CAPÍTULO — NARRADO POR TH A Fernanda ainda tava encostada em mim quando o rádio vibrou no meu bolso. Nem tocou — vibrou daquele jeito contínuo que só acontece quando é coisa séria. Eu fechei os olhos por meio segundo, já sentindo a mudança de clima dentro de mim. Meu corpo inteiro saiu do estado leve pra aquele modo alerta que só quem vive essa vida entende. Fernanda, que tava rindo comigo segundos antes, parou. Ela percebe tudo. — Problema? — ela perguntou, baixinho. Eu não respondi. Peguei o rádio, apertei o botão. — Fala. A voz do Nd veio cortada, ofegante, tensa: “Th… desce. Agora.” Uma pausa curta, pesada. “É do pesado, mano. O bagulho estourou na boca.” Fernanda endireitou o corpo na hora, os olhos arregalados. Eu subi o volume um pouco, mas não muito — não queria ela

