Win
Sentimento de desgosto, de mágoa, sensação de tristeza, desalento; Circunstância emocional de melancolia, desapontamento causado por uma por imprevisto, caracterizando um m*l, uma decepção amorosa. De acordo com o dicionário, essa é a definição da palavra decepção. Tudo que eu senti quando ouvi aquela garota chamá-lo de amor está bem descrito nessa definição.
Pode parecer exagero, mas eu sou muito sentimental, exagerado demais quando se trata de sentimentos, afinal, fui privado deles por ser gay. Encaro meu rosto no espelho, e está vermelho de tanto chorar, eu não devia estar aqui chorando por algo que nunca aconteceu, e talvez não aconteça. Depois de me enxugar, vestir meu pijama, saio do banheiro, e não o vejo na cama, olho em direção a varanda, e ele está lá sentando no chão, conversando ao celular.
Pego meu travesseiro, meu lençol, e caminho até a porta, mas sou parado por sua voz. “Win, aonde você vai?”
“Dormir”
“Dormir aonde?”
“Não é problema seu! O melhor que você faz é se preocupar com a sua namorada...”, falo e não espero que me responda, abro a porta e saio.
Assim que Khai abre a porta, seu olhar parece estático, e sei que vem um bombardeio de perguntas sobre o que eu estou fazendo ali.
“Você veio dormir aqui? O que houve, Winnie?”, Khai pergunta, eu entro e sento em sua cama.
“Eu tentei contar, mas ele estava de papinho com uma garota, que o chamou de amor, então não tive coragem!”
“Como assim? Você não falou nada, porque uma garota o chamou de amor?”, Freezer pergunta indignado.
“O que você queria, Freezer?”
“Ai Winnie, ela pode ser amiga dele, não é Freezer?”, Khai pergunta.
“Sim, pode ser amiga, e você ao invés de falar de uma vez, fica protelando, me poupe Win!”, ele diz e balança a cabeça em negativo.
“Não sei, acho que não são só amigos! Eu decidi que não vou ficar me desgastando com isso!”
“p***a Win, o que custa contar a verdade? Se ele lembrar, você se joga nos braços dele, e se ele não lembrar, vida que segue!”
“Eu adoraria ter esse senso de psicólogo que você tem, mas eu não sou assim, sou passional demais!”
Será que eles têm razão? Se a garota for apenas amiga dele?
Que merda eu tô fazendo?
[...]
Parece que por mais que eu tente não pensar nele, é impossível. Antes de ir para a aula, o encontrei ainda no quarto, passou a manhã sentando ao meu lado na sala de aula, e agora, está junto com seu primo e amigos, em uma mesa de frente para a nossa. Como se não fosse piorar, seu olhar sempre recai sobre mim, e isso me deixa nervoso. Meus amigos falam o tempo todo, ou melhor, Khai fala, e Freezer o repreende. Às vezes, acho que os dois formariam um belo casal, já que os opostos se atraem.
“Não acha, Winnie?”
“Ele não acha nada, tá aí perdido nos olhares do colega de quarto, que está sentado na mesa da frente!”
“Eu não tô olhando pra ele!”, protesto.
“Ahã, sabemos...”, Freezer diz e solta uma gargalhada.
“Tá, o que vocês estavam falando?”
“Que o Khai não gosta tanto assim do Oat. Ele pensa que gosta, porque o cara é bonitão, gosta de ostentar, e...”
“E... Nada! Eu gosto dele!”, Khai rebate Freezer.
“Pode até gostar, mas será que um dia ele também vai gostar de você, na mesma proporção que você diz gostar dele?”, Freezer questiona.
“Eu não sei, Freezer! Eu tenho tentado me aproximar dele, mas Oat é muito desejado, e...”
“Eu acho que você não vai conseguir!”
“Poxa Freezer, você nunca torce por mim!”
“Torço sim, torço para que você crie juízo, e perceba que não vale a pena gostar de alguém como ele, Khai! Você merece mais do que ele pode te oferecer!”, Freezer fala de um modo que me deixa impressionado.
“Eu concordo com o Freezer, Khai. Você é bom demais para ele!”
“Vocês falam como se ele fosse um demônio!”
“Não deixa de ser um, e o mais importante é que ele faz a linha brotheragem, ou seja, nunca vai assumir que está gostando de um cara!”, Freezer afirma.
“Eu entendo a sua preocupação, mas esse é o último ano que posso tentar me aproximar de verdade, depois que nos formarmos, não terei outra chance. Eu vou conquistá-lo, vocês vão ver!”
“Tudo bem, então se é assim.... Te desafio a conquistar o Oat até a formatura, se você não conseguir, terá que me dar algo em troca, e se conseguir, é você que me pedirá alguma coisa. Então, topa?”, Freezer pergunta.
“O que é isso? Uma aposta?”, Khai pergunta.
“Considere como uma. Então o que me diz?”
“Eu aceito”
[...]
Fim das aulas, e eu estou exausto. Prestar atenção em alguma coisa quando se tem Khai e Freezer numa pequena guerra de bilhetinhos, sobre conquistar Oat até a formatura, não é divertido, é cansativo. Além da presença de Nate ao meu lado, meu coração acelerando à toa, por eu perceber seu olhar constante sob mim. Caminho ao lado dos meninos pelo longo corredor que dá acesso ao refeitório, e minha mente se prepara para aguentar mais uma rodada de Khai e Freezer falando sobre Oat, durante o jantar.
Sentamos na mesma mesa do almoço, e meus olhos vagueiam pelo espaço, e não o vejo. Escuto Khai me perguntar, assim que Freezer se levanta para pegar algo. “Tá procurando por ele, Winnie?”
“Você tá falando de quem?”
“Não se faça de bobo, é claro que tô falando do Nate!”, ele diz e eu balanço a cabeça em negativo. “É claro que está, e não adianta negar, eu notei os olhares de vocês na aula, e na hora do almoço!”
“Você tá viajando de novo! Eu não tô procurando por ele, pouco me importa!”
“Então quer dizer que você vai dormir no seu quarto?”
“Claro que vou, Khai! Não posso fugir, tenho que enfrentar!”
“Muito bem. Pode parecer meio egoísta o que vou dizer, mas acho que você poderia tornar-se amigo dele, isso me ajudaria com o Oat!”
“Khai, não dá! Sei que você está empenhado em cumprir o desafio que foi lançado, mas não vou me aproximar do Nate para te ajudar!”
“Tudo bem, mas acho que você deveria resolver isso de uma vez, ou vai ficar o ano inteiro assim?”
O que Khai falou fica martelando na minha cabeça, e eu sei que não posso continuar assim, preciso tomar alguma decisão, na verdade eu sei o que tenho a fazer, só não sei como vou fazer isso. Entro no quarto, as luzes acesas, as roupas jogadas em cima da cama, e o barulho do chuveiro. Caminho até minha cama, coloco meus livros em cima da mesa de estudo, e torno a andar até a varanda, abro a porta e me escoro na grade, e sinto o vento bater suavemente em meu rosto, fecho os olhos, e aspiro profundamente.
Volto ao quarto, sento na cama. A porta do banheiro finalmente abre, e meus olhos saltam, engulo em seco. Ele está com uma toalha enrolada na cintura. Meus olhos passeiam pelo seu peito, meu coração dispara, mordo o lábio, e seu olhar está sob mim, são segundos que podem me levar a loucura, e mais uma vez as palavras de meus amigos tornam a bombardear a minha mente.
Sei que preciso falar alguma coisa, mas antes preciso de um banho, acho que a temperatura esquentou em níveis absurdos no nosso quarto. Levanto, abro meu armário para pegar meu pijama, e antes que eu faça, ele fala comigo. “Win, eu acho que a gente precisa conversar!”
“Conversar sobre o quê?”, falo e olho em seus olhos. Tento fingir demência, porque eu sei muito bem o que ele quer falar, mas eu não sei como começar, e se estou pronto para ouvir.
“Sobre o que vem acontecendo entre a gente!”
“O que tem a gente?”
“Win por favor, ontem você dormiu no quarto dos seus amigos! Ficou muito claro para mim que você estava com raiva pelo que eu falei ao Oat sobre nós...”, ele fala, seu olhar é intenso, e a distância entre nós está cada vez mais curta.
“Olha só, eu tô de saco cheio de gente como você...”
“Como assim?”
“Como assim? Você disse que me beijou por retribuição, praticamente por pena, e ainda quer que eu ache isso bom? A maioria dos meninos daqui, que vivem no armário dizem a mesma coisa...”
“Mas, eu não sou como os meninos daqui! Eu tenho os meus motivos pra não querer que Oat se metesse no que aconteceu!”
“Quais são?”, pergunto sem acreditar no que diz, e continuo usando um pouco de deboche. “Já sei! Você é adepto do sigilo!”
“Win, eu não tô brincando! Eu...”
“Olha Nate, eu tô cansado, eu não tô afim de saber dos seus problemas, tá?”, digo e tento tirar a gravata, mas o nervosismo é tão grande por conta de sua proximidade, as gotas de água escorrendo pelo seu peito, e eu me controlando para não cair em tentação mais uma vez. “Essa gravata maldita não quer sair, o que há?”
“Deixa eu te ajudar!”, ele exclama e fica tão próximo de mim, e eu sei que isso não terminará bem.
Ele segura a gravata, e tento tirar a sua mão, mas é impossível, pois, ele segura a minha mão, e seus olhos intercalam entre os meus e a minha boca, e não sei o que fazer. Eu me afasto mais, e colo meu corpo à porta do armário. Ele cola seu corpo ao meu, e continua olhando para minha boca como se quisesse devorá-la, lambe os lábios, e mais uma vez sou eu que tomo a iniciativa, e colo os meus lábios ao seu.