Capitulo 12

1081 Palavras
Ângelo nunca imaginou que um simples trabalho em parceria pudesse fazer os seus sentimentos por Laura se tornarem tão intensos. Todos os dias, ele e Laura estavam juntos trabalhando lado a lado, arranjando soluções para as entregas na ilha, discutindo novas formas de ajudar, trocando ideias e gerindo todo o pessoal que estava naquela causa. Mas à medida que o tempo passava, ele sentia que algo mais se estava a formar entre eles. Algo que ele não podia ignorar. Ela era inteligente, decidida, com uma leveza no jeito de falar que o fazia sorrir mesmo nas manhãs mais difíceis. Ângelo nunca tinha sido do tipo de pessoa que se deixava levar facilmente por um olhar ou um gesto, mas com Laura era diferente. Havia uma conexão invisível entre eles, algo que ele sentia em cada risada compartilhada, em cada olhar furtivo trocado quando discutiam um detalhe mais delicado do trabalho. E ainda assim, Ângelo não sabia o que fazer com isso. No início de tudo, ele acreditou que fosse apenas uma atração passageira, uma leve simpatia. Mas à medida que o tempo passava, ele se dava conta de que aquilo não era algo que ele poderia apenas ignorar. Era uma chama que se não fosse alimentada, correria o risco de se apagar ou pior, de se transformar em algo mais complexo do que ele estava pronto para lidar. Numa sexta-feira à noite, depois de uma longa semana de trabalho, eles estavam na sala de reuniões, revisando os últimos detalhes da grande entrega de mantimentos que iriam fazer na próxima semana. O relógio na parede já marcava sete da tarde, e a luz suave da lâmpada sobre a mesa projetava sombras no ambiente. Laura parecia absorta nas suas anotações, mas Ângelo não conseguia desviar os olhos dela. Ele sabia que havia algo a mais entre eles. Era a maneira como ela olhava para ele quando ele explicava algo, a forma como ela sorria quando ele fazia uma piada sem graça, o modo como, sempre que as suas mãos se cruzavam por um instante durante uma troca de papéis, o mundo ao redor deles parecia desaparecer. - Laura - ele chamou, a voz mais suave do que ele pretendia. Ela levantou os olhos, e a expressão tranquila que ela sempre tinha, parecia ainda mais intensa naquela noite. - Eu... Estava pensando... Você gostaria de jantar comigo hoje? Só nós os dois, sem trabalho, sem pressa. O pedido saiu da sua boca como se ele tivesse esperado a vida toda para fazer aquilo, mas com uma pontada de insegurança. Ela o observou por um momento, um sorriso discreto surgindo nos seus lábios. Era como se ela soubesse o que ele estava a sentir, mas ainda assim hesitava. - Eu adoraria - respondeu ela, a suavidade da sua voz causando um calor inesperado no peito de Ângelo Eles saíram juntos sem pressa, caminhando lado a lado até o restaurante onde costumavam almoçar. Mas naquela noite, tudo parecia diferente. As ruas estavam mais silenciosas, o ar mais fresco. Cada passo que eles davam parecia mais significativo, como se estivessem prestes a virar uma página importante nas suas vidas. O jantar foi simples, mas perfeito. A conversa fluiu de forma natural, sem interrupções, como se eles já se conhecessem há muitos anos. Mas a cada olhar, Ângelo sentia o seu coração acelerar um pouco mais. Ele tentava se concentrar nas palavras de Laura, mas era difícil não perceber o calor da proximidade dela. Quando o jantar chegou ao fim, e a noite se estendeu até um céu cheio de estrelas, eles começaram a caminhar em direção ao estacionamento. O silêncio entre eles estava carregado de algo que eles não diziam, mas ambos sabiam. Enquanto caminhavam em para o estacionamento, Ângelo sentia a ansiedade tomar conta de seu peito. Algo no ar parecia diferente, mais intenso. Ele olhou para Laura, que caminhava ao seu lado com o passo tranquilo, mas o olhar atento. A luz suave das estrelas refletia nos seus olhos, e o vento da noite acariciava os seus rostos, criando uma sensação quase mágica, como se o tempo tivesse desacelerado. Quando chegaram ao carro, Ângelo hesitou por um momento antes de olhar para Laura. Ele queria estender aquela noite, fazer com que ela não acabasse tão cedo. Finalmente, sem pensar muito, disse: - Gostarias de dar uma volta? Podemos ir até a praça central, tomar um gelado... Laura sorriu, um sorriso que parecia esconder algo, mas ao mesmo tempo transmitia uma curiosidade silenciosa. Ela concordou, e os dois seguiram para a praça. O caminho estava tranquilo, a cidade parecia adormecida, mas a praça ainda exibia uma vida serena, com as luzes suaves refletindo no chão de pedras. Eles chegaram até a pequena sorveteria, e Ângelo comprou dois gelados, um de morango e o outro de chocolate, como se fosse um gesto simples, mas carregado de significado. Sentaram-se num banco debaixo de uma árvore antiga, as suas sombras desenhando formas no chão iluminado pelas lâmpadas suaves. O silêncio entre eles era agora confortável, mas carregado de algo indefinido. Os olhos de Ângelo se encontraram com os de Laura, e, por um breve momento, o mundo à sua volta pareceu desaparecer. Com a respiração mais pesada, Ângelo sentiu o coração bater mais rápido. Ele sabia o que estava prestes a acontecer, mas não podia controlar o impulso que o fazia aproximar-se dela. O gelado, agora derretido, já não importava mais. Ele olhou para os lábios de Laura, que estavam ligeiramente entreabertos, como se ela também estivesse sentindo a mesma coisa. Laura foi a primeira a se inclinar um pouco para frente, um gesto tão subtil que quase passou despercebido. Mas para Ângelo, foi o sinal que ele esperava. Ele se aproximou lentamente, e os seus olhos se fecharam antes que os seus lábios se tocassem. O beijo foi suave no início, uma troca de carinho tímido, mas logo se tornou mais intenso, como se ambos tivessem esperado por aquilo por muito tempo. Era como se aquele momento tivesse sido escrito no destino deles, algo que, mesmo sem saber, os dois haviam desejado sem palavras. Quando se separaram, o silêncio entre eles agora estava repleto de significado. Eles sabiam que algo havia mudado ali, algo que não seria mais apagado. Ângelo sorriu, e Laura fez o mesmo, mas nenhum dos dois falou. O gelado, as estrelas, e a praça ao redor eram apenas testemunhas silenciosas de um momento que, sem dúvida, ficaria guardado na memória de ambos para sempre.
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