Capítulo 2

1651 Palavras
Coloquei as minhas coisas no sofá, e coloquei o meu pijama. Me deitei na cama, e como a curiosidade estava me matando, liguei para minha mãe. Eram apenas onze da noite. - Gabriela. - Vai me dizer o que é que aconteceu ? - Não quero voltas. - Você é impossível sabia? É o seguinte. Estou a 24 anos solteira, você sabe disso. E agora, eu... vou me casar. - Levantei da cama. Estou surpreendida ou chocada? - O quê? Você está brincando não é? - Porquê eu brincaria com uma coisa dessas? Eu quis dizer a imenso tempo, mas é que queria ver se era algo sério... - Há quanto tempo está com esse homem? - Desde que você foi para Espanha. Gabriela você sabe que eu te amo, e quando você nasceu me dediquei a você a 100%, mas preciso que entenda que eu preciso de alguém ao meu lado. Um homem. - Ela está com ele há seis meses e não me disse nada? Eu pensei que fosse a sua filha querida? - Eu sou culpada se você ficou solteira durante esse tempo todo? É isso que quer dizer? - Que o meu nascimento fez com que ela se preocupasse mais comigo do que com ela? - Filha, eu não me arrependo de ter tido você. Eu te amo, e você foi a melhor coisa que me aconteceu, por isso quero que você aceite isso. Não posso me casar se você não souber. - Não quero ser a culpada da sua infelicidade. Nem pensar. - Eu sei. Eu quero que a senhora seja feliz. Eu sempre a privei disso. - Gabriela não fala assim. Você nunca me privou de nada. Você é o meu maior tesouro. - Eu espero que a senhora se case com o homem certo. Você merece toda a felicidade do mundo principalmente depois daquilo que o papai fez com a senhora.- E também comigo. - Eu sei. Obrigada por compreender. - Não precisa agradecer, mãe. - Então, e você? Encontrou algum lindão? - Estava demorando. Porquê é tão difícil perceber que eu não quero isso ainda? Ainda preciso de liberdade. - Não! Eu prefiro ficar solteira por um bom tempo. - Qualquer dia você vai tirar essa ideia da cabeça. E é mais cedo do que imagina. - Revirei os olhos. - Desde quando a gente estava falando sobre mim? - Você é impossível, sabia? Mas eu a amo mesmo assim. - Eu também te amo Celina. - Adeus. - Desligou. Voltei a deitar na cama. Não creio que Michele volte para casa hoje, ou amanhã de madrugada. Talvez às doze ou as cinco da tarde. Isso se não descobrir que o tal Valentino é um mentiroso sem escrúpulos. Quanto ao casamento da minha mãe. Ainda preciso digerir isso. Como será o futuro marido dela? Com cinquenta anos? Ou da mesma idade que o meu pai? Tudo isso só vou descobrir quando eu conhecer o sortudo. **** Acordei e fiz minha higiene, depois fui para a cozinha tomar o pequeno almoço. O meu último dia na Argentina . Foi o semestre mais divertido da minha vida. Michele ainda não chegou, acho que é melhor ligar para ela. Voltei para o quarto e liguei para ela, mas não atendia. Suspirei e coloquei o celular no lugar. Porquê eu estou preocupada? Ela faz isso sempre e sempre volta ilesa, mas não pára de falar das suas aventuras sexuais. Ela precisa de aprender a não ser tão fácil. Isso os homens não gostam. Eu acho, não os conheço. Fui para a cozinha tomar o café da manhã quando a porta se abriu e uma Michele chorona entrou por ela. Eu corri até ela e a abracei. - Aí meu Deus! Michele o que houve? - Ele... Ele... - Te enganou? - Ele não tem dois carros, nem uma empresa enorme, nem vai viajar. Aliás acho que nunca sai desse país. - Eu avisei! - Mas ele disse que gosta de mim de verdade e que quer tentar outra vez. - Sério? - Sério. O que eu faço? - Como você descobriu a verdade? - Quando eu queria que ele transasse comigo, ele me falou a verdade. - Sério? Ele não quis dormir com você sem que soubesse a verdade. Eu acho que deveria dar uma chance para ele. - Mas ele é mecânico! - O amor não olha para essas coisas, não é? - Você talvez tenha razão. Eu vou ligar para ele, mas antes preciso de um banho. - Precisa mesmo. - Falei Ela foi para o quarto, e ouvi meu telefone tocando. Fui correndo até o quarto, e vi quem me ligava. A última pessoa que eu esperava ouvir nesse mundo. Porquê você está me ligando? Se enganou no número? Ou está bêbado? - Falei com raiva. - Não fale assim comigo, eu ainda sou seu pai. - Eu conseguia sentir o seu sorriso. Revirei os olhos. - Da última vez fingiu que não era! Mas qual é a novidade? - Eu não disse que me orgulho disso. Não disse que me orgulhava de ser seu pai! - Fechei os olhos. Aquilo doía de diferentes maneiras. - Então não ligue para mim! - Desliguei. Estou cansada disso. Ele só faz isso para me afetar. Me odeia tanto assim? O que eu fiz para que ele me odiasse? Eu sou inocente nisso tudo. Ouvi os passos de Michele voltando para a sala. Ela olhou para mim e limpou suas lágrimas. Olhei para o celular. - Não me diga. Seu pai. - Infelizmente. Não entendo porquê ele faz isso. Eu não fiz nada a ele. - Eu sei amiga. Mas há pessoas muito cruéis, por isso não vale a pena pensar muito nisso. - Ela tinha razão. Ele não podia me afetar assim, mas afetava. Ele é meu pai. - Você já ligou para o Valentino? - Perguntei tentando mudar de assunto. - Ainda não.- Suspirou. - Ele me disse muitas coisas. Disse que seus pais estão mortos e que vive com a sua avó que está doente, e que gosta de mim. Mas como ele que é mecânico pode... - Ela sacudiu a cabeça para livrar os maus pensamentos. - Eu tenho gostos caros. Ele não é a pessoa certa. - Olha Michele , vocês se conheceram ontem, por isso não acredito muito que ele goste de você, e também não acredito que você está chorando. Vocês não passaram tanto tempo juntos assim. - Você não entende, Gabriela. Quando eu estava com ele, era diferente. Parecia que todo em nossa volta era perfeito. - Revirei os olhos. - Então ligue para ele, sei lá, tentem se conhecer melhor e com o tempo vocês vão descobrir. - Quem diria que é possível receber conselhos de uma pessoa que nunca teve um namorado. - Revirei os olhos novamente. - Esse assunto não me interessa. - Interessa sim! Eu sei. Eu te conheço. Você só tem medo de sentir algo por alguém e acontecer o mesmo que a sua mãe. Você se afasta dos homens por isso. Você se afasta do bonitinho do Caleb por isso. - Não é isso. É que eu ainda não encontrei alguém que faça o meu tipo! - Simples assim. Ela arqueiou uma sobrancelha e sorriu para mim. Eu não queria tocar naquele assunto tortuoso, por isso fui para a cozinha e ainda assim, ela me seguiu. - Você não precisa esconder nada de mim, Gabriela. Você sempre diz as coisas não na sua totalidade. Você me disse sobre sua mãe, e consigo perceber como isso te afeta. Sou uma ótima psicóloga. - E se for? Estaria errada por pensar assim? - Você precisa entender que os homens não são todos iguais. Alguns são os homens que toda a mulher sonha e outros são um pesadelo. - Ela cruzou os braços e franziu o cenho. - A propósito, qual é o tipo de homem que você gosta. - Olhei para ela. - Eu não sei. - Sério, eu sou sua amiga, pode me dizer tudo. - Eu estou falando sério! Eu não sei. Eu não me preocupo em saber. Eu só quero me afastar. - Eu sabia! Finalmente você admitiu. - Eu não sei se consigo confiar em algum homem. Eu não sei se algum dia vou confiar. É difícil para mim. - Você tem que saber que: Todos os homens são iguais; O Valentino é homem, logo é igual a todos. Isso é tão falso que nem a própria falsidade. Todo mundo é diferente. - Aulas de Lógica? Não Michele dispenso! Vá tomar um banho por favor! - Ela estreitou os olhos e saiu da cozinha. - A CONVERSA AINDA NÃO ACABOU SENHORITA .- Ouvi ela do quarto. Revirei os olhos e comecei a preparar o pequeno almoço. ***** - Eu vou sentir muitas saudades suas. - Michele me abraçava tão apertado que quase sufoquei. - Me liga para me dizer tudo o que acontecer na sua vida. Eu tenho a certeza que você vai conhecer o homem perfeito para você. - Eu acho que você fala demais e infelizmente vou ter saudades disso. - Eu vou sentir tanto a sua falta! - Ela me largou e olhou para mim com os olhos vermelhos. - Você promete que vem me visitar? - Sempre que eu poder! - Então, depois nos falamos? - Até depois amiga. - Disse me afastando dela pelo o aeroporto. Ficar em Bueno Aires foi divertido, mas já está na hora de voltar para a casa e para a minha mãe. E o seu noivo. Sentei ao lado de muitas pessoas que esperavam o voo. Meu corpo ainda estava em Bueno Aires, mas a minha cabeça já estava em Chicago com a minha mãe e seu noivo. Como será que ele é? Ele faz a minha mãe feliz? Ele é como ou diferente do meu pai? Preciso conhecer esse homem.
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