Capítulo 166

1669 Palavras

Uma semana inteira e parece que o tempo aqui dentro do peito só girou em volta daquele quarto. O Nd continua imóvel, ligado em fios e maquinário, respirador fazendo o trabalho que ele deveria estar fazendo sozinho. O bip do monitor virou um compasso que dita meu dia — acelera quando algo muda, acalma quando volta ao neutro. Mas nunca volta a ser normal. Nunca volta a ser o resto da vida que a gente imaginava quando era só “mais um corre”. Eu me divido entre duas vidas que pertencem a uma mesma guerra: o morro e o hospital. De manhã eu sou chefe, tomo decisões, despacho homem, fecho fatura, checo cada ponto; de tarde e madrugada eu sou irmão, cuida, vigia, respiro o mesmo ar que o Nd respira naquela maca. Não existe descanso verdadeiro. Tem só pequeno intervalo entre o que eu deixo pra tr

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