Coloquei as minhas coisas no sofá, e coloquei o meu pijama. Me deitei na cama, e como a curiosidade estava me matando, liguei para minha mãe. Eram apenas onze da noite.
- Gabriela.
- Vai me dizer o que é que aconteceu ?
- Não quero voltas.
- Você é impossível sabia? É o seguinte. Estou a 24 anos solteira, você sabe disso. E agora, eu... vou me casar. - Levantei da cama. Estou surpreendida ou chocada?
- O quê? Você está brincando não é?
- Porquê eu brincaria com uma coisa dessas? Eu quis dizer a imenso tempo, mas é que queria ver se era algo sério...
- Há quanto tempo está com esse homem?
- Desde que você foi para Espanha. Gabriela você sabe que eu te amo, e quando você nasceu me dediquei a você a 100%, mas preciso que entenda que eu preciso de alguém ao meu lado. Um homem. - Ela está com ele há seis meses e não me disse nada? Eu pensei que fosse a sua filha querida?
- Eu sou culpada se você ficou solteira durante esse tempo todo? É isso que quer dizer? - Que o meu nascimento fez com que ela se preocupasse mais comigo do que com ela?
- Filha, eu não me arrependo de ter tido você. Eu te amo, e você foi a melhor coisa que me aconteceu, por isso quero que você aceite isso. Não posso me casar se você não souber. - Não quero ser a culpada da sua infelicidade. Nem pensar.
- Eu sei. Eu quero que a senhora seja feliz. Eu sempre a privei disso.
- Gabriela não fala assim. Você nunca me privou de nada. Você é o meu maior tesouro.
- Eu espero que a senhora se case com o homem certo. Você merece toda a felicidade do mundo principalmente depois daquilo que o papai fez com a senhora.- E também comigo.
- Eu sei. Obrigada por compreender.
- Não precisa agradecer, mãe.
- Então, e você? Encontrou algum lindão? - Estava demorando. Porquê é tão difícil perceber que eu não quero isso ainda? Ainda preciso de liberdade.
- Não! Eu prefiro ficar solteira por um bom tempo.
- Qualquer dia você vai tirar essa ideia da cabeça. E é mais cedo do que imagina. - Revirei os olhos.
- Desde quando a gente estava falando sobre mim?
- Você é impossível, sabia? Mas eu a amo mesmo assim.
- Eu também te amo Celina.
- Adeus. - Desligou.
Voltei a deitar na cama. Não creio que Michele volte para casa hoje, ou amanhã de madrugada. Talvez às doze ou as cinco da tarde. Isso se não descobrir que o tal Valentino é um mentiroso sem escrúpulos.
Quanto ao casamento da minha mãe. Ainda preciso digerir isso. Como será o futuro marido dela? Com cinquenta anos? Ou da mesma idade que o meu pai? Tudo isso só vou descobrir quando eu conhecer o sortudo.
****
Acordei e fiz minha higiene, depois fui para a cozinha tomar o pequeno almoço. O meu último dia na Argentina . Foi o semestre mais divertido da minha vida.
Michele ainda não chegou, acho que é melhor ligar para ela.
Voltei para o quarto e liguei para ela, mas não atendia. Suspirei e coloquei o celular no lugar.
Porquê eu estou preocupada? Ela faz isso sempre e sempre volta ilesa, mas não pára de falar das suas aventuras sexuais. Ela precisa de aprender a não ser tão fácil. Isso os homens não gostam. Eu acho, não os conheço.
Fui para a cozinha tomar o café da manhã quando a porta se abriu e uma Michele chorona entrou por ela. Eu corri até ela e a abracei.
- Aí meu Deus! Michele o que houve?
- Ele... Ele...
- Te enganou?
- Ele não tem dois carros, nem uma empresa enorme, nem vai viajar. Aliás acho que nunca sai desse país.
- Eu avisei!
- Mas ele disse que gosta de mim de verdade e que quer tentar outra vez.
- Sério?
- Sério. O que eu faço?
- Como você descobriu a verdade?
- Quando eu queria que ele transasse comigo, ele me falou a verdade.
- Sério? Ele não quis dormir com você sem que soubesse a verdade. Eu acho que deveria dar uma chance para ele.
- Mas ele é mecânico!
- O amor não olha para essas coisas, não é?
- Você talvez tenha razão. Eu vou ligar para ele, mas antes preciso de um banho.
- Precisa mesmo. - Falei
Ela foi para o quarto, e ouvi meu telefone tocando. Fui correndo até o quarto, e vi quem me ligava. A última pessoa que eu esperava ouvir nesse mundo.
Porquê você está me ligando? Se enganou no número? Ou está bêbado? - Falei com raiva.
- Não fale assim comigo, eu ainda sou seu pai. - Eu conseguia sentir o seu sorriso. Revirei os olhos.
- Da última vez fingiu que não era! Mas qual é a novidade?
- Eu não disse que me orgulho disso. Não disse que me orgulhava de ser seu pai! - Fechei os olhos. Aquilo doía de diferentes maneiras.
- Então não ligue para mim! - Desliguei.
Estou cansada disso. Ele só faz isso para me afetar. Me odeia tanto assim? O que eu fiz para que ele me odiasse? Eu sou inocente nisso tudo.
Ouvi os passos de Michele voltando para a sala. Ela olhou para mim e limpou suas lágrimas. Olhei para o celular.
- Não me diga. Seu pai.
- Infelizmente. Não entendo porquê ele faz isso. Eu não fiz nada a ele.
- Eu sei amiga. Mas há pessoas muito cruéis, por isso não vale a pena pensar muito nisso. - Ela tinha razão. Ele não podia me afetar assim, mas afetava. Ele é meu pai.
- Você já ligou para o Valentino? - Perguntei tentando mudar de assunto.
- Ainda não.- Suspirou.
- Ele me disse muitas coisas. Disse que seus pais estão mortos e que vive com a sua avó que está doente, e que gosta de mim. Mas como ele que é mecânico pode... - Ela sacudiu a cabeça para livrar os maus pensamentos.
- Eu tenho gostos caros. Ele não é a pessoa certa.
- Olha Michele , vocês se conheceram ontem, por isso não acredito muito que ele goste de você, e também não acredito que você está chorando. Vocês não passaram tanto tempo juntos assim.
- Você não entende, Gabriela. Quando eu estava com ele, era diferente. Parecia que todo em nossa volta era perfeito. - Revirei os olhos.
- Então ligue para ele, sei lá, tentem se conhecer melhor e com o tempo vocês vão descobrir.
- Quem diria que é possível receber conselhos de uma pessoa que nunca teve um namorado. - Revirei os olhos novamente.
- Esse assunto não me interessa.
- Interessa sim! Eu sei. Eu te conheço. Você só tem medo de sentir algo por alguém e acontecer o mesmo que a sua mãe. Você se afasta dos homens por isso. Você se afasta do bonitinho do Caleb por isso.
- Não é isso. É que eu ainda não encontrei alguém que faça o meu tipo! - Simples assim.
Ela arqueiou uma sobrancelha e sorriu para mim. Eu não queria tocar naquele assunto tortuoso, por isso fui para a cozinha e ainda assim, ela me seguiu.
- Você não precisa esconder nada de mim, Gabriela. Você sempre diz as coisas não na sua totalidade. Você me disse sobre sua mãe, e consigo perceber como isso te afeta. Sou uma ótima psicóloga.
- E se for? Estaria errada por pensar assim?
- Você precisa entender que os homens não são todos iguais. Alguns são os homens que toda a mulher sonha e outros são um pesadelo. - Ela cruzou os braços e franziu o cenho.
- A propósito, qual é o tipo de homem que você gosta. - Olhei para ela.
- Eu não sei.
- Sério, eu sou sua amiga, pode me dizer tudo.
- Eu estou falando sério! Eu não sei. Eu não me preocupo em saber. Eu só quero me afastar.
- Eu sabia! Finalmente você admitiu.
- Eu não sei se consigo confiar em algum homem. Eu não sei se algum dia vou confiar. É difícil para mim.
- Você tem que saber que: Todos os homens são iguais; O Valentino é homem, logo é igual a todos. Isso é tão falso que nem a própria falsidade. Todo mundo é diferente.
- Aulas de Lógica? Não Michele dispenso! Vá tomar um banho por favor! - Ela estreitou os olhos e saiu da cozinha.
- A CONVERSA AINDA NÃO ACABOU SENHORITA .- Ouvi ela do quarto. Revirei os olhos e comecei a preparar o pequeno almoço.
*****
- Eu vou sentir muitas saudades suas. - Michele me abraçava tão apertado que quase sufoquei.
- Me liga para me dizer tudo o que acontecer na sua vida. Eu tenho a certeza que você vai conhecer o homem perfeito para você.
- Eu acho que você fala demais e infelizmente vou ter saudades disso.
- Eu vou sentir tanto a sua falta! - Ela me largou e olhou para mim com os olhos vermelhos.
- Você promete que vem me visitar?
- Sempre que eu poder!
- Então, depois nos falamos?
- Até depois amiga. - Disse me afastando dela pelo o aeroporto. Ficar em Bueno Aires foi divertido, mas já está na hora de voltar para a casa e para a minha mãe. E o seu noivo.
Sentei ao lado de muitas pessoas que esperavam o voo. Meu corpo ainda estava em Bueno Aires, mas a minha cabeça já estava em Chicago com a minha mãe e seu noivo. Como será que ele é? Ele faz a minha mãe feliz? Ele é como ou diferente do meu pai? Preciso conhecer esse homem.