SIENA
— Veja como todos os olhares da festa estão em você, querida. Isso não é maravilhoso? — Hector murmura com um sorriso orgulhoso assim que atravessamos o luxuoso salão de festas. Pisco docemente, caminhando ao seu lado com toda elegância que meus passos me permitem.
Sou conduzida por sua mão espalmada na base da minha coluna para a direção de um grupo de senhores. Todos muito elegantes e, como Hector, magnatas da alta sociedade.
Reconheço um que, ao notar minha presença, desvia o olhar. Sua mandíbula se aperta mesmo ele tentando disfarçar, bebericando o seu champanhe.
Quando nos aproximamos o suficiente, Hector faz questão de apresentar-me para todos com um sorriso orgulhoso nos lábios. Confesso que sinto uma pontinha de culpa, ele me paga mais do que mereço e me trata como se fosse a p***a de uma rainha. Não era assim que todas nós, mulheres, merecemos ser tratadas? Como rainhas? Sim, todas, sem exceções. Mas eu sou a prova incontestável de que não é isso o que acontece sempre. Hector é um verdadeiro cavalheiro, um dentre milhões.
Quando meu cliente apresenta Anton, sou obrigada a engolir uma risada debochada por ter o seu olhar irritado em minha direção a cada minuto. E, mesmo que ninguém perceba, ele tornou o ar carregado e, se eu o conheço bem, não demorará muito para ele explodir e estragar tudo. Anton e bebida são uma combinação perigosa.
Peço licença a Hector e vou ao toalete. Cinco minutos depois, a porta é aberta e um clique ressoa no ambiente, e não preciso me virar para saber quem é. Sorrio, mordendo o lábio inferior quando, de súbito, sou prensada contra o mármore polido da pia.
— Eu não gosto do seu trabalho. Não gosto que todos olhem para você… — Mordisca o lóbulo da minha orelha e levanta o meu vestido até o quadril, me fazendo ofegar e sentir o leve toque dos seus dedos na minha b***a. — Não gosto daquele velho te tocando, p***a!
Coloca minha calcinha para o lado e escorrega um dedo dentro de mim.
Minhas pernas fraquejam com sua invasão e outro dedo é introduzido. Tento tocá-lo, mas ele obriga-me a espalmar as mãos sobre a bancada.
— Você adora ter toda a atenção, não é? — Aumenta a velocidade do seu toque, me fazendo gemer cada vez mais alto. — Todos aqueles velhos ricos babando por você — rosna, tocando um ponto que me faz derreter.
— É- é o meu trabalho… — sussurro em um fio de voz, transformando-me em uma bagunça em seus braços.
Anton é tão intenso e, quando está irritado, o sexo vira um ringue de luta. Ganha quem tem mais controle sobre o outro.
Minha vez de jogar!
Jogo meu corpo para trás e rebolo em sua ereção, soltando um suspiro suave.
— É, é o seu trabalho de merda! — responde com um rosnado profundo.
— Mas só eu posso lhe dar o que você precisa. Não se esqueça disso, Siena Leblanc — alerta e retira o seu toque, deixando-me frustrada e ofegante.
Anton afasta o meu cabelo para o lado e mergulha seus lábios no meu pescoço. Sua respiração é quente, assim como o meu corpo, que está prestes a entrar em erupção.
— Não se ache tanto, Anton. — Viro-me de frente para ele e abaixo o meu vestido.
— O quê? Vai me dizer que está incluindo sexo nos seus serviços prestados? — Sorri, agarrando uma mecha do meu cabelo e o puxando levemente em sua direção.
Umedeço meus lábios e o olho com atenção.
— Não. A regra ainda é a mesma. Mas isso não significa que eu não vá fazê-lo. — Seu sorriso desaparece e uma veia salta do seu pescoço. — Eu não sou paga para trepar, Anton. Mas, se eu desejar ser fodida por alguém, será por um homem de verdade, e tenho certeza de que ele não precisará pagar por isso.
Anton se aproxima com um olhar afiado e sua mão direita alcança o meu queixo. Seu toque não é violento, mas o seu olhar me faz lembrar algo que eu queria esquecer. O empurro novamente e me afasto, colocando uma boa distância entre nós.
— Certo. Eu realmente não me importo com o que você faz ou deixa de fazer, Siena Leblanc. — Faz uma breve pausa não escondendo o seu desgosto. — No fim, você é como as outras… se tornam letais quando tem atenção demais sobre si. — Ao proferir suas palavras carregadas de desprezo, sai pisando duro para fora.
Levo alguns minutos para me recompor, retornando para a festa. Sirvo-me com uma taça de champanhe assim que um garçom passa por mim.
Vejo Hector conversando com um casal e hesito alguns segundos antes de andar até eles. Em meio a outros convidados refinados, da minha visão periférica, percebo uma senhora de cabelo n***o e olhos acinzentados olhando em minha direção. Ela é elegante com seu longo vestido azul Royal e um coque lateral. Seus lábios finos pintados de vermelho se repuxam em um sorriso afiado e ela estende a taça em minha direção. Seus gestos são contidos e calculados, assim como sua altivez. Ela continua me olhando e posso jurar que vejo algo brilhar através dele. Não tenho tempo para descobrir o que é, pois alguém se aproxima dela e automaticamente desvio o meu olhar. Continuo andando em direção a Hector com um suspiro. Minha cabeça dando voltas, estou cansada de sorrir para desconhecidos e ser amável, por mais que eu veja certa repulsa nos olhares de algumas mulheres. Olho para baixo, observando o suave líquido dourado ondulando em minha taça. Se há algum consolo para tudo isso, é que amanhã minha conta terá alguns números extras, mesmo que não veja a hora de abandonar essa vida de luxo, solidão e status.