A liberdade não chegou como explosão. Ela veio em silêncio. Veio no dia em que acordei e percebi que não precisava mais saber onde Arthur estava, com quem falava ou o que tentava salvar. Veio quando o telefone tocou menos. Quando os passos na casa já não me causavam tensão. Quando o nome dele deixou de provocar reação imediata no meu corpo. A queda tinha terminado. O que restava era o depois. Arthur não foi preso. Não foi absolvido. Não foi destruído como os inimigos esperam que vilões sejam. Ele foi esvaziado. O império Alencar sobreviveu em partes menores, fragmentadas, descaracterizadas. Sem o brilho de antes. Sem o poder absoluto. Sem o medo que sustentava tudo. Conselhos assumiram o controle. Investigações seguiram seu curso lento. A verdade nunca veio inteira a público — nun

