NARRADO POR ALINE Logo que a porta se fechou atrás do Nd, a casa ficou silenciosa de um jeito diferente. Não era silêncio de vazio, nem de preocupação desesperada, mas aquele silêncio que fica quando alguém que você ama finalmente começa a retomar o próprio mundo. Eu fiquei parada olhando a porta por alguns segundos, sentindo um misto de orgulho e ansiedade. Era o primeiro dia em muito tempo que ele saía sozinho, andando com firmeza, respirando fundo, querendo ver a rua… e eu deixei. Meu coração ficou ali, pendurado no batente, mas deixei. Fui até a cozinha pegar um copo d’água, ainda com a cabeça cheia de pensamentos. Antes mesmo de beber, a campainha tocou. Eu já sabia quem era. Abri a porta e Fernanda entrou com um sorriso meio cansado, meio ansioso. — Oi, Aline. — Oi, minha flor.

