BILL NARRANDO
— Você tá completamente errada, Bianca. Eu poderia fingir que sou ele, dormir com você e seguir minha vida. Mas eu não vou porque não quero ser preso. — Ela me olhava como se eu fosse um grande i****a tentando mentir para ela. Talvez eu seja, mas sempre fui um bom mentiroso. Mas Bianca me desestabiliza.
— Onde você estava ontem à noite? — Ela perguntou.
— Com o Brad. O tempo todo. Pode perguntar. — Falei e soltei uma risada. — Você tá realmente obcecada pelo Robin Hood como todas as garotas da faculdade.
— Não mente pra mim. — Ela apontou o dedo em direção ao meu rosto. — Só tem um jeito de eu saber se estou certa. — Ela, mesmo sendo mais baixa que eu, agarrou meu pescoço e puxou meu rosto, tentando me beijar. Eu a segurei, por mais que quisesse isso. E tive que segurar sua cintura com força, só assim conseguindo impedir de fazer o que ela queria.
— Wow! Você tá maluca? Eu estou saindo com a Elle, se ela ver você me beijando, vai fazer um barraco. — Falei e ela deu um passo para trás.
— Então você tá traindo aquela vaca, porque você é a p***a do Robin Hood e dormiu comigo! — Passei as duas mãos em meu próprio rosto.
— Eu não sou a “p***a” do Robin Hood. E eu não preciso ficar tentando te convencer disso, Bianca. Até porque, se eu fosse inteligente como ele, não estaria nessa faculdade medíocre. Meu pai tem dinheiro para pagar a faculdade que eu quiser, esqueceu disso? E eu acho que você também se esqueceu que eu sou filho da única pessoa que está tendo a carreira ferrada pelo Robin... O meu pai. Ele perdendo o dinheiro dele, eu perco meu dinheiro. — Afirmei. — Você tá me acusando de ser um p**a hacker, porque eu falei aquela palavra “touché”? Ele disse isso pra você?
— Disse. — Ela me olhava, um pouco constrangida.
— Então você se esqueceu que eu estava lendo Tristão e Isolda outro dia, né. Eu leio livros clássicos! Eu gosto disso, mas eu não sou o Robin Hood. Eu acho que você tá tão obcecada por ele, que não tá nem entendendo mais as coisas. — Falei e saí andando. Bianca veio atrás.
— Bill... Me desculpa. — Falou, se aproximando de mim e tocando meu braço. Ela veio até minha frente, e me olhou com os olhos marejados. — Me desculpa mesmo. Esse negócio de Robin Hood tá tirando meu sono e me deixando louca. Eu só... Eu só queria descobrir quem ele é de uma vez.
— Eu sei. Mas não sou eu. Desculpa te decepcionar. — Ela concordou com a cabeça.
— Eu estou apaixonada por ele. É i****a dizer isso? É. Eu nunca sequer vi o rosto dele. Mas eu estou apaixonada. Eu queria poder dizer isso olhando nos olhos dele... Queria dizer que eu faria qualquer coisa que ele me pedisse, eu queria... — Ela dizia tudo olhando no fundo dos meus olhos, e aquilo partia meu coração. —Eu acho que eu não... Eu não devia mais pensar nisso.
— Aí é com você. Não posso interferir ou te ajudar nisso. — Respondi com muito custo. Queria acolher essa garota em um abraço.
— É. Desculpa por essa palhaçada que eu fiz, Bill. — Eu concordei com a cabeça, e ela mexeu no próprio cabelo. — Eu acho que eu não estou bem. Eu não vou ficar na aula hoje. Você pode entregar nosso trabalho?
— Posso. Fica tranquila.
Bianca e eu fomos para a sala. Professor Marcos já havia entrado, e ela pegou suas coisas e guardou. Foi até ele, disse que não estava se sentindo bem e ele disse que ela deveria ir para casa.
Assisti a aula preocupado com a Bianca. Mas eu não podia fazer muita coisa, eu precisava proteger minha identidade... Precisava mesmo. Ou meu plano iria por água a baixo.
Encontrei Brad um tempo depois na faculdade. Ele estava mexendo no notebook na biblioteca, e eu sentei ao lado dele.
— E aí. Alguma novidade? — Falei. Ele virou a tela do computador para mim, com um sorriso malicioso.
— Dois possíveis ajudantes para o nosso plano, por enquanto. — Eu sorri.
— Meu Deus, isso vai bagunçar tanto as coisas. — Gargalhei.
— Sim. Vamos esperar mais algumas horas. — Ele disse e eu concordei. — Vi você discutindo com a Bianca no pátio, o que houve?
— Ah, velho. Eu preciso te contar uma merda que eu fiz. — Brad me olhou sério.
— p***a, não acredito que você fez isso. — Neguei com a cabeça. Ele está pensando que revelei que sou o Robin Hood.
— Não! Não foi bem isso. — Falei. — Eu transei com ela. Ela estava vendada, ok? Ela não viu meu rosto.
— p***a! Você comeu uma mulher como Robin Hood? — Sussurrou. — Eu não sei se eu fico puto ou surpreso de alguém ter coragem de dar pra um hacker perigoso. — Ele riu, baixo.
— Não foi uma vez só. Foram duas. Mas ela não fazia ideia de que era eu, porque minha imagem de “i****a filho do prefeito” aqui é muito boa. Acontece que eu fiz a cagada de trocar uma das aulas pra ficar com ela... Cara, você sabe que eu estou obcecado por essa garota desde que ela entrou aqui. — Ele me olhava incrédulo.
— E aí você pensou com a cabeça do p*u. — Girou os olhos e riu. — Tudo bem, eu faria o mesmo.
— Eu acidentalmente disse uma palavra que o Robin havia dito pra ela. E aí... Ela meio que se ligou. Eu não sei se convenci ela de que não sou o Robin Hood, mas eu preciso fazer alguma coisa.
— O que você vai fazer? — Perguntou.
— Eu estava pensando em levar a Bianca para sair. Sem pretensão. Eu não posso beijar essa garota, ela me reconheceria. — Ele fechou os olhos e respirou fundo.
— E aí você a leva pra sair? Não parece muito inteligente. —Brad disse.
— Não... Eu vou sair com a Bianca como Robin Hood. O telefone dela poderia tocar... E minha voz dizer a nota do trabalho do professor Marcos. Entendeu?
— E você quer minha ajuda pra isso. — Eu concordei com Brad.
— Preciso.
— Como você quer começar isso?
— Eu não faço ideia.
— Eu acho que você não vai conseguir enganar a Bianca por muito tempo. — Respirei fundo ao ouvir. Passei as duas mãos em meu rosto e meu cabelo.
— Eu também acho. Eu não sei o que fazer.
— Pare de entrar em contato com essa garota. Pense em algo para despistar, mas pare de falar com ela. Depois que a gente terminar as coisas, você pode comer essa mina até aqui se quiser. — Ele apontou para a mesa de estudos, onde estava com o notebook.
— Já comi. — Ele arregalou os olhos.
— Você tá brincando? É meu sonho comer alguém aqui, não seu. — Resmungou, rindo.
— Foi m*l, Brad. — Eu ri. — Essa menina me deixa louco. É sério.
— Eu sei disso. Pra você ficar mais louco por ela só falta fazer aquele altar cheio de velas e fotos, manja? — Neguei com a cabeça. — Na verdade, só falta imprimir, porque eu sei que você tem um monte de foto dela salva.
— Ela é bonita. Vai dizer que não faria o mesmo? — Ele deu os ombros.
— Pelo menos você não liga a webcam dela sem autorização. — Concordei com a cabeça.
— Nunca liguei. Só... Uma vez, mas ela sabia, ela soube disso. — Ele deu os ombros mais uma veze balançou a cabeça de forma negativa, rindo. — Foi com consentimento.
Terminamos nossa conversa. Fiquei preocupado com tudo que conversamos, mas não posso perder tempo me preocupando. Saí da biblioteca e vi Bianca com a amiga Marcela, elas conversavam de forma despreocupada, alguma coisa que não dava pra ouvir. Também não posso ficar de stalker dela no momento, tenho muita coisa pra fazer.