CAPÍTULO — NARRADO POR TH (dia seguinte — na boca) A manhã nem tinha clareado direito e eu já tava na boca. No morro, o relógio é o movimento. Não importa se é segunda, sábado ou feriado. Se o rádio chamou, se o vigia avisou, se a carga chegou: o dia começa ali. Entrei na sala, fechei a porta e o barulho da correria lá fora se abafou um pouco. A mesa tava cheia — dinheiro separado por blocos, anotações, relatórios da madrugada, números do fluxo. Sentei, respirei fundo e comecei. Peguei a caneta, puxei uma folha nova. — Virado, mas é isso. — murmurei pra mim mesmo. Contar dinheiro nunca foi problema pra mim. O problema era tudo o resto: homem entrando no morro sem explicação, carga sumindo, mulher estranha rodando a comunidade e ainda aparecendo no salão da Aline e depois na ONG. Isso

