NARRADO POR FORMIGA Silêncio demais sempre significou a mesma coisa pra mim: perigo. E fazia dias que eu tava em silêncio. Sumido do morro, da boca, das quebradas. Sumido até dos meus próprios homens. Porque, quando eu desapareço, ninguém sabe se é porque eu fugi… ou porque eu tô preparando a queda de alguém. E dessa vez, a queda era grande. Fiquei sentado na cadeira de plástico, no barraco abandonado que eu tava usando de tocaia. A luz fraca do poste entrava pelo vão da janela quebrada, cortando o chão de terra batida. Meus pés batiam devagar, o pensamento longe, mas firme. Nada meu era sem propósito. Nada. — Ele voltou pra casa… — murmurei pra mim mesmo, passando a mão na barba por fazer. — Voltou vivinho, mesmo depois daquele tiro. Eu bem que achei que aquele moleque ia fechar o

