Eu senti meu coração parar de bater e vir parar na minha boca. Eu quis chorar, eu quis gritar ou fazer qualquer coisa para que essa dor saísse de dentro de mim, mas, eu não consegui, eu só aceitei que essa vez não seria a última vez que alguém me mataria sentimentalmente e me deixaria respirando.
A sensação é h******l e eu? Bom, eu ainda não sei o que fazer.
- Ok, estou surpreso que você esteja me ligando. - Foi o que ele disse. - Diga de uma vez o quê quer sem enrolações! – Melissa suspirou.
Ela sabia que provavelmente não seria uma boa ideia ligar para o Gabriel, mas ela tentou ligar diversas vezes para Karen e a secretaria dela dizia apenas que a mesma estava em reunião. Ashley foi outra para quem Melissa havia tentado ligar, queria treinar mais uma vez a surpresa que haviam preparado juntas, mas parecia que as coisas estavam contra ela naquele instante.
- Você precisa me ajudar! – ela sabia que ele havia revirado os olhos do outro lado da linha. Aquilo para ele já era óbvio desde que ele viu o nome de Melissa no seu identificador de chamadas.
- Pois diga...
- Pode me dizer qual o filme favorito de Sofia? - Melissa parecia nervosa.
- Qualquer um que tenha super-heróis. - Foi o que ele disse. Foi a vez dela revirar os olhos.
- Eu sei, mas há milhares do tipo... Eu preciso de um específico por que quero fazer algo especial pra ela e... – Melissa parou por um momento. - Eu quero pedi-la em namoro!
- Ainda bem, achei que demorou! – houve alguns barulhos.
- Como assim? - Ela perguntou. - Você já sabia que eu estava aqui?
- Sim.
- Como? - Gabriel bufou.
- Mel, você já foi mais inteligente. Vocês sumiram do grupo no Wpp e Luna enviou fotos de vocês duas para Karen que fez questão de mostrar para todo mundo ver. Fotos essas que estão no iG de Sofi, então meio que todo mundo acha que vocês estão tendo algo. - Ele explicou de uma vez. - Achei que já estivessem planejando o casamento e você me diz que ainda tá pensando no pedido de namoro?
Ele debochou.
Era certo que seus santos não batiam, mas eles não podiam negar que eram anos suportando a presença do outro que acabaram acostumando e aquela estranha amizade surgiu daquela forma. Embora em determinadas situações ambos fossem grossos, parecia funcionar daquele jeito já que ambos tinham um amor em comum; Sofia.
- Estou nervosa! - Assumiu Melissa.
Embora Gabriel tenha estranhado ela dizer aquilo para ele, não queria deixar a situação mais estranha que o necessário. Mas se sentiu um pouquinho estranho por tentar ajudar. Afinal, ele e Melissa eram próximos no início de tudo.
- Coloque um clássico! - Ele disse focando no que parecia realmente importante. - Coloque o filme do Superman e prepare algo leve para ela comer, você não precisa sair com ela para restaurantes por que isso é comum demais. Arrume a sala da casa dela com um colchão e vários travesseiros, alguns edredons e dê atenção o tempo todo para ela. Mesmo que ela diga que se sente cansada, você é boa com massagens então faça bom uso dessas mãos!
- Eu tinha planos de levar ela em um restaurante que ela gostasse! - Melissa suspirou.
- Faça diferente, você não sabe quantas vezes eu a ouvi reclamar das pessoas que a levaram em lugares assim só pra tentar agradar e não notou que ela se sente feliz com tão pouco. - Esclareceu. - Faça minha amiga gozar, Mel. Eu sei que você pode lidar com isso!
- Você pareceu p********o! – ele gargalhou do outro lado.
- É bom ver que você está de volta. - Ele disse. - Também estou orgulhoso de você!
- Obrigada. - ficaram em silêncio. - Por tudo.
- Apenas a faça feliz e estaremos quites. - Ele não se despediu ao desligar a chamada. Não havia mais nada ao que ser dito e Melissa suspirou ao encarar a sala de estar da casa de Sofia.
Ela esperava de todo o coração que nem Sofia ou a tal de Hells não se importasse com a bagunça que iria ficar por ali.
Faltavam poucas horas para Sofia estar de volta em casa e Melissa sabia que ela chegaria e se jogaria no primeiro lugar que colocasse seus olhos. Por isso fez questão de ir até o quarto de Karen e pegar o colchão da mesma e empurrar de volta para a sala onde ela já havia separado um espaço na frente da grande televisão. Foi até o closet de Sofia e como já havia reparado que a mesma tinha um compartimento com vários travesseiros pegou o máximo que seus braços finos poderiam suportar e voltou para a sala os deixando sobre o sofá, indo mais uma vez de volta ao closet só que atrás de cobertas. Melissa já começava a suar mesmo com o frio do lado de fora.
Depois que tudo estava pronto, olhou em seu celular e viu que sim, Sofia estava quase chegando e nem banho Melissa havia tomado. Correu mais uma vez em direção ao banheiro e tomou um banho que julgou ser o mais rápido da história dos banhos tomados, vestiu uma calça moletom e uma enorme blusa de frio sem nada por baixo. Foi com calma até a cozinha e começou a preparar sanduíches de alface com peito de peru, tanto ela quanto Sofia eram alérgicas à pasta de amendoim então seria complicado de usar o ingrediente. Preparou também um suco de maracujá e quando estava lavando a louça suja, ouviu a porta ser destrancada.
Seu coração parou de bater por alguns segundos e bastou que alguém a abraçasse por trás para que seu corpo ganhasse vida novamente.
- Eu senti sua falta. - Sofia disse beijando na nuca de Melissa que sorriu. Fazia dois dias desde o evento que Melissa havia participado e as coisas só haviam melhorado desde então.
- Eu pensei em você o tempo todo. - Melissa se virou para encarar Sofia. - Eu também senti sua falta!
Elas se beijaram.
Não aqueles beijos que apenas são encostando os lábios. Foi um beijo daqueles de reencontro, sabe? Que tem saudades, que tem carinho, afeto e que tem amor. Foi um beijo daqueles que tira o fôlego até mesmo de quem ver de fora ou tenta descrever ele. Foi o tipo de beijo que todo mundo deveria dar um dia.
- O que você está fazendo? - Sofia perguntou quando seus lábios soltou os de Melissa. Ela estava tentando fazer sua mente voltar ao normal.
- Nosso jantar. - Explicou a americana. - Sei que você não come coisas pesadas e estaria cansada demais pra sair e ir comer algo, então fiz questão de preparar eu mesma algo pra gente. - Respondeu sorrindo amarelo.
- Você é uma fofa! - Beijou a bochecha e puxou Melissa para irem para o quarto.
- Eu estou esquecendo alguma data? - Sofia perguntou de repente enquanto elas passavam pela sala e tudo parecia incrível pra ela.
Melissa riu.
Todos sabiam que Sofia era a pessoa mais esquecida e totalmente perdida no tempo.
- Não. – deu ombros.
- Certeza? Por que eu me sinto como se estivesse esquecendo algo nesse momento com tanto chamego que estou recebendo. - Ela riu.
Melissa revirou os olhos.
- Enquanto eu estiver aqui, irei sempre te lembrar o quanto eu amo você.
Elas pararam no corredor do apartamento.
Na verdade quem parou foi Sofia e como Melissa estava quase sendo arrastada por ela, seu corpo acabaram se chocando na costa da latina e ambas parando com o pequeno baque. Sim, elas sabiam que o sentimento estava ali e o que ele significava. Porém, nenhuma delas havia dito com todas as letras como naquele instante. Melissa engoliu em seco e quis socar sua cara por não ter segurado suas palavras.
- Você irá me deixar m*l acostumada. – Sofia disse nervosa voltando a andar em direção ao seu quarto. - Você já banhou? – Perguntou se virando para Melissa que parecia vermelha.
- Já, tem alguns minutos. - Ela explicou acanhada.
Sofia queria dizer para ela não se sentir daquela forma, mas ela sabia que se mencionasse tornaria tudo pior.
- Eu tinha planos pra um banho junto à você. - Sofia disse flertando ao começar a remover suas roupas para Melissa.
A b******a sabia que Sofia flertava até com um poste sem perceber, mas isso não queria dizer que Melissa lidaria com aquilo com uma enorme facilidade. Logo, Melissa se desesperou quando Sofia tirou a blusa branca mostrando o sutiã preto rendado que ela usava.
Melissa engoliu em seco.
Sofia começou a abrir os botões da calça jeans que usava e quando Melissa percebeu que a calcinha era toda feita por renda quando começou a sair do quarto nas pressas. Ela não cairia na tentação chamada Sofia Gonzáles. Sofia, por sua vez acabou gargalhando ao ver o desespero que a outra saiu dali.
- Você pode correr, mas não vai ser por muito tempo. - Sofia disse para si mesma enquanto caminhava para o banheiro.
- Eu tô muito fodida com essa mulher. – Melissa se jogou no sofá e ligou a TV procurando o filme que Gabriel havia indicado na Netflix.
Quando o achou, foi na cozinha e trouxe as coisas que elas iriam comer até a sala colocando sobre a mesa de centro que agora estava do lado do sofá e esperou.
Sofia não demorou muito a voltar e quando voltou usava um blusão enorme do Batman e com as pernas bronzeadas de fora, Melissa sentiu uma fisgada entre as pernas e olhou para a TV. Óbvio que Sofia estava com uma calcinha por baixo, mas Melissa queria muito olhar para ter certeza.
- O que iremos assistir? - Sofia perguntou se sentando no colo de Melissa.
- O homem de aço. - Melissa respondeu encarando Sofia.
- É o meu filme favorito! - Comemorou Sofia e causando um sorriso involuntário em Melissa.
- Eu sei, e eu preparei uma coisa pra gente e queria que você.. Ouvisse com atenção, por que eu não tenho o costume de fazer isso, então... Por favor, só entenda a letra e não ligue para a minha voz, após isso nós vamos comer enquanto tá no início e a gente pode ir apreciando mais o filme... - Melissa mostrou o lugar onde estavam a comida e se virou para pegar a mesma.
Sofia notou que Melissa não usava sutiã e viu a silhueta dos s***s e acabou pensando um pouco alto:
- Eu sei muito bem a coisa que eu vou apreciar aqui. - Melissa havia escutado óbvio que ela havia escutado e segurou o riso que queria se formar em sua boca. Sofia havia acordado aquele dia impossível!
Melissa respirou profundamente e puxou um ukulele de baixo das cobertas e isso acabou deixando Sofi surpresa, onde aquela coisa estava que ela não havia notado antes?
— Eu achei que você não tocasse mais... — Comentou, estranhando o nervosismo que a mulher loira a sua frente apresentou.
— E eu não toco. — Encarou. — Bom, eu estava com essa melodia na cabeça a um tempo... Quer dizer, houve um sonho com você há alguns meses atrás, e eu não sabia o que fazer então escrevi como esse sonho era... Estávamos em um quarto branco onde eu te acordava com o café da manhã na cama e bom, o meu coração que antes parecia apenas um órgão pareceu bater mais forte que um motor e isso... Me deixou muito assustada, pois fazia anos que eu tentava não pensar em você, Sofi. — Os dedos ágeis de Melissa começaram uma suave melodia e Sofi esqueceu totalmente as palavras. — Certa vez Ash foi fazer um show em Miami, eu fui visitá-la e eu mostrei para ela a letra, ela me ajudou com as notas que faltavam e a harmonia, bom não é a toa que ela é uma excelente compositora. — Ambas riram. — O que eu quero dizer, Sofi... É que se eu não estiver com você, nada faz sentido. Então quero que tome essa canção como uma das inúmeras provas do meu amor por você!
A harmonia se deu início enquanto Melissa assoviava tranquilamente e tentava não chorar de emoção.
You don't need a millions reasons
(Você não precisa de um milhão de motivos)
To smile without a reason
(Para sorrir sem motivo)
I've got one, will you stay?
(Eu tenho um, você vai ficar?)
Seu corpo balançava tranquilamente de um lado para o outro, acompanhando a melodia e Sofi acabou sorrindo sem perceber ao observar o quão tímida Melissa parecia naquele instante.
And it's always the perfect season
(E é sempre a ocasião perfeita)
To never stop believing
(Para nunca deixar de acreditar)
Love works in mysterious ways
(O amor trabalha de maneiras misteriosas)
— Eu posso filmar? — Sussurrou Sofi apontando para o celular, a feição assustada de Melissa acabou causando uma risada dele, mas apenas concordou e Sofia prontamente puxou o celular e gravou.
Elas sabiam que Sofi ouviria aquela música infinitamente até que decorasse a canção.
Melissa tocava olhando bem nos olhos de Sofia, ela precisava passar tudo o que sentia com aquela letra, ela precisava deixar claro que não existia a possibilidade de viver longe de Sofia, que dessa vez ela não iria embora e que sempre estaria ali para ela.
Sempre.
It's raining in the desert, I heard it on the news
(Está chovendo no deserto, eu ouvi no noticiário)
The Sun won't even shine no more
(O Sol não brilhará mais)
Since I'm not there with you
(Se eu não estiver lá com você)
I'll pick you up with flowers, roses red or blue
(Vou buscá-la com flores, rosas vermelhas ou azuis)
A mattress and a table just for two
(Um colchão e uma mesa só para dois)
Sofia acabou deixando algumas lágrimas cair por seu rosto que nem ao menos percebeu, seu coração estava tão disparado dentro do peito que sua maior vontade era de pular nos braços de Melissa e ama-lá como sempre deveria ter feito.
Não existia motivos para elas ficarem longes quando havia um enorme sentimento que sempre as manteriam unidas.
não é?
A table just for two, it's only me and you
(Uma mesa só para dois, somos só eu e você)
I'll stay here forever, I promise that is true
(Eu vou ficar aqui pra sempre, juro que é verdade)
A table just for two, it's only me and you
(Uma mesa só para dois, somos só eu e você)
I can make you breakfast and you could be my muse
(Posso fazer seu café da manhã e você pode ser minha musa)
O amor age sem pretensão, sem cobranças, sem explicação. Quando você menos percebe, você olha intensamente para um desconhecido na rua, na festa ou até mesmo uma foto de perfil da rede social. Há algo que te desperta a curiosidade, que te instiga a buscar informações, que te faz investigar, correr atrás... Você não entende o que se passa, até que você tenha informações o suficiente sobre aquela pessoa.
O amor é sutil.
Você não sabe quando ele surge e nem o porquê, quando menos percebe alguém que você deveria tratar como ficante é a mesma pessoa que você planeja apresentar para a família em um almoço de domingo.
Just four walls without your laughter
(São só quatro paredes sem sua risada)
A book with empty chapters
(Um livro com capítulos vazios)
A dock without a bay
(Uma doca sem baía)
Enquanto Melissa cantava para Sofia sobre o quão vazia sua vida era sem a presença da outra, Sofi percebeu que foram muitos anos apenas existindo... Sobrevivendo.
Por mais que tenha tido tudo o que lutou para conseguir, de nada valia se não tinha o amor que ela precisava. Foram anos engolindo seus desejos, seus vazios e as angústias. Foi anos de sua vida que precisou se erguer e aprender a ser só, que precisou trabalhar em sua auto estima para aprender a lidar com o amor do outro e quando menos percebeu o amor que sempre lhe pertenceu sempre esteve esperando por ela.
Sempre esteve há alguns quilômetros de distância, se preparando para pertence somente à ela.
And tell me what is the meaning
(Diga-me qual é o significado)
Of life without this feeling
(Da vida sem esse sentimento)
And the sky is grey
(E o céu está cinza)
A mão de Sofia tremeu tanto que ela precisou deixar o celular de lado e sorriu ao perceber que Melissa estava tão afetada quanto ela.
It's raining in the desert, I heard it on the news
(Está chovendo no deserto, eu ouvi no noticiário)
The Sun won't even shine no more
(O Sol não brilhará mais)
Since I'm not there with you
(Se eu não estiver lá com você)
I'll pick you up with flowers, roses red or blue
(Vou buscá-la com flores, rosas vermelhas ou azuis)
A mattress and a table just for two
(Um colchão e uma mesa só para dois)
— Você é a melhor coisa que me aconteceu... — Sussurrou Sofi enquanto limpava as lágrimas que Melissa deixava cair.
A table just for two, it's only me and you
(Uma mesa só para dois, somos só eu e você)
I'll stay here forever, I promise that is true
(Eu vou ficar aqui pra sempre, juro que é verdade)
A table just for two, it's only me and you
(Uma mesa só para dois, somos só eu e você)
I can make you breakfast, you could be my La la la la la
(Posso fazer seu café da manhã e você pode ser minha La la la la la)
You, you could be my muse
(Você, você pode ser minha musa)
Sofia sorriu entre as lágrimas quando percebeu que Melissa realçou as palavras para que ela compreendesse que sempre seria a sua musa.
You, you could be my muse
(Você, você pode ser minha musa)
Oh (aah)
La la la la la
Huh (aah)
Melissa encerrou a música e deixou o pequeno instrumento de lado quando percebeu que Sofia simplesmente sentou em seu colo e a abraçou tão apertado enquanto chorava alto, um choro de emoção e foi impossível até mesmo para ela acabar se controlando.
—Você é o ser mais incrível do mundo, Mellz! — Sofi dizia entre lágrimas. — Meu Deus, quando eu penso que não posso me apaixonar mais por você, você sempre me surpreende.
Melissa gargalhou enquanto apertava com cuidado o corpo sobre o seu.
— Você realmente gostou? — Ela pareceu surpresa. — Eu achei que fosse desmaiar umas três vezes enquanto você me encarava, nossa... Eu não sei como Ashley consegue fazer isso para milhares de pessoas.
— Ela faz por amor, como você fez aqui comigo. — Sofi tirou o rosto da curva do pescoço de Melissa para encará-la. — Você fez por amor e nem que eu viva mil vidas serei capaz de esquecer isso.
— E é por amor que eu pergunto se você quer namorar comigo, Sofi. — Mel sussurrou. — Eu sei que perguntarei isso milhares de vezes para ter certeza sobre sua resposta, mas eu quero que entenda que eu passei muitos anos sem você e todos eles foram cinzas, mas minha vida ganhou cor desde o momento em que meus olhos encararam você e eu gostaria muito de poder conviver com esse arco-íris que você me apresentou. Então, Dra González, você aceita essa jovem mulher desesperada e daltônica como sua namorada?
Sofia gargalhou enquanto concordava diversas vezes com a cabeça.
— Eu aceito, achei que não precisasse de um pedido!
— De você, eu sempre preciso de confirmações... O tempo todo, meu amor! — E elas se beijaram.
Até que o estômago de ambas reclamaram de fome, causando mais risos e o afastamento de seus corpos em busca de alimento.
Depois de comerem, passaram para a cama e continuavam enroladas durante o filme todo. Embora fosse o filme favorito de Sofia e Henri Cavill fosse incrivelmente maravilhoso naquele uniforme perfeito, ela não conseguia olhar muito tempo para ele enquanto Melissa estava tão próxima dela.
Na tela mostrava a enorme surra que o mocinho levava dos vilões, Melissa olhava atentamente e nem parecia notar o desconforto de sua companheira, até que sentiu que alguém há olhava o tempo todo e precisou olhar para o lado e engoliu em seco ao olhar os olhos escuros de Sofia.
- Você está bem? - Ela perguntou baixinho e Sofia negou com a cabeça. - O que você tem?
Levantou a mão que estava em baixo dos cobertores segurando firmemente a cintura de Sofia, mas a mesma não permitiu que a mão fosse para muito longe já que Sofia segurou nela com firmeza e levou para o único lugar que precisava de atenção.
Entre suas pernas.
- O que você está fazendo, Sofia? - Perguntou sem tirar a mão dali. Estava tão molhada e embora houvesse uma calcinha entre os dedos e a b****a, Melissa conseguiu sentir perfeitamente.
- Estou fazendo algo que eu quero desde a primeira vez que coloquei meus olhos em você, mas estava cega o suficiente para assumir pra mim mesma que ainda desejo você!
Sofia empurrou os cobertores para longe delas e sentou sobre a cintura de Melissa e puxou sua blusa para fora do corpo revelando os s***s fartos e rosados, as mãos de Melissa subiram da cintura até eles e os apertaram com certa força fazendo Sofia gemer. Elas ansiavam por aqueles toques há meses, tentaram ir com calma embora não tivesse jeito, aquele momento seria inevitável.
Melissa beijou entre eles e puxou Sofia para um beijo selvagem e bruto por que não adiantaria ir com calma, não com a pressa que elas estavam e sabiam que dessa vez teriam tempo para qualquer coisa, seus lábios se chocaram e Sofia pediu passagem na boca da loira que estava completamente à mercê das vontades da latina, Melissa gemeu alto quando Sofia moveu o quadril lentamente para frente e para trás gerando um atrito gostoso ali.
- Você vai me m***r. - Melissa disse antes de virar Sofia com tudo a deitando no colchão. - Eu não tô nem aí.
Sofia riu puxando Melissa para cima dela.
Foram inúmeros beijos trocados, até que o desejo falou mais alto e Melissa tomou o controle da situação, sua boca veio para os s***s o sugando com uma força desconhecida pelas duas, mas Sofia não reclamava. Melissa chupava um e massageava o outro enquanto seu joelho forçava um pouco o c******s de Sofia.
Elas eram só gemidos até que Melissa não se segurou e puxou com tudo a calcinha para fora do corpo de Sofia, ela a viu inteiramente nua e embora Sofia quisesse se cobrir por vergonha de algo que Melissa pudesse não achar atrativo o suficiente se permitiu, era tudo o que lhe restava.
Dessa vez foi Melissa quem caiu de boca na única b****a que havia fodido sua mente. A mesma chupou, mordiscou, brincou o quanto quis ali e meteu sua língua diversas vezes na entrada da médica até que notou o corpo cheio de tremores. Usou os dedos e enquanto penetrava Sofia com dois, sua língua voltou para o c******s e foi fatal.
Sofia gemeu um pouco mais alto fazendo o corpo de Melissa tremer ao se desfazer na boca em dedos de Melissa.
A latina puxava o ar com força para dentro dos seus pulmões quando olhou para Melissa e franziu o cenho confuso.
- Por que c*****o você ainda tá vestida? - Melissa nem tinha de tocado daquilo. - Tire sua roupa e volte aqui por que eu ainda não me sinto satisfeita!
Melissa riu ao se levantar apressadamente e remover as roupas mais rápido ainda do corpo. E elas continuaram, por muito e muito tempo até que o sol começava a surgir do lado de fora da janela que haviam deixado aberta.
Elas caíram no sono abraçadas e sem roupa, sem se preocupar se estavam descobertas ou não por que o calor que seus corpos emanavam era o suficiente para elas.
Sempre seria o suficiente.
Até que por volta das 07h50min a maçaneta do apartamento foi destrancada e a porta foi aberta. Uma mala foi deixada no canto da sala e a mulher suspirou ao olhar em volta e observar tudo bagunçado. Achou estranho porque ela sabia que Sofia era surtada demais com arrumações e caminhou até o sofá e sua alma quase saiu do corpo quando ela encontrou as duas mulheres sem roupas ali em um sono profundo. Karen gargalhou um pouco alto e tirou uma foto delas para enviar no grupo nem se importando se estavam nuas ou invadindo algum tipo de privacidade.
Ele não queria nada sério comigo, mas desde o primeiro dia sempre fez questão de segurar minha mão quando andávamos pela rua. Ele m*l tocava no celular quando estávamos juntos, beijava meu rosto inúmeras vezes e sempre ficávamos de mãos dadas trocando carinhos de dedos, minhas unhas passeavam pelos seus braços, por vezes em suas costas ou em sua coxa e, se por acaso eu parasse, logo escutava “pode continuar” com um olhar desaprovando a pausa. Ele me beijava lento, seus lábios se encaixavam perfeitamente nos meus e, de alguma maneira eu sei que ele também sentia isso. Seus olhos castanhos costumavam me devorar em público e, eu era presa fácil praquele tom de caçador. Ele não queria nada comigo e ainda assim se explicava todas as vezes que eu questionava o porquê de ainda não sermos nós. Ele tinha uma paciência absurda com meus inúmeros questionamentos e mesmo depois de meses, eu ainda me pergunto o porquê?! Ele não quer namorar comigo, mas reapareceu com suas piadas sem graças, dizendo que era engraçado e quis compartilhar. Ele segurava minha mão enquanto dirigia o carro ou quando estávamos na moto a cada pausa no semáforo entrelaçávamos os dedos, ele corria sua mão por minha perna, segurando em meu tornozelo e logo voltava para minha mão. Ele diz que nunca se apaixonou por ninguém, mas falava comigo em tom de saudade, eu sinto, mas ele logo se corrigia dizendo que não pode me ver. Ele não quer nada comigo e eu ainda o esperava, como se fôssemos nos encontrar no próximo final de semana, como se ele fosse me ligar e dizer que estava vindo, como se fosse possível que ele gostasse de mim. Ele então, prometeu que nunca mais sairia comigo, que não iria me alimentar com falsas promessas, era errado e não daríamos certo, então ele foi embora… mas ele voltou mais uma vez com uma piada boba e entre uma frase e outra, admitiu que seríamos bons juntos, que eu era uma fraqueza dele. E no passar de oito meses ele admitiu pela primeira vez, mas ele ainda não quer nada comigo, com o que sinto e o que tenho a oferecer… então nessas idas e vindas, entre uma desculpa e outra, entre um encontro marcado e um adeus prévio, eu ainda não deixo de me perguntar: por que ainda não somos nós?