ISADORA NOGUEIRA NARRANDO: Passei o dia inteiro enviando currículos. Não importava mais a vaga. Gerente, vendedora, auxiliar, recepcionista, até para faxineira eu me candidatei. Se alguém aparecesse oferecendo dinheiro pra vender picolé na esquina, eu teria aceitado. Era isso ou ver a minha vida desmoronar de vez. Estava sentada no sofá, com o notebook no colo e os olhos ardendo de tanto encarar telas, quando o celular tocou. No visor, o nome que mais me doía ver ultimamente: Mãe. Atendi com um frio no estômago. — Oi, mãe… tá tudo bem? Do outro lado, o silêncio demorou a responder. E então, veio a voz embargada: — Isadora… o convênio… eles tão negando o tratamento, filha. Fechei os olhos, como se isso pudesse impedir o golpe. — Como assim? — minha voz saiu baixa, quase um sussurro

