CAPÍTULO — NARRADO POR FORMIGA Tô sumido faz tempo. Mais do que eu queria, menos do que eu precisava. Me escondo onde dá, onde ninguém olha duas vezes, onde só o silêncio sabe meu nome e ainda assim prefere não repetir. Aqui onde tô agora — uma casa velha, mofada, no fim do beco de um conjunto abandonado — só entra quem eu deixo. E, ultimamente, eu não tô deixando ninguém. Faz calor. Um calor sufocante que parece mão no meu pescoço. Mas eu prefiro assim. Calor pesa, calor aperta, e eu preciso disso pra lembrar que ainda tô vivo. Entre a parede descascada e o colchão fino jogado no chão, eu fico passando a mão na arma igual quem acaricia um cachorro bravo. É minha segurança. Minha companhia. Minha fé. Eu sei que eles tão me procurando. Th principalmente. Ele tem aquele olhar de quem nã

