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4632 Palavras
Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. É o tipo da pessoa que faz questão de ficar a noite inteira longe de você só porque acha charmoso ficar longe de você e não porque queira ficar longe de você. Ele prefere ser descolado do que humano.E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. De solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua b***a ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele. Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e… Será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas… Um dia seremos nós a desaparecer. Mas a lição que eu aprendi é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar meu relacionamento com algumas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver m*l assombrado. Eu vou continuar olhando pra você como se as coisas mais bonitas no mundo tivessem deixado de ser as coisas mais bonitas do mundo, porque notaram (o que eu já tinha notado há tanto tempo), que nada no mundo pode e consegue superar a beleza que de você exala. nem aurora boreal ou os pilares de luz conseguem te superar. e não é loucura. é comprovado não-cientificamente pelo meu cérebro que ainda não alcança os 100% de aproveitamento mas até quem soma 1+1 sabe que a minha lógica faz sentido. a aurora boreal precisa do contato entre os ventos solares com o campo magnético do planeta terra pra existir. os pilares de luz só acontecem quando a luz solar/lunar reflete em cristais de gelo presentes na atmosfera terrestre. mas você, meu amor, é toda a beleza que há só por respirar. é por isso que vou continuar olhando pra você como se as coisas mais belas não existissem mais. Só você... - SURPRESA! - Melissa se tremeu dos pés à cabeça, mas também se esforçou ao máximo para não desmaiar e que Sofia não percebesse o nervosismo que corria em seu corpo. Ela poderia desmaiar ali mesmo, não é? Se bem que Sofia era médica e poderia muito bem auxiliar Melissa, caso isso acontecesse e... Melissa percebeu que estava divagando. - Aí, meu Deus! - Para a total surpresa de Melissa, Sofia pulou em seus braços e se a americana não fosse mais rápida e forte, ambas teriam caído com tudo ao chão. - Eu não acredito que você está aqui. Meu Deus! Eu só posso estar sonhando! — gritou eufórica e entre risos, Melissa agradeceu aos céus por ser forte o suficiente para suportar o peso da outra. - Estou sim, Sofi. E isso não é um sonho! - Melissa sorriu abraçando mais apertado à latina. - Pode sentir o meu cheiro, eu passei até perfume! – Sofia riu descendo dos braços de Melissa e colocando seus pés descalços no chão. — Na verdade foi uma colônia corporal, você sabe que eu sou alérgica... Lógico que sem que Melissa percebesse, o seu nariz deu uma bela fungada por aquele pescoço lindo que ela tinha, ela sempre teve algo chamado memória olfativa, quando ativado por um estímulo externo, que é o aroma, o cérebro desencadeia uma reação neurológica na memória associando tal cheiro a fatos importantes da sua vida. E o aroma que Melissa exalava pelo corpo sempre que elas transavam intensamente, ainda na adolescência, havia sido algo que durou por todos aqueles anos na mente de Sofia. - Continua sendo um cheiro incrível mesmo para alguém alérgico à perfumes. - Sofia puxou a pequena mala com uma mão e a outra segurou firme em Melissa, medo de afastá-la, talvez. - Vamos, entre logo por que sei que foram algumas horas de viagem e talvez você esteja com fome. Foi só dizer para que o estômago de Melissa roncasse e acabar causando uma risada alta nas duas mulheres, enquanto caminhavam para dentro.. - Desse jeito vamos acordar os vizinhos. - Melissa disse fechando a porta e Sofia rapidamente passou a chave. – Se fosse no meu prédio, o síndico já teria vindo com uma multa preparada! Desde a visita de Miley e a festa surpresa, que todos no meu andar me encaram de forma diferente. — acabou rindo. - Eu não tenho vizinhos, pode ficar tranquila. - Melissa olhou para a chave na maçaneta. — Quer dizer, nesse andar moro sozinha. Os blocos são divididos por andares, cada andar há uma família, então o condomínio é familiar e bem tranquilo, muito seguro também. Tudo com revestimento acústico para que não haja problemas sonoros nas demais pessoas, por causa das crianças e afins... — Esclareceu sorridente. - E mesmo assim você ainda tranca a porta. - Observou atentamente, haviam certas coisas que nunca mudaria. — Sempre precavida. - O seguro morreu de velho! — Deu de ombros. — Principalmente para alguém como eu, além de ter a vida pública por causa do Tik Tok, i********: e YouTube, passo pouco tempo sozinha em casa por causa da clínica e em uma das minhas estadias, ainda no prédio anterior a esse, eu com alguns vizinhos fomos vítimas de um assalto e foi h******l! Quando Karen retornou de viagem, decidimos mudar pra esse aqui e bom, tem um tempo já. E como Karen quase nunca está em casa então todo cuidado é pouco. — Melissa teve que concordar. - Estava preocupada que você não respondia minhas mensagens, cheguei até mesmo a imaginar você dormindo ou saindo para se divertir com alguém, mas nunca passou pela minha cabeça que você estaria aqui. Elas pararam na sala olhando profundamente uma para a outra. Havia se passado tanto tempo em que elas não dividiam o mesmo espaço que agora, tudo parecia novo e elas não sabiam como agradecer por essa nova experiência. - Desculpe por ter vindo sem avisar, foi coisa de última hora e eu nem ao menos pensei sobre. Foi um enorme impulso, Morgan me incentivou e... Quando vi, eu havia comprado uma passagem. - Ela acabou corando. — Eu precisava te ver e eu já não sabia o que fazer, as mensagens não pareciam ser o suficiente e... Eu estou aqui agora. — Corou por que se lembrou de que a anos atrás, Sofia havia tido aquele mesmo impulso. Resolvendo de uma hora para outra que queria ver Melissa, não mediu esforços e nem dinheiro comprando passagens para ir até à loira. Só que o quê ninguém jamais poderia esperar é que depois de confirmar as passagens, Melissa terminaria o relacionamento no dia seguinte. Sofia também se lembrou daquele fatídico dia e do quão devastada ficou com os acontecimentos do após, mas como já havia superado resolveu mudar de assunto para não causar nenhum desconforto. - Eu fico feliz que você esteja aqui! - Foi sincera. — Eu estou feliz, Mellz. - Fico feliz por estar aqui e espero que realmente não seja um incomodo e que você não esteja me dizendo isso por educação. - Então Melissa se atreveu a olhar para Sofia. Notando que a mesma usava jeans branco e uma camisa de manga de cor clara. - Por que está vestida dessa forma à essa hora da noite? — Olhou em volta por costume. Sofia revirou os olhos por que Melissa sempre notaria os pequenos detalhes que ela jamais precisou dizer. - Não tem muito tempo em que eu cheguei, estive em um longo plantão e deveria ter saído mais cedo. - Explicou Sofia indo para a cozinha e Melissa à seguiu de perto. - Houve um acidente no transporte público e 31 pessoas foram feridas. O hospital virou um caos, a área de emergência se tornou o centro cirúrgico, não sei quantas pessoas precisei abrir e consertar... Estou tão exausta que ainda é um mistério sobre você ter me encontrado acordada! — Enquanto conversavam, Sofi deixou a pequena mala de Melissa próximo ao corredor e a guiou até a enorme cozinha que havia ali. Tudo completamente limpinho e muito organizado, Melissa se perguntou como alguém com tão pouco tempo conseguia manter tudo aquilo organizado. Foi então que ela entendeu que talvez Sofia não trabalhasse sozinha. Sofia abriu a geladeira e Melissa foi capaz de observar que haviam vários outros recipientes com comida pré-cozida dentro organizada por cores ali, acabou sorrindo quando percebeu que haviam pequenas etiquetas com os dias da semana, talvez fosse um meio de não repetir a mesma comida sempre. Entendeu que o tempo de Sofia era quase nulo naquela casa e por isso tudo precisaria ser milimetricamente calculado para que nada desse errado. - Se importa de comer qualquer coisa ou tem preferência? - Sofia se virou encarando Melissa afastou da porta da geladeira para que a latina visse algo que talvez lhe agradasse, tinha sucos que ela teve certeza ser natural, algumas coca cola que talvez fosse de Karen e uma enorme diversidade de frutas e iogurte com legumes e verduras mais em baixo. - Pode ficar à vontade, Mellz... Sinta-se em casa para pegar o que quiser, eu não sei dizer o que tem na maioria desses potes, mas provavelmente tem tudo o que eu preciso para me manter forte e saudável. — Suspirou. — A comida fica deliciosa, mesmo congelada. — riu. - Eu não sou acostumada a jantar, mas adoraria um sanduíche com peito de peru. - Melissa apontou para o lugar onde os mesmo estavam. — Estão ali, posso pegá-los, não é? - Graças a Deus que já estão prontos! E como eu disse, fique a vontade. - Sofia pegou dois e a jarra de suco que parecia ser de laranja e estava fresco. - Poderia pegar um copo sobre o armário de cima, por favor? — Melissa olhou para o lugar onde ela apontava. - Claro, para alguém que quase nunca está em casa tudo aqui parece organizado. - Rapidamente já estava com um copo em mãos. - Estou me sentindo um pouco culpada por você está me recepcionando quando deveria estar dormindo. Sofia riu ao dar de ombros. - Eu literalmente também acabei de comer e iria tomar um banho, quer dizer... Eu ainda não iria dormir, de qualquer forma, por que chegaram algumas encomendas e iria precisar gravar reels para mostrar os produtos. - Ela parecia feliz ao explicar. — Ou seja, eu só dormiria daqui há duas horas, talvez... - Eu juro que tento entender essa vida com apenas quatro dias de sono que você leva. - Brincou enquanto se sentava em um banco de alumínio com estofado que estava próximo à ilha de mármore. — Tudo parece tão corrido pra você que ainda tento entender como você consegue conciliar com tudo, mas compreendo os motivos para que nunca tenha conseguido ir nos outros encontros com as garotas e somente em seus encontros com outras mulheres... — Ela começou a comer enquanto Sofia olhava para ela. - Você acostuma depois de um tempo, como disse... Acho que essa foi minha válvula de escape. Quanto mais tempo eu dedicava ao trabalho, menos tempo tinha... para, você sabe... Pensar em... — Você. Ela pensou, sentiu uma enorme vontade de responder, mas elas não precisavam disso. — E pra acabar com as tuas dúvidas, faz um tempinho em que não saio com uma garota... — fez uma careta. — Faz muito tempo pra ser sincera, eu precisaria sair para alguma balada e isso é fora de cogitação, então... Não há mulheres em minha vida, apenas... Homens. — Viu a careta de Melissa e ela quase riu. Elas ficaram em silêncio absorvendo aquelas emoções, mas isso não parecia incômodo. Havia algo diferente dentro delas e suas almas sentiam aquela paz. A paz que elas tanto buscaram em outros braços. - Eu sei que não deveria ter vindo sem avisar, mas eu estava com saudades e sei lá... Acabei pegando os dias que deveria ter ficado de férias de volta e foi impossível não vir até você! - Melissa se explicou. - E-eu... Sofia, eu... - Você se desculpar irá estragar o clima. - Brincou Sofia dando a volta e chegando perto de Melissa colocando seus braços sobre seus ombros enquanto as mãos de Melissa foram parar em sua cintura. - Não precisa se explicar, eu gosto de saber que você veio mesmo parecendo assustador, como disse; fiquei surpresa e não sei se seria capaz de fazer o mesmo. - Elas riram. - Mas tenho que confessar, se você não tivesse vindo eu teria ido! Sofia corou ao aproximar seu rosto de Melissa e deixar um selinho rápido em seus lábios não dando tempo para que Melissa sentisse o gosto deles. - V-você teria ido? - Melissa parecia boba. — Acaba de dizer que é assustador e me joga uma bomba dessa? - Claro, por que não? — Sofia riu. E Melissa pensou. - Você acabou de dizer que tem uma agenda apertada. Disse recentemente quê tem transas casuais com pessoas desconhecidas. Acabou de tocar meus lábios com os seus e eu meio que estou em um sonho, se eu estiver, por favor, não me acorde! - Sofia riu alto e Melissa quis ouvir aquele som para sempre. — Estou tendo um colapso. - Você é uma fofa. - Abraçou apertado mais uma vez. - Termine de comer logo para que eu te mostre o lugar que você vai dormir! — o medo ainda tava ali, mas ela era capaz de passar por cima de tudo e pular de cabeça, não é mesmo? Melissa concordou quando notou Sofia se afastando. Sim, aquela estadia ali finalmente daria certo. Quando Melissa havia terminado de comer e lavou a louça que sujou, por que ela pareceu empenhada demais em fazer aquilo, Sofia lhe mostrou seu apartamento. A sala era enorme. Toda aberta e bastante iluminada, com um enorme sofá em L e pequenas poltronas, e a frente uma enorme TV na parede com inúmeros DVDs na estante e um lustre no teto, do jeito que Sofia sempre sonhou em ter. Do outro lado da sala, a cozinha aberta que era separada por uma ilha de mármore branco, dando mais luxo que o lugar exigia. Do outro lado, um extenso corredor que dava acesso aos quartos e tinham cinco portas ali. O primeiro quarto, Melissa descobriu ser o de hóspedes, mas denominado como quarto de Karen quando estava na cidade, parecia ser o único quarto de adulto ali, com um decoração toda trabalhada em tons suaves e claros, tornando-o aconchegante e prazeroso de se estar. Pelo corredor, haviam quadros de cenas memoráveis de filmes, o lugar em si parecia um enorme almanaque para qualquer fã de cultura pop enlouquecer. Óbvio que Melissa riu e mencionou o gosto infantil pelas pequenas animações espalhadas por estantes e paredes. Sofia revirou os olhos por que ela não se importava com a opinião alheia. Sofia mostrou onde ficava o banheiro para visitas, e uma porta mostrando o seu escritório onde ficava todas as suas obrigações de adultas e tudo muito bem organizado. Porém a áurea mudou totalmente quando Sofia abriu a única porta que ela mantinha na chave, ela respirou fundo e olhou para trás enquanto sua mão rodava a maçaneta. Melissa sentiu a tensão e esperou por encontrar uma sala cheia de corpos dissecados ali, só pelo olhar que Sofia lhe dava. Então, sua tensão morreu quando um enorme sorriso abriu em seu rosto assim que a luz foi acessa e ela observou com atenção todos os detalhes ali dentro. - p**a m***a, Sofi! - Melissa entrou em passos lentos observando todas as miniaturas de personagens da Marvel, DC e Disney. — Eu estou no paraíso! Havia milhares de Funko Pop's em estantes. Havia bustos de super heróis, legos, quadros e um enorme computador sobre uma mesa de centro. Até mesmo o sofá era decorado com estampas de histórias em quadrinhos. Sofia observou que havia milhares de HQ's logo atrás e elas pareciam novinhas em folhas. - Esse é o seu estúdio de gravação? - Se virou para Sofia que concordou sorrindo. - Se o meu fosse assim, eu nunca conseguiria concentrar direito em absolutamente nada. Como conseguiu tudo isso? — Sofia deu de ombros. - São muitos anos colecionando, comprando e fazendo propagandas. Eu sempre acabo ganhando inbox e a coleção só aumenta. - Explicou. — Eu tenho tantos repetidos que as vezes envio para doações as crianças ou dou de brindes para fãs que me param na rua. - Esse lugar é o paraíso! - Até então, Melissa viu uma estante repleta do seu anime favorito. - EU NÃO ACREDITO NISSO! - Foi até ela e ficou com receio de tocar nas miniaturas do Dragon Ball. - Eu nunca consegui essa coleção, eles se tornaram tão raros que a última vez que vi disponível eu teria de vender meus dois rins, pai eterno do céu... Eles estão tão perfeitos que nem parece que... - Todos feitos à mão. - Sofia se aproximou sem fazer questão de tocar já que eles estavam protegidos por uma cúpula de vidro. — Não são produzidos mais, era a edição limitada. Após a divulgação que fui contratada a fazer, eles se esgotaram em menos de 10 minutos. - Uau. — Sofia estava muito surpresa. — Eu não sabia que você gostava... - E eu não gosto. - Sofia respondeu olhando para Melissa. A americana lhe encarou de volta por alguns segundos entendendo o que ela quis dizer. Aquela havia sido a forma que Sofia havia mantido um pouco de Melissa dentro de si. E Melissa sentiu muita vontade de beijar Sofia, mas sua mente estava confusa, não queria meter os pés pelas mãos e estragar o momento. - Eu sinto que morri e estou no paraíso! - Brincou mais uma vez. — Vem, vamos conhecer o último cômodo. — Sofia riu puxando ela para fora dali nem se importando de fechar a porta do estúdio. — Amanhã você pode entrar e ver todas as coleções aí. - E esse é o meu quarto. - Sofia abriu a porta branca permitindo que Melissa entrasse primeiro. As luzes estavam acesas e para o espanto de Melissa. Não havia nenhuma parede pintada de preto, tudo era cores claras e em perfeita harmonia, como o resto do apartamento. Até a cama estava arrumada em um estado que poderia ser considerado perfeito. Embora fosse muito grande para uma cama normal, ela pareceu ser confortável demais. Haviam diversas almofadas sobre a mesma e um ar-condicionado embutido na parede, Melissa notou a existência de duas portas e uma enorme janela de vidro com cortinas negras que Melissa imaginou ser automáticas. Uma TV enorme também do outro lado da parede, em frente à cama, alguns puffs espalhados em lugares estratégicos e pequenos estantes ao lado da cama. - A porta à esquerda é o banheiro e a direita é um closet. - Sofia disse depois que Melissa ficou em silêncio. - Você pode ir tomar seu banho e levar sua mala para o closet enquanto eu abro essa caixa aqui. - Melissa olhou para Sofia enquanto a mesma apontava para a caixa de porte médio no chão. — Há toalhas na última gaveta do armário e escovas de dentes na gaveta pequena, novamente te digo para ficar a vontade e pegar o que quiser, você está em casa! Uh, antes que eu esqueça... Cuidado com alguns shampoos, podem causar reações alérgicas. Melissa concordou e saiu indo até o corredor para pegar sua mala que havia sido esquecida ali e pediu licença para abrir o closet. Ela ficou surpresa por ver que ele era a única coisa pequena dentro daquele apartamento, mas que ainda sim levava uns bons quase quatro metros quadrados. Notou que havia lugares vazios e deixou sua mala próxima, iria perguntar se poderia usar em outro momento e apenas pegou o necessário para seu uso pessoal, naquele instante. Voltou para o banho e sorriu ao ver Sofia sentada no chão com as pernas cruzadas em x, como um índio, com um enorme sorriso no rosto e o celular em mãos. Parecia uma criança em um dia de Natal, foi durante o seu banho que ela se pegou pensando que poderia muito bem viver com aquela lembrança, viver com aquele momento. Depois de banho tomado e uma roupa simples voltou em passos preguiçosos em direção a uma Sofia bastante contente ainda sentada ao chão e dessa vez com a câmera voltada para si, Melissa percebeu que era uma transmissão ao vivo e que havia aparecido. Talvez isso não fosse um problema, não é? Quando elas namoravam, Sofi ainda não havia atingido aquele alto índice de telespectadores por tanto eles não lembrariam dela e não ligariam uma coisa à outra. - EU ADORO QUE ELES SAIBAM QUAIS EU NÃO TENHO E ME ENVIEM TODOS! - Comemorou aos gritos. - É uma edição especial de Injustice 2. - Mostrou o quadrinho no plástico. - Embora tenha odiado, só confirmou meu shipper injustiçado. — Melissa riu pelos resmungos. Até parece que ela entendia alguma coisa sobre aquelas referências. - Por que você odiou? — Sofia apontou a câmera para ela. - Pessoal, essa aqui é uma amiga minha, vocês a comecem pelas fotos que a Ash publicou de nossa viagem de férias. E voltando ao assunto: Hera menciona o casamento que teve com Alerquina em Las Vegas. - Ela olhou para Melissa. - Quando a edição 70 foi lançada, levei dias tentando conseguir, mas essas belezinhas costumam sumir rapidamente das prateleiras e me restou ler online. Uma m***a que apenas uma citação tenha sido mencionada. - Ela realmente parecia transtornada. - Eu queria a história toda, com o s**o de lua de mel e até mesmo o triste término. — Ela gargalhou ao ver as menções do chat da Live. — Terá uma série da Harley Quinn sendo produzida pela DC Comics em animação, bom espero que ao menos lá seja valorizado. - Elas terminam? - Melissa perguntou curiosa. Ou nem tão curiosa assim, ela só queria ouvir Sofia continuar falando. - Óbvio que sim. Foi triste, olhe que nos Novos 50, Hera Venenosa luta para que Alerquina deixe essa obsessão pelo Coringa de lado, mas nada resolve. Bem, como disse... O shipper é injustiçado. - Suspirou fazendo uma pausa dramática. - Está tudo pronto para dormir? — Melissa concordou. — Então pessoal, foi muito bom passar esses minutos com vocês, mas acabei de sair de um longo plantão e tudo o que eu mais quero agora é poder dormir por no mínimo uns três dias, prometo que voltarei com mais conteúdos para vocês assim que possível. Enquanto isso aproveitem para participar do sorteio no feed, até logo! — E desligou como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. E Melissa percebeu que pra ela, era. - Sim, onde eu irei ficar? - Se colocou de pé e Sofia deu uma boa olhada pelo corpo dela. - O quarto de Karen parece ter uma boa cama. - Ele está sujo, cheio de poeiras e precisa trocar as roupas de cama. Estamos muito cansadas para fazer tudo isso agora e podemos deixar pra amanhã se você assim desejar. - Sofia se explicou rapidamente. Logo, ela também estava se pé nem terminando de ver quais eram as outras surpresas da caixa. - Você pode ficar e dormir aqui comigo, a cama é enorme e não será problema nenhum ter você como companhia, nesta noite. - Brincou pra tentar aliviar o clima. — Melissa sorriu concordando. — Se você quiser, não é? — Brincou. — Eu só quero tomar um banho e trocar essa roupa, me sinto suja e extremamente cansada. Meus olhos pensam toneladas e o medo de eu acabar dormindo no chuveiro como tantas vezes é muito real. — Eu posso te ajudar se você quiser. — Melissa respondeu sem pensar no duplo sentido que sua frase teve. — Quer dizer, eu não quis dizer isso.. Não, espera... Eu disse que de for preciso eu te banhar não há problemas pra mim, mas não disse isso relacionado a algo s****l. Eu sei que é cedo e temos outras prioridades, eu não vim aqui pra isso eu só... — Você respira? — Sofi brincou. — Você não precisa se explicar, eu entendi Mellz. E é muito tentador que você queira me dar esse mimo e eu juro que se não fosse a minha exaustão eu toparia. — Suspirou. — Eu não quero que você me veja nesse estado e... — Melissa entendeu. — Você está preocupada com a depilação? — Sofia corou fortemente de uma tal forma que foi impossível Melissa se conter. — Sofi, meu Deus! Achei que a gente tivesse passado dessa fase há anos! — Aí, Cala a boca! — Sofia caminhou envergonhada até o chuveiro. Melissa gargalhou ao ponto de sentir o ar lhe faltar no peito, mas também entendeu o lado da outra. Fazia anos que elas não estavam envolvidas sexualmente e tudo era a maior novidade para elas. Não levou nem cinco minutos para Melissa ver Sofi sair enrolada por um roupão do banheiro e caminhar silenciosamente em direção ao closet e sair o mais rápido ainda usando um micro babydoll e franziu o cenho confusa ao ver Melissa parada ao lado da cama encarando a parede. — O que aconteceu contigo, por que não está na cama? — Parou ao lado dela. — Achei que já estivesse dormindo. — riu. — Fiquei esperando você vir. — Encarou Sofia. — Preferência por lados? - Perguntou apontando para o grande objeto. - Não, eu costumo dormir de um lado e acordar de outro, no entanto... Vá se arrumando aí enquanto eu vou pegar mais cobertores, as noites de Nova Iorque costumam ser congelantes. — E simplesmente saiu deixando Melissa mais uma vez sozinha. - Senhor, não permita que eu esteja estragando nossas vidas. - Melissa disse baixinho para si mesma antes de se deitar. — Você parece tão pequena nessa cama. — Sofi comentou quando voltou. — Por que uma cama tão grande? — Mel se acomodou e esperou Sofi deitar grudadinha em seu corpo. — Eu sou espaçosa e nas camas tradicionais cai inúmeras vezes, minha mãe achou que seria melhor se trocassemos o móvel. — Melissa gargalhou. — Você é sensacional mesmo! — Sofi resmungou quando abraçou o corpo magro de Melissa. — Vamos dormir que que tô vendo você lutando contra o sono. — Tenha bons sonhos, Mellz. — Estarei aqui quando você acordar!
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