Teo estava correndo para dentro da mata, tentando achar qualquer rastro da esposa, não fazia a menor ideia de para onde ela poderia ter ido. Chegou a uma estrada de terra que cortava a mata espessa e semicongelada, respirou fundo tentando pensar onde Mirela poderia estar, estava indignado, nunca deveria ter aceitado casar com uma Humana, jamais deveria tê-la trazido para Isias Rar, agora não estaria naquela situação. Foi tirado de seus pensamentos pelo rosnado ameaçador do chacal gigante parado a alguns passos de distância dele. De sobre o grande animal, Teo escuta a voz familiar de Visi lhe dizendo:
— Hoje estou com sorte, era você mesmo quem procurava — diz o Djin, descendo do chacal, aproximando-se de Teo.
Os olhos negros de Visi eram ameaçadores, embora seu rosto fosse belo e delicado, como os de uma atriz de filme antigo Humano. Teo o viu se aproximando cauteloso e questionou:
— Você me procurava?
— Sim, o ministro deseja sua presença.
— Agora não posso brincar com meu irmãozinho...
— Eu acho que não estou sendo claro. O Ministro Ford deseja sua presença, é necessário que preste esclarecimento sobre o abandono de sua esposa.
Teo estremeceu, questionou mais preocupado:
— Mirela? O que Ford fez com ela?
— Acompanhe-me e poderá revê-la.
Visi tocou em seu braço, indicando que deveria montar numa espécie de cadeira presa ao corpo do chacal, para que pudessem ir. O rosto de Teo ficou sem cor, pensando no que Ford lhe diria sobre sua decisão.
Não distante dali, na morada do ministro, Ford bateu na porta do quarto onde Mirela estava. A jovem estava encolhida, sentada sobre a grande cama. Estava deprimida e arrependida de ter gritado com um Ministro Djin. Apenas levantou os olhos para ver Ford entrando em seu quarto, tentando conter sua exasperação, Mirela pensou:
“Eu o ofendi, serei presa, morta, esquartejada... p**a que pariu, olha o tamanho daquela ereção...”.
O queixo de Mirela caiu, não conseguia desviar os olhos do volume, que para ela estava visível sob as amplas calças que os Djins usavam, que mais pareciam saia. Ford estava tão irritado consigo mesmo que esqueceu de levar em consideração que Mirela, mesmo sendo humana, morava a bastante tempo em Isias Rar, tempo suficiente para se acostumar com as roupas que os homens Djins usavam e que talvez sua ereção não passasse despercebida por ela. Ele iniciou a falar sem nem mesmo olhar para ela:
— Escute, minha jovem, eu posso entender que esteja nervosa e irritada com o comportamento de meu irmão, mas é inaceitável que me trate com um mercador de mulheres ou um violador, embora os Djins tenham fama de não respeitarem as mulheres, nem de seu povo nem de lugar nenhum. Eu quero que você saiba que fui criado na Terra Antiga, eu fui ensinado a respeitar as mulheres. Esteja ciente de que está em minha casa apenas para sua proteção, você me entende?
Quando Ford olhou para Mirela, ela estava sentada sobre os pés em cima da cama, ainda embasbacada olhando na direção dele, parecia completamente alheia ao que ele dizia. Irritado, insistiu:
— Ao menos poderia ter a gentileza de me responder?
Só então Mirela olhou para o rosto dele. Ford estava sem o casaco longo de ministro, que para ela lembrava as batinas dos padres da Terra Antiga. Estava com uma regata branca, que deixa o peito e o abdômen marcado; o cabelo longo preso por tranças nas laterais estava com uma parte jogada sobre o peito; aqueles olhos verdes furiosos brilhando na penumbra do quarto... Mirela tentou formular uma frase que saiu:
— Queria...
— O que?
— Desculpa, o que você disse?
— Qual o seu problema afinal? Eu ...
Disse Ford, passando os dedos pela testa, vendo os olhos dela fixos nele. Percebeu que as roupas dela eram mínimas, e de onde estava podia ver suas coxas, e o início de seu colo, o que lhe fez imaginar o tamanho daqueles s***s, seu formato, seu gosto. Falou, bufando, frustrado, enquanto saía do quarto:
— Quer saber... descanse, Teo logo estará aqui.
— Obrigada...
Assim que o viu sair do quarto, falou:
— Que homem lindo, p**a que pariu.
Ford estava muito irritado com a reação de Mirela, que simplesmente o ignorou e ignorou suas explicações. Sentou-se na grande sala da frente daquela casa, estava bebendo vinho em silêncio. Assim que sua irritação diminuiu, voltou a pensar sobre a situação da esposa do irmão vagando por Isias Rar sozinha, aquilo o preocupava, nunca lhe agradou a forma como o irmão tratava suas esposas. Talvez o fato de ter sido criado com a mãe na Terra Antiga até a adolescência o tenha tornado diferente dos demais Djins. A entrada de seu secretário na sala chamou-lhe a atenção. Tirando-o de seus pensamentos, questionou lhe:
— O que deseja, Cielo?
— Senhor, preciso lhe avisar que o Ministro Dillan está vindo a Isias Rar, como desejava.
— Ótimo. Como está a humana?
— Dormindo, senhor. Posso perguntar o que fará com ela?
Ford, parecendo pensativo, respondeu, tomando mais pouco de vinho:
— Preciso saber com o marido dela seu motivo para abandoná-la sozinha em Isias Rar.