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2611 Palavras
6 A noite havia caído e o frio havia voltado para a casa onde elas estavam. Algumas das meninas começavam a se arrumar para dormir por que o dia havia sido cansativo para todas. Melissa olhava a chuva cair do lado de fora enrolada em um edredom e bem que Ariana tentou lhe fazer companhia, mas a mesma disse que precisava ficar sozinha. Sofia olhava para a silhueta de Melissa por trás do vidro que separava seus corpos, Karen havia deixado a garota para pensar por que segundo Sofia, K estava parecendo um cão de guarda e às vezes, até mesmo proteger alguém cansa. Gabriel estava todo sorridente ao lado de Ashley por que ela havia aceitado o pedido dele. Eles dariam um jeito de fazer seu namoro dar certo, embora ele morasse no Canadá e ela em qualquer lugar do mundo, para o amor não há limites principalmente quando ambos querem estar juntos. Morgan caminhou até Sofia e sorriu quando a mesma levou um pequeno susto ao notar a presença dela ali. - Você deveria ir falar com ela. - Incentivou a mais velha. - E irei falar o quê? - Sofia olhou para Morgan. - "Olá, Melissa... queria dizer que antes de chegar aqui eu tinha planos para fazer você ser minha novamente, porém quando coloquei meus pés ali do lado de fora e vi outra mulher beijando seus lábios decidi mudar de ideia." - Sofia fingiu uma animação que não havia e só fez com que Morgan gargalhasse. - Você sabe que era uma coisa parecida com essa que iria dizer. - Eu quase entreguei meu coração para que ela o machucasse novamente! - Sofia pensou. - O que mudou, realmente? – a arquiteta pareceu interessada. - Tudo, Morg... Mudou tudo! – Sofia revirou os olhos. - Melissa era tão cheia de vida e agora ela parece apenas um corpo. Imagino que esteja sobrecarregada e toda essa tensão gerada por nós duas só faz com que as coisas piorem para ela. Ela disse que ainda me ama, mas eu não posso acreditar em palavras... Ela fez isso por muito tempo quando estávamos juntas e quando eu pensei que tudo estava bem, ela havia viajado sem me dizer o paradeiro, mudou os números de telefones e excluiu todas as redes sociais, ela me bloqueou!!! Eu sabia que ela continuava me acompanhando pelo aplicativo de leitura, mas eu não podia me expressar da forma que queria por que seria pessoal demais e milhares de pessoas acabariam sabendo sobre minha vida. Então, tudo muda quando ela joga esse tipo de informação na minha cara depois de anos e quer que eu acredite sorrindo e com os braços abertos? Eu não sou mais aquela pessoa, eu não vou correr pra ela sempre que sentir saudades, eu não vou mandar mensagens carinhosas dizendo que sinto a falta dela ou de bom dia. Eu não sou mais a garota que escreve textos comemorativos só pra mostrar pra ela o quanto eu à amo, Morgan. Você esteve lá pra mim durante todo aquele tempo sombrio, eu não quero aquilo novamente pra mim. - Você quer atitudes, então? - Sofia concordou. - Quero que ela deixe o passado para trás e aprenda a seguir em frente por que eu fiz o mesmo. Quero que ela tente me conquistar e se conseguir, me prove que ficará todos os dias do meu lado, não só quando os dias bons vieram... Quero-a até mesmo nos dias ruins. — Morgan compreendia absolutamente tudo o que a outra queria dizer. Ela entendia sobre o que Sofia estava falando, mas sabia que continuar apertando na mesma tecla não resolveria nada então, Sofia também teria que dar o braço a torcer. - Vá lá com ela. - Sofia olhou assustada para Morgan. - O QUÊ? - Falou um pouco mais alto. - Vá lá com ela, eu sei que é isso o que você quer. Você precisa começar a ser receptiva também... Não te criei m*l educada desse jeito. Sofia revirou os olhos mais uma vez enquanto as duas riam. Por fim, ela acabou fazendo o que Morgan havia pedido. Abriu a porta de vidro e sentiu o vento frio atingir seu corpo. Seu moletom não foi capaz de combater o frio e acabou tremendo, Melissa notou isso e suspirou quando olhou para a blusa fina que ela vestia, os m*****s de Sofia ficaram rígidos por causa do frio. - Você não deveria está usando isso para vir aqui fora. - Abriu o edredom que enrolava seu corpo para que Sofia se acomodasse em seu abraço, foi logo o que a garota fez. - Vai cair uma tempestade daquelas. - Eu gosto de tempestades. - Sofia estava com o nariz praticamente no pescoço de Melissa. Mickeize sentiu um arrepio pelo corpo. - Não sabia que Nova Orleans poderia ser tão fria a esse ponto. - Sofia comentou. - É inverno, o tempo é bem intenso. - Explicou Melissa e Sofia concordou. - Você não costuma vir com frequência na cidade, não é? - Não, meu trabalho em NY requer bastante do meu tempo e as folgas que tenho, costumo visitar as clínicas. - Não se torna cansativo? - Melissa gostava de ouvir Sofia falar. - Sim, mas é o que eu amo fazer, então vale totalmente o esforço. - Você tem planos pra mudar pra Miami? - Sofia ficou confusa com aquela pergunta inusitada. - Futuramente. - Atualmente? Eu não sei, mas quem sabe eu não tenha um motivo... Futuramente? Melissa sorriu ao encarar Sofia. Aquele era o primeiro sorriso que ambas davam com sinceridade para elas mesmas. Melissa mordeu seus lábios quando Sofia demonstrou interesse neles, Melissa até se aproximou quando Sofia deu o pedido de stop. - Pare! — Melissa olhou para ela, a pupila dilatada. - Você não quer? - Elas falavam baixinho. - Quero, mas esse não é o momento. - Sofia só podia estar louca. - Quando será o momento, Sofi? - Melissa puxou o ar para seus pulmões. - Quando você me convencer de que não irá me abandonar novamente. - Foi tudo o que Sofia disse fazendo Melissa concordar com a cabeça e puxa-la para mais perto do seu corpo. O edredom quentinho aquecia seus corpos da mesma forma que seus corações aqueciam suas almas, as coisas finalmente pareciam estar começando a dar certo e elas torciam para que continuasse daquela forma. Melissa Mickeize Fazia algum tempo desde que eu tinha tido algum tipo de envolvimento daquele jeito com alguém. Eu não conseguia me lembrar de se algum dia, alguma pessoa já havia feito eu me sentir daquela forma: Livre e sem preocupações. Eu me sentia uma garota de 20 anos que se apaixonou por uma de 19 novamente. Por mais louco que seja, foi a coisa mais incrível que um maldito aplicativo foi capaz de fazer. Naquela época, se me perguntassem o quê eu faria se acabasse me apaixonando perdidamente por uma das minhas autoras favoritas, eu diria que isso não iria acontecer, nem nos meus melhores sonhos. Só que amar Sofia foi a coisa mais simples que eu soube fazer. Difícil mesmo foi tentar esquece-la. Tanto é que estamos aqui alguns anos depois de nosso término. Amar Sofia foi inevitável mesmo ela sendo o tipo de pessoa por quem você jamais deve se apaixonar. Ela te leva para museus, parques de diversões, monumentos e então ela te beija em todos esses lugares bonitos e... Faz com que você se sinta especial. Apenas para que você nunca volte neles só para não ter que sentir o gosto r**m do sangue dela em sua boca, não ter que sentir sua falta. Ela é capaz de te destruir das mais belas formas possíveis, se é que isso é possível, só pra então te deixar... E ela nem à nota que está fazendo isso! Com essas ações, Sofia finalmente me fez entender por que tempestades recebem nome de gente. O mais assustador disso tudo, é que eu me apaixonei pelas palavras, eu me apaixonei pelos versos entre as linhas de cada história que ela contava, que eu amava ler, sem ao menos ver seu rosto. Eu não tinha noção da quão bela ela era até que em um grupo, tive a honra de conhecê-la. Bastou que trocássemos uma frase pra eu entender que eu precisava de alguém como ela na minha vida. Sofia foi à garota mais difícil por quem me apaixonei a conquistar. Eu tinha medo até de trocar um simples bom dia por receio que ela não me achasse interessante o suficiente. Eu odiava pensar que era um incômodo pra ela, quando ela demonstrava estar ocupada demais sorrindo para qualquer coisa, eu queria que seus sorrisos fossem meus! Que eles fossem só pra mim. Ter ela comigo, foi difícil de lidar com várias personalidades diferentes dentro de uma mesma pessoa por que eu nunca sabia explicar em que ânimo ela acordaria. Um dia queria meu colo, dizia que me amava e se dependesse dela, ficaria grudada o dia todo em mim. No outro ela queria gritar com todo mundo, palavrões para o primeiro que surgissem e se deixasse, ela até mesmo me socaria. Eu tinha medo, eu sempre tive medo. Porém, sempre no dia seguinte ela aparecia pedindo desculpas constrangidas pelas ameaças sem fundamentos. Eu sorria, mas sentia um grande peso ser tirado das minhas costas. Havia dias, em que ela apenas sumia. Tudo que eu recebia era uma mensagem de "Bom dia, meu amor" e mais nada. Eu sabia que ela me deixaria cheia de cabelos brancos antes dos 25 anos. Mesmo assim, eu ainda queria que ela fosse a mãe dos meus filhos. E naquela época, nem família eu queria. Nosso primeiro encontro foi tão espontâneo que pareceu que sempre nos víamos com frequência, ela provou que era mais alta que eu e eu provei pra ela que na cama, quem sempre ficava por cima era eu. Sofia me enlouquecia de tantas formas que eu não sabia como agir. Então eu entendi que amava uma mulher completa, ideal e eu estava totalmente realizada. Por mais que eu evitasse assumir em voz alta, eu adorava quando ela me acordava com a cabeça entre minhas pernas e minhas mãos sobre seus cabelos, mas adorava principalmente os gemidos roucos e baixinhos que ela soltava apenas pra mim. Mais uma vez, ela me provava que era educada até gemendo. Ela nunca perdia a paciência. Nem quando eu tinha minhas crises de ciúmes ou quando tentava agir de forma possessiva com ela, ela nunca precisou elevar a voz para que eu entendesse que estava errada ao agir daquela forma com ela. Ela só precisava me encarar e eu já entendia que minhas ações estavam a ferido e rapidamente um pedido de desculpas sincero escapulia entre meus lábios. Então ela sorria e eu sabia que estava tudo bem. Eu sempre era a i****a da história. E por ser i****a, eu parti. Partir como um soldado covarde que foge da luta, com o r**o entre as pernas e de cabeça baixa. Parti sem ao menos dar uma explicação para ela do por que. Eu simplesmente fingi que não me importava, ignorando qualquer coisa que lembrasse ela por que eu não poderia atrapalhar a longa jornada que ela trilhava há um pouco mais de dois anos. Um dos seus maiores sonhos era ser médica, depois é claro de ser cantora, mas Sofia me confessou uma vez que mesmo sabendo cantar, morria de medo da plateia. E eu não podia ficar no meio disso. Ter um namoro à distância requer sacrifícios, requer esforços, requer tempo e principalmente o querer. Nós queríamos, mas apenas ela se importava. Esse foi mais um dos meus erros. Por que eu nunca soube lidar com as saudades. Sofia era sensível e eu sempre a durona que nunca chorava e que estava sempre de cabeça erguida, mas minhas estruturas caíram quando ela me contou sobre o câncer. Eu senti meu corpo paralisar, a respiração ficou presa no meu peito e eu perdi a noção de absolutamente tudo. Eu não soube como agir. Mas uma vez, eu fugi como uma covarde com medo de enfrentar meus próprios demônios. Eu sabia que ela precisava de um porto seguro, eu sabia que ela precisava de alguém, mas eu não poderia ser essa pessoa. Quando eu disse isso, vi que algo nela se apagou e parece que toda a força que ela tinha foi sumindo aos poucos. Eu vi uma parte dela morrer diante dos meus olhos, eu matei um pedaço dela e esse foi mais um dos motivos para que eu me afastasse. Eu não poderia conviver com aquilo. Talvez seja por isso que a melhor amiga dela me odeie. Eu soube por outras bocas que ela estava se tratando, que estava tentando demonstrar que estava bem e feliz, mas eu também soube que ela ainda chorava toda noite. Mesmo sabendo que ela não temia a morte, eu tinha uma noção que ela pensava sobre isso sempre que estava sozinha. Por altos também descobri que ela havia parado de ir à psicóloga, que havia começado a fazer alguns exercícios que de provavelmente, iria se operar. Já fazia algum tempo em que eu não falava com ela, por que eu não tinha coragem de assumir pra mim mesma que eu era covarde. Eu ainda me lembro que foi em uma quarta feita qualquer que eu mandei mensagem. Esperei os piores palavrões e ofensas que jamais teria ouvido, mas ela foi tão gentil e educada quando me respondeu que acabei me perguntando como alguém como ela existia nesse mundo. Qual é???? Como alguém como ela não conseguiria sentir raiva ao menos um pouquinho? A resposta sempre foi óbvia, ela me amava demais para que tivesse qualquer sentimento r**m em relação à minha pessoa. Até então que eu descobri que sim, ela conseguiria sentir raiva, ódio e mágoa... Tudo isso, dois meses depois em que voltamos a namorar e eu descobrir que ela estava bem e... Diferente. Ela parecia mais segura de suas ações, me provocava mais e não parecia o bichinho enjaulado que não gostava de contato que eu havia conhecido no início de tudo. Ela estava madura, uma mulher completa. Eu sabia que não estava no mesmo nível que ela por que mesmo que não mostrasse, eu estava quebrada. E por estar assim, eu não podia ficar perto de alguém tão genuíno ao ponto de me sentir incomodada até com seus sorrisos. Talvez eu tivesse depositado expectativas demais sobre ela, talvez eu quisesse pensar dessa forma. De repente, nós duas éramos desconhecidas. Um detalhe sobre ela? Ela era ótima perdoando, mas péssima em esquecer. Agora um defeito sobre ela: Sofia, às vezes era rancorosa. Principalmente com aqueles que a feriam, eu entrei na sua lista n***a quando fugi mais uma vez por não saber lidar com todas as dificuldades que nos cercava. Foi aí que minha ficha caiu, foi onde eu percebi que havia cometido o maior erro da história e que voltar atrás não iria adiantar de nada, por que dessa vez... Quem não me queria em sua vida, era ela. Ao menos essa m***a toda serviu para alguma coisa. Havíamos nos tornado adultas, com outros pensamentos e com novos objetivos. Havíamos construído todos os nossos sonhos e fazíamos deles nossas maiores conquistas. Éramos diferentes, mas o amor que eu sentia por ela ainda era o mesmo. Eu nunca fui religiosa, nunca fui de ajoelhar e agradecer... Mas eu só peço de todo o coração para o cara lá de cima olhar por mim, por que eu precisava ter essa mulher novamente. Eu precisava fazer com que ela, me aceitasse de volta.
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