Era terça-feira e Carolina só percebeu que Romeu tinha ido trabalhar mais cedo quando ele já tinha saído.
Era incomum que ele aparecesse na editora nesse horário numa terça, mas ela que não iria reclamar ou até menos perguntar o motivo. Ele tinha suas razões, ela tinha certeza.
Com um sorriso, lembrou-se que ele tinha gostado da sugestão de levar os gêmeos para passear no parque, o que facilitou sua vida — não gostava da ideia de fazer as coisas escondidas do seu, duplamente, chefe.
Com esse pensamento em mente, Carolina procurou roupas de frio para vesti-los. O sol estava brilhando lá fora, mas o vento que soprava as folhas estava gelado. Não queria que eles gripassem, era tudo o que menos precisava.
Carolina esperou que Bernardo acordasse sozinho para começar a trocá-lo de roupa. Ela queria que ele aproveitasse a ida ao parque. Já João continuava com os olhos grandes abertos, olhando diretamente para a loira, que sorria pra ele. Ele devolveu o gesto com seus dentinhos a mostra.
— Como você pode ser tão lindo? — ela perguntou para ninguém em específico. — Meu Deus!
A loira esticou as mãos para pegar o moreno no colo, cheirando o topo da sua cabeça ao que seu coração palpitava de amor. Como podia terem se conhecido a tão pouco tempo e já sentir um sentimento tão forte de carinho por esse serzinho?
Pereira não saberia dizer, mas também não ligava.
Com um braço ela segurava o bebê no colo e com o outro pegou a babá eletrônica para ficar de olho no Bernardo enquanto ia para a sala. Ficaria ali brincando com João até que o outro gêmeo acordasse.
Sem aviso nenhum, a porta da frente se abriu e uma moça da sua idade — mais ou menos — entrou. Essa deveria ser a Joana, pelo que Romeu tinha lhe falado.
Ela se assustou quando viu a loira no tapete com Bernardo. Por um momento, achou que fosse a Dona Roberta brincando com seu pequeno, mas ao olhar direito, aquela loira não tinha nada a ver com a patroa.
— Bom dia! — a loira saudou, com um sorriso no rosto. — Sou Carolina, a babá.
— Oi, bom dia — disse a outra, com um riso assim que se recuperou do susto. — Joana. Muito prazer.
Carolina assentiu, voltando a olhar para o bebê. Ela olhou de relance para o relógio de pulso, percebendo que já passava das oito e meia. Como pode o tempo ter passado tão rápido assim? Brincar com João era divertido e aparentemente ela não via o tempo passar.
Ela percebeu que tinha que acordar o Bernardo ou não sairiam nunca. Carolina então pegou João no colo e seguiu para o quarto dos gêmeos, trocando a roupa dele primeiro.
— Oi, anjinho — ela sussurrou para o dorminhoco, que m*l abriu os olhos. — Hora de acordar.
Bernardo se espreguiçou e bocejou, a coisa mais fofa de ver, na humilde opinião da loira. Ela aproveitou que ele estava semi acordado e colocou a roupa de frio.
— Hoje vamos para o parque — disse ela para os dois bebês. — O quê acham disso? Divertido, né.
João balbuciou, aparentemente concordando com a babá. Então, arrumando o carrinho duplo de passear, colocando a bolsa com as coisas necessárias que talvez pudesse usar na parte debaixo dele, Carolina se viu pronta para sair. Mas antes, posicionou os dois no carrinho, um na frente e o outro atrás.
Joana apareceu no quarto, curiosa com o que a babá estava fazendo. Ela observou em silêncio enquanto Carolina ajeitava os últimos detalhes.
— Oi — disse ela quando a loira se virou para a porta, que levou um susto. — Precisa de alguma ajuda?
— Ah, oi — saudou a Pereira, sorrindo. — Acho que não. É a primeira vez que vou levá-los ao parque.
— Se quiser posso ir com você.
— Não quero atrapalhar seu trabalho.
— Só precisamos voltar meia hora antes do meio dia.
Carolina fez um cálculo mental rapidamente. Se tudo desse certo, não ficariam tanto tempo assim no parque. Era só pra eles pegarem um sol e sair do apartamento.
— Vamos voltar antes das onze — disse a loira. — É um passeio rápido. Só para não ficarem o tempo todo dentro do apartamento. Pegar sol é importante.
— Ah, então posso sim.
Joana ajudou a outra a separar os carrinhos, agora com duas pessoas ficava mais fácil. Cada uma carregava um e seria sucesso.
— Então vamos — disse a morena, já saindo do quarto.
Como Carolina tinha previsto: o sol estava quente, mas na sombra estava frio. O vento balançava as folhas das árvores e até que estava um clima bom.
As duas encontraram uma mesa de madeira no parque e ficaram lá conversando. Bernardo estava acordado, balbuciando sem parar e João, que pelo embalo do carrinho, tinha dormindo. Carolina aprendeu essa dica: se quisesse fazer com que ele dormisse, era só colocar no carrinho.
— Desculpa perguntar — disse a morena, esticando as pernas. — Mas como conseguiu ser babá dessas duas coisinhas lindas?
Carolina suspirou, era óbvio que essa pergunta chegaria. Elas já estavam conversando há uns dez minutos sobre coisas aleatórias. Ela descobriu que, de fato, Joana tinha sua idade e que estudava arquitetura na parte da noite na universidade pública de São Paulo, assim como a loira.
A morena disse que aquele era um emprego temporário até que se formasse e Romeu apoiava totalmente os estudos dela. Um chefe melhor que esse não existia em todo lugar. Carolina sabia bem disso ou não estaria ali cuidando dos seus filhos.
— Romeu é meu chefe na editora Culta — disse a loira mexendo no cabelo preso. — Ouvi em uma conversa que ele estava precisando de uma babá e me candidatei. Não foi difícil já que ele me conhecia e os meus serviços.
Joana assentiu, pensando na sorte que a outra teve. Mas não era complicado pensar que seu chefe a aceitaria como babá. Afinal, foi um caso parecido consigo. Sua mãe, conhecida do Romeu por causa da igreja onde frequentava, lhe disse que sua filha precisava de um emprego para ajudar com sua renda e foi o que ele fez. Joana se sentia mais grata do que qualquer outra coisa.
— Ele é um homem bom.
— Disso não há dúvidas — disse a loira, concordando. — Muito difícil achar homens assim.
— Infelizmente.
Um silêncio se formou entre elas, cada uma em seus próprios pensamentos. Era fato que Romeu tinha um cantinho no céu por conta disso. Ele ajudava quem quer que fosse mesmo se isso significasse um prejuízo para si, no entanto, ele dava a chance que a pessoa precisava.
Carolina observou os gêmeos. João dormia com a boca aberta, o sol esquentando suas pernas. Já Bernardo brincava com o elefante de pelúcia, mordendo suas grandes orelhas.
— Tenho uma pergunta — disse ela, incerta se perguntava ou não. Ela não queria ser intrometida nem nada disso. Joana ergueu uma sobrancelha, pronta para qualquer coisa que fosse. — Bom, não sei se é bem uma pergunta, mas... a... esposa-
— Sim, ela é mais fechada, se é que posso dizer desse jeito — murmurou a morena, fechando os olhos por alguns segundos enquanto o sol batia em seu rosto. — Nos primeiros meses achei que ela também não gostasse de mim, mas é só o jeito dela.
Carolina assentiu calmamente, absorvendo cada palavra da outra. Era um pouco difícil de acreditar que Roberta, do jeito que era, tivesse se casado com alguém tão diferente si. Romeu era o seu completo oposto.
O que era engraçado, porque, pelo menos na confraternizações da editora, Roberta era tão calorosa e querida. Talvez fosse algo em Carolina que a fazia ser tão rude ou algo do tipo.
— No primeiro dia, bom... ontem, ela foi super simpática e hoje...
— É o jeito dela — repetiu Joana, dispensando o comentário da loira com a mão. — Demorou alguns meses até que eu me acostumasse com ela.
Carolina esperava que durasse menos que isso ou não ia conseguir trabalhar direito com alguém que claramente não gostava de si. Ela só podia esperar que fizesse um bom trabalho para ser reconhecida como uma boa babá ou estaria com problemas.
— Espero que sim.
E o assunto morreu por ali.
Pereira olhou para o relógio de pulso, verificando que já passava das dez horas. Era o momento certo para voltarem para o apartamento.
Enquanto o almoço era preparado, Carolina brincava com os gêmeos. A lição de ontem sobre banhá-los somente após o almoço estava fresca em sua memória. Mas enquanto isso, ela preparou maçã para que eles comessem antes do almoço em si. Eles não podiam ficar tanto tempo sem comer. E algo simples, mas que não enchia tanto.
Intercalando as colheradas, Carolina jogava conversa fora com Joana. Era incrível como tinham se tornado amigas em tão pouco tempo. E era melhor ainda ter alguém para conversar enquanto cuidava dos pequenos.
O que ela não esperava, de forma nenhuma, era que Romeu aparecesse onze e meia em casa. Ela achou que ele ficaria o dia inteiro na editora, mas lá estava ele. De terno preto, o cabelo cacheado bagunçado pelo vento.
— Olá, minhas queridas — saudou ele, entrando na cozinha. — Como estão?
— Olá, senhor Paiva — disse Joana, ajeitando a panela que cozinhava carne para os gêmeos.
— Quantas vezes vou ter que falar para me chamar somente de Romeu? — repreendeu de brincadeira a morena, que riu.
— É difícil me acostumar, sen-
Romeu a olhou feio, uma careta birrenta em sua expressão. No entanto, ele riu logo em seguida, apertando o ombro da morena. Bernardo deu um gritinho, fazendo com que os três rissem.
— Viu? Ele concorda — o Paiva gesticulou com a mão e em segundos, andou até a loira e pegou o filho no colo. — Diz pra ela, filho.
— O almoço ficará pronto em questão de minutos, Romeu — disse Joana, forçando-se a falar somente o nome do seu chefe.
— Que ótimo! — ele agradeceu. — Assim podemos comer todos nós juntos. Nem pense nisso, Carolina. Hoje você vai almoçar aqui.
A loira não teve como argumentar, mas não demoraria para sair, já que tinha que estar na editora uma e meia. Nem se ela quisesse muito ficar.
Seu chefe não era louco de lhe dar folga só porque cuidava de seus filhos. Por mais legal que ele fosse. Nenhum faria, na verdade.
— Sim, senhor.
Só depois que falou foi que reparou que tinha dito senhor e ela levantou os olhos para o rosto do Romeu, vendo a mesma careta que ele fez para Joana. Ela riu, pedindo desculpas logo em seguida.
— Depois posso te dar uma carona até a editora, preciso passar lá para pegar uns documentos que esqueci.
— Não precisa, posso ir de metrô — disse a loira, tentando argumentar. — É bem rápido.
Ela não queria que ele saísse do conforto de sua casa para apenas levá-la ao trabalho. Podia muito bem ir sozinha de metrô, não lhe custava nada — além da passagem. Carolina negou com a cabeça enquanto Romeu dizia que sim, precisava.
— É sério, Romeu — disse ela, com uma seriedade nunca vista pelo seu chefe. — Não precisa se deslocar só por caus-
— Eu preciso buscar uma documentação que esqueci em cima da minha mesa — disse ele, com um sorriso no rosto. Ele nunca ficava sério? Era quase irritante saber que ele estava de bom humor o tempo todo. — Preciso revisar e mandar hoje mesmo para o cliente, então não vou me deslocar só para levar você.
Carolina ficou quieta. Não tinha mais como argumentar com ele. Tudo o que ela menos queria era estar em carro pelo o que? Quinze minutos? Talvez fosse menos. Aquele homem a intimidava quando menos se esperava, sem contar o quâo perfumado ele estava naquele dia.
Já não bastasse os pensamentos que vinha tendo nesses últimos dias, agora sabia bem como ele cheirava quando ia trabalhar. Ela nunca tinha chegado tão perto dele para saber tais coisas. Ela jamais admitiria, mas era tentador demais.
— Preciso dar banho neles antes de sairmos — murmurou resoluta. Já que não tinha escolha, precisava pelo menos terminar seu trabalho direito.
— Tudo bem — disse simplesmente, um sorriso aberto em seus lábios.
Como ele podia ser tão irritante assim? Carolina não sabia, mas entendia um pouquinho como Roberta se sentia às vezes.
Dentro do carro estava frio.
Por mais que soubesse que lá fora estava frio, apesar do sol quente, Carolina tinha esquecido sua blusa de frio em casa. Até então ela não tinha precisado, pois era difícil sentir frio. No entanto, com o ar condicionado do carro do seu chefe ligado, os pêlos em seus braços estavam eriçados.
Incomodada só de estar ali em sua presença, Carolina se obrigou a não falar nada. Não queria ser indelicada com a forma como ele dirigia seu próprio carro. Ela só precisava pensar em outras coisas. Em como tinha um livro para traduzir, tendo que agilizar alguns capítulos antes de que ficasse atrasada nas atualizações. Ou em como encontraria os amigos para comer mais tarde em uma lanchonete perto da casa do moreno, já que não teria aula — sua última conversa com o orientador do TCC tinha sido semana passada e ela já estava finalizando os pequenos e últimos detalhes e se veria livre por esse semestre. Faltavam apenas mais duas semanas de aula e estaria bem plena em casa com uma boa taça de vinho em mãos.
— Carolina? — A loira ouviu seu nome, assustando-se um pouco com o som da voz dele. — Ainda está nessa dimensão? — Ele riu.
Aquele maldito riso contagiante. Como era possível ela admirar até mesmo sua risada? Carolina estava inconformada.
— Desculpa, acho que viajei um pouco — admitiu ela, passando a mão no braço esquerdo e se ajeitando no banco do carro.
— Um pouco? Estou te chamando há três minutos — contou ele, ainda rindo.
Carolina ergueu os ombros, mesmo que ele não conseguisse ver por estar focado na estrada à sua frente. Afinal, o que ele queria? Não que fosse má vontade respondê-lo, ela apenas não via qualquer assunto entre eles que não fosse seus filhos e o trabalho que fazia na editora. Eles não eram amigos ou algo do tipo. Tinham uma relação extremamente profissional.
— Perguntei se você está bem?
— Estou, só estava pensando no que preciso fazer hoje no trabalho.
— Aquela tradução do mundo élfico? — ele perguntou, com uma sobrancelha arqueada. — As pessoas, principalmente as mulheres, têm um senso de fantasia enorme. Eu nunca conseguiria pensar em um mundo inteiramente novo.
— Não é difícil — argumentou a loira, erguendo os ombros. — É só pegar algumas referências e se basear nelas.
— Uau. — Ele parecia impressionado. — Você já fez um?
— Quando tinha uns quinze anos, talvez. Era só o que eu fazia, na verdade.
— Uau. — Agora sim ele parecia impressionado. — E por que nunca recebi um exemplar seu? Precisamos publicar suas histórias.
Carolina riu. Quando era mais nova, tinha sim um sonho de publicar suas histórias, mas era apenas isso: um sonho de adolescente. Ela ainda escrevia em seus momentos vagos? Claro que sim! No entanto, não era isso que mais queria no momento. Ser tradutora da Editora Foz era o seu sonho. Até lá, qualquer história podia esperar mais alguns meses.
— Quando eu era adolescente era o que eu mais queria, hoje em dia nem tanto.
— Mas porquê? Tenho certeza que suas histórias dariam um bom dinheiro.
Ela pensou nisso por um momento. Acreditava no que escrevia, tinha talento e sabia bem o que conquistava o público. Contudo, sentia que já tinha passado dessa fase. Estava mais interessada em ajudar quem quer publicar suas histórias. Era bem mais recompensador desse jeito.
— Quero ajudar quem ainda tem esse sonho.
Romeu ficou em silêncio, o que Carolina achou incomum. Ela não esperava uma conversa tão íntima como essa. Falar dos seus sonhos, tanto de agora quanto de adolescente, era novidade — ainda mais com ele.
— Acho que nunca contei para ninguém, mas quando eu comecei a trabalhar, escrevia todas as noites antes de dormir — admitiu ele e a loira mordeu o lábio inferior. — Era chegado no romance e como eu não tinha namorada nenhuma, vivia pelo que eu escrevia. — Carolina ouvia em silêncio, identificando-se com sua jornada. — Cheguei a publicar algumas em alguns sites internacionais. Mas foi só isso.
— Por que desistiu? — Foi a única coisa que conseguiu dizer. Ela sabia bem o porquê.
— A vida adulta chegou e o sonho morreu.
Carolina imaginou o que teria acontecido para que ele mudasse de ideia. No seu caso, apenas se apaixonou por outra área da escrita, a dos bastidores. Era lá que ela se sentia bem.
— Eduardo veio alguns meses depois disso e então...
Pereira arquejou. Ela nunca teria imaginado. Ela sabia que Romeu não era tão velho quanto ele dizia ser, mas nunca pensou que a responsabilidade de ser pai teria vindo tão cedo. Eduardo tinha mais ou menos sua idade, Carolina achava que ele era mais velho, no entanto, imaginar Romeu tão jovem com uma criança para cuidar era um tanto intimidador.
— Juliana foi expulsa de casa quando descobriu que estava grávida, vindo morar comigo. Eu precisava ganhar dinheiro mais rápido e com frequência. Publicar minhas histórias era bom, muito bom na verdade, mas eu precisava de mais..
Carolina entendeu que Juliana era a mãe do Eduardo e então, sua primeira esposa. Era uma história de vida trágica, a maioria das pessoas vivia isso. Contudo, saber que seu chefe tinha passado dificuldade quando mais novo a fez o olhar de forma diferente. Ela tinha uma imagem de homem intocável e ao saber sua história, por menor que fosse, o deixou mais forte em sua mente.
— Eu sinto muito — disse a loira, entrelaçando seus dedos no colo. Não tinha mais nada que ela pudesse dizer. E se tivesse, diria o quê? Que a vida é injusta? Porque ela era. Com todo mundo. Um menos que outros.
Romeu a olhou, aproveitou que o sinal estava fechado e sorriu. Não era um sorriso de felicidade como todos os outros que tinha visto. Era um com marcas do passado. Ela gostava mais desse. Era verdadeiro de formas que Carolina não saberia explicar. Ela iu certa tristeza naqueles olhos verdes e não gostou do que via.
— Não sinta, isso me amadureceu mais do que gostaria de admitir. Essa é a vida.
Pereira concordou em silêncio, voltando a sentir os braços gelados. E do nada, a mão direita do seu chefe mexeu no botão do ar-condicionado, aumentando o calor.
— Por que não me disse que estava com frio? — perguntou ele indignado. — Você ia congelar aí até chegarmos?
— Não achei que fosse necessário.
Romeu a olhou com repreensão nos olhos. Como se aquilo fosse um absurdo, o que talvez tenha sido.
— Não queria incomodar.
— Não é incomodo nenhum avisar que está congelando com esse ar frio.
O carro ficou em silêncio quando o sinal ficou verde e Romeu seguiu a via que levava diretamente para a editora. Carolina sentia que ele estava nervoso. Foi algo que ela disse? Fez? Ela não saberia dizer, mas sentiu o ar estranho entre eles.
Ela o tinha visto sério e não tinha gostado muito. Era como se a felicidade do mundo inteiro não existisse mais. E prometeu a si mesma que nunca mais o deixaria tão sério enquanto estivessem um ao lado do outro.