Capítulo um - Um novo começo

2010 Palavras
— Como se sente? — Doutor Isaac pergunta. Ele está sentado no seu sofá de couro, no seu consultório com paredes azuis e está com um caderno e uma caneta na mão. Seus cabelos grisalhos estão bem penteados e ele me olha como se me entendesse. — Eu me sinto bem. Agora que Paul está comigo, tudo está bem. — Digo. — Mas você estava discretamente obcecada em engravidar novamente. Isso mostra que ainda não superou o que aconteceu. — Ele endireita os óculos. — Eu percebo que preciso seguir em frente. Eu não posso continuar lamentando. — Olho para as minhas mãos. — Você sabe que eu sou psicólogo, conheço você e posso dizer que você está mentindo, senhorita Watson! Suspiro. — Tudo bem. Eu menti. A verdade é que eu enganei Paul. A gente transou. Ainda é difícil aceitar aquilo. — Digo envergonhada. Ele aponta alguma coisa no seu caderno e olha para mim. — Como se sente por ter feito isso? Engravidar de propósito sem que ele soubesse. — Eu não sinto nada. Estou perfeitamente bem. — Entrelaço as minhas mãos. — Você acha que isso é certo? Enganar ele? — Ele me olha atentamente. — Sim. Eu preciso preencher esse vazio. Outro bebê pode mudar a minha situação. Pode curar o meu sofrimento. Eu fiz isso por um bom motivo. — Se ele não quiser ser pai tão cedo? Você disse que ambos têm apenas 18 anos. O que acontece se ele recusar a paternidade? Suspiro. — O mais importante é o que eu sinto. Se ele não quiser, eu posso fazer tudo sozinha, mas eu preciso disso. Ninguém entende! Ele escreve novamente no caderno. — Você acha que ter outro bebê é a solução para superar a perda de um? — Pergunta cautelosamente. Olho para o teto. — Sim. É a única solução para mim. É a única que eu consigo encontrar. — Já tentou um relacionamento com alguém depois do incidente? — Não. Eu só comecei com Paul. Eu quero que ele seja o pai. — Respondo. Detesto isso, mas Bratt e Liam dizem que tem de ser. — O que acontece quando está rodeada de pessoas? Seus amigos, família, como se sente? — Bem. Eu esqueço da dor por alguns instantes, mas quando estou sozinha é outra coisa. E eu quero mudar isso. Eu quero poder sorrir até quando estou só, fazer tudo com alegria. Como antes. — Entendo. — Ele escreve mais alguma coisa no seu caderno. Eu vejo a hora no relógio no meu pulso. Preciso que isso termine logo. Saio do consultório do doutor Isaac e vejo Bratt mexendo no celular. Ele olha para mim quando me vê. Espero que não me pergunte o que o doutor disse. — Como correu? — O mesmo de sempre. — Digo. — É melhor eu parar de vir aqui. Senão os nossos pais vão descobrir. — Você precisa, Jole! — Você também! Muito mais do que eu. Você ficou um mês sem falar com ninguém quando... Ela se foi. — Digo. — Eu não preciso de um psicólogo. — Você quis m***r Liam! — Antes. Estava bêbado. Já passou. Nenhum psicólogo vai me ajudar. Nada nem ninguém vai me ajudar. Estou bem e estou acostumado com isso. Me deixe! — Vê o que está dizendo? Bratt, isso não pode ficar assim. Você nem implica mais comigo. Antes a gente brigava por um biscoito, para comer a última fatia de piza, pelo controle da TV e agora você está nem aí. Eu quero o meu irmão de volta! — Você não vai ter. Sinto muito. — Ele abre a porta do carro para mim. — Vamos embora. Eu entro e coloco o cinto de segurança. Bratt faz o mesmo e começa a dirigir. Meu celular vibra, mas não atendo. Não é boa ideia conversar com Liam quando Bratt está aqui ao meu lado. — Eu sei que é Liam, pode atender. — Ele diz. Mesmo assim não atendo. — É melhor não. — Está bem. Você vai sair com Paul outra vez? — Não hoje. Agora você virou irmão super protetor? — Eu sou protetor quando não quero que você se machuque. Infelizmente, errei na minha vez. — Vamos esquecer aquele assunto. Eu só quero ir para casa. Uma vítima! Era tudo o que eu precisava. E eu encontrei uma. Usei Paul e sinceramente não me arrependo disso. Ele disse que gosta de mim, então não há problema nenhum. Estou fazendo um favor para os dois. Só temos que esperar que o bebê comece a se desenvolver na minha barriga. Não há nada para dar errado. Saio do meu quarto completamente feliz e vejo Bratt pegando na sua mochila. Minha mãe fala com ele, mas não responde. Eu reviro os olhos. Isso de novo não! — Bom dia, mamãe! — Eu digo e pego numa maçã para levar no caminho. — Você vai com a gente, filho? — Minha mãe pergunta. Bratt apenas acena negativamente e sai de casa. A senhora Christina, minha mãe, ainda está surpresa com o comportamento de Bratt. Tudo o que ela sabe é que Elisa se foi e ponto final. — O que deu no seu irmão? — Ela pega nas chaves do carro. — Eu não faço ideia! — Digo. — Depois eu falo com ele. É melhor a gente ir. — Ela pega na bolsa e eu sigo ela até o carro. No colégio, eu arrumo os meus livros e me arrependo de não ter comido nada além daquela maçã. Isso não pode acontecer novamente. Possivelmente estou comendo por dois. Alguém me agarra e beija o meu pescoço e eu sorrio porque já seu quem é. O pai do meu filho, obviamente! — Como está a minha linda namorada? — Ele me dá um beijo casto. — Com saudades de você! Passei a noite toda pensando em você! — Minto. Na verdade, passei a noite toda pensando no nosso bebê. — Eu também. E você não imagina como estou feliz. — Ele passa a mão no meu rosto suavemente. — Eu também. — Porque em breve um pequenino vai estar entre a gente. — Vamos para sala de aula? — Ele pergunta e coloca a mão na minha cintura. Ele é um pouco possessivo. — É melhor. Nos dirigimos à sala de aulas onde poucos alunos se encontram lendo seus apontamentos. Sophie está no celular, Bratt olhando para o teto como se tivesse uma mensagem lá e Blaire está conversando com Liam animadamente. — Depois a gente se vê. Eu vou ter saudades! — Paul beija a minha testa e vai sentar perto de Shane. Sento no meu lugar e olho para Sophie. Ela também olha para mim, mas seu olhar é triste. Tenho a certeza que já sei do que se trata. — Você e Paul estão finalmente namorando? — Ela pergunta. — Sim, Sophie. A gente está juntos há uma semana. E ainda há muita coisa que você só vai saber lá para frente. — Você não pode dizer agora? — Ela pestaneja. — Não. Apenas confia em mim. — Digo. — E porquê vocês só assumiram a relação agora? Porquê não me disse nada, Jole? — Sophie pergunta. — Paul não queria que ninguém soubesse ainda. A gente combinou que ia esperar uma semana. — Olho para ela. — Entendo. Faria o mesmo se Bratt me pedisse. — Ela endireita os óculos. O professor Clark entra na sala de aulas com uma boa disposição. Eu tiro os livros e os cadernos da minha mochila e me preparo para fazer os apontamentos. Mas não presto muita atenção na aula. No refeitório, Paul e eu comemos juntos. Apenas nós os dois. Essa coisa de namoro é maravilhoso. Será ainda melhor se eu descobrir que ele fará qualquer coisa por mim. — Você não está comendo um hambúrguer porquê? — Ele olha para a minha salada. Eu tenho que ter uma alimentação saudável de agora em diante. — Meu nutricionista me recomendeu comer coisas saudáveis. — A convivência com Liam e Bratt fez de mim uma ótima mentirosa. E isso pode não ser tão r**m assim. — Ainda bem que ele fez isso. Você come cada coisa! — Ele ri. Se ele soubesse que eu fiz, como ia reagir? Eu não sei, mas eu não fiz por m*l. Ele gosta de mim e está disposto a ter um relacionamento sério, então tem tudo para ser um ótimo pai. — Depois das aulas, você vai sair com Shane? — Pergunto. — Sim. Mas se você tem outros planos, posso dar um jeito de acertar a minha agenda. Tenho sempre tempo para você. — Ele sorri e beija a minha mão. — Fico feliz em ouvir isso, meu amor! — Digo sorrindo como uma criança. Shane vem sentar na nossa mesa, estragando o nosso momento. Ele vai ficar a tarde toda com Paul, o que quer mais? — Algum problema, amigo? — Paul pergunta. — Não quero estar no mesmo lugar que Lambert e Blaire. — Ele olha para sua comida sem vontade. — Você pode fazer companhia no meu irmão. — Digo. — Jole! — Paul me repreende. — Eu estava brincando. — Falo imediatamente. Na verdade, não estava. — Finjam que não estou aqui. — Ele diz. Olho para Paul e ele está realmente fingindo que Shane não está aqui. Ele me olha com brilho nos olhos de tão apaixonado. — Depois das aulas podemos sair. Vamos onde você quiser! — Paul propõe. — Tudo bem. — Como a minha salada. De repente, me vem à cabeça tudo o que o meu psicólogo, Doutor Isaac, me falou há dois dias. Ele sempre tem razão em algumas coisas, mas eu preciso continuar com isso. Tudo já está feito só falta esperar. Ainda falta a aula de matemática e o professor está atrasado. Enquanto isso, converso com as minhas amigas sobre o assunto de um milhão de dólares. — Você e Paul desapareceram da festa. O que aconteceu? — Sophie pergunta. — A gente precisava conversar num lugar calmo. Apenas isso. Ele falou que gosta muito de mim e que não queria ser apenas meu amigo. — Respondo. Conto metade da história. — Vocês ficam bem juntos. — Blaire sorri. Olho para trás para Paul. Ele está conversando com Shane e está sorrindo. Meu lindo loiro está ignorante de tudo sobre a gente. Mas eu estou feliz com ele e não quero estragar isso. Preciso que pareça um acidente. Isso mesmo! Vou fingir que foi um acidente. O senhor diretor entra na sala com a sua habitual cara de m*l humorado e coloca as mãos no bolso. Espero que seja algo que eu realmente queira ouvir. Todos ficamos em silêncio, sentamos direto e prestamos total atenção ao senhor de meia idade que está vestido um terno. O que será dessa vez? — Bom dia, alunos! — Nós respondemos em uníssono. — Vocês deveriam ter aulas de matemática nesse momento, mas o professor está atrasado. Ele chega daqui a pouco. — Tosse. — Entretanto, eu aproveito esse momento para que vocês conheçam a vossa nova colega. Stephenie Whitman. — Ele olha para a porta. — Pode entrar, Whitman! — Ele ordena. Uma garota muito bonita com cabelos loiros brilhantes e olhos azuis turquesa, corpo sensual e um sorriso hipnotizante entra na nossa sala de aulas. Ela é tão bonita que deixa os meninos boquiabertos. — Olá! — Ela acena para todos. — Tenham uma boa aula! — O diretor frio sai da sala. Stephenie caminha como uma modelo e senta perto de Paul. Paul olha para ela por um tempo demasiado longo e isso me deixa com raiva. Ele vai ser pai, não pode olhar para as outras garotas! Stephenie sorri para Paul, pois ele continua olhando para ela e ele é muito bonito. Eu desvio o olhar. Preciso me acalmar. Paul jamais mudaria de ideias, mas não posso negar que tenho um pouco de medo. Essa garota tem cara de alguém que traz sempre problemas para as outras garotas.
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