Capítulo – Confusão (Narrado por Fernanda) Subi pro quarto devagar, arrastando os pés como se cada degrau fosse um peso a mais no meu corpo. Assim que fechei a porta, girei a chave. Eu precisava de um espaço só meu, ainda que fosse dentro da casa dele, ainda que fosse por alguns minutos. Encostei as costas na porta, respirei fundo e deixei o choro vir. Não aquele choro contido que a gente esconde na frente dos outros. Mas um choro silencioso, doído, que escorre por dentro e parece nunca acabar. Meu peito subia e descia rápido, como se estivesse preso. Eu não sabia quanto tempo fiquei assim. Minutos, talvez meia hora. O relógio não importava. O quarto parecia girar, e o travesseiro encharcado era a única coisa que me lembrava que eu ainda estava ali, viva. Foi quando ouvi as batidas na

