foram trazidas pra cá, George deve inspecionar os baús e retirar para si o que considerar de valor.
Uma semana se passa, e eu continuo trancada em meu quarto, até mesmo a minha alimentação é mantida de forma escaça, apenas quando alguém deposita através de uma janela de ligação entre o meu quarto e o corredor lateral, e esta só pode ser aberta pelo lado de fora. George havia pensado em tudo, mesmo antes de eu vir pra cá. Eu já estava a ponto de enlouquecer naquele lugar sombrio, as janelas que estavam trancadas, agora acumulavam poeira do lado de fora e a luz do sol ficava cada vez mais nublada. chorava incessantemente, principalmente as noites, quando sentia maior solidão. O que George estaria dizendo aos criados para me manter ali presa sem causar especulações?
Escuto alguns sons vindos do quarto ao lado, estranho, pois todos já deveriam estar dormindo a essa hora, por um momento sinto medo, mas depois percebi que a porta de ligação dos aposentos não foi aberta, mas aqueles sons... parecia o som de amantes entregando-se um ao outro, com sussuros e respirações ofegantes. Já tinha lido alguns livros com esse teor na biblioteca do palácio.
será que George tinha uma amante? Seria ela uma criada, para entrar em seu quarto de forma despercebida no meio da noite? Ou será que ele não se importava com o fato de levar outras mulheres pra casa, enquanto me prendia no quarto ao lado do seu? Por isso odiava-me, por estar entre os dois e precisar de mim como um baú do tesouro? Perturbava-me ouvir aqueles sons, que continuaram até quase amanhecer e eu praticamente não dormi.