Capítulo — Voz de Th O relógio marcava quase três da manhã quando eu acendi o cigarro e fiquei olhando pro horizonte da cidade que não dorme. O vento frio batendo na cara, o silêncio cortado só pelo ronco dos carros lá embaixo. Era estranho… aquele tipo de calmaria que vem antes da tempestade. E eu sabia que, depois dessa noite, muita coisa podia mudar. A gente tava em São Paulo desde o começo da madrugada, alinhando as últimas paradas com o pessoal do Comando. O Nd tava ali do meu lado, calado. Desde que entramos no avião, ele ficou assim, introspectivo. Eu até entendo — a cabeça dele tava longe. Dava pra ver no olhar. Aline, né? O moleque se envolveu de verdade, e isso num mundo como o nosso é perigoso demais. Soltei a fumaça devagar, observando o traço branco subir no ar. O

