O Dia em Que Tudo Para

1708 Palavras

O dia não começou com dor. Começou com uma sensação estranha de pausa, como se o corpo tivesse decidido reduzir o ritmo do mundo para caber no que estava prestes a acontecer. A luz da manhã atravessava a cortina em faixas finas quando acordei, o coração batendo num compasso diferente do habitual. Arthur dormia ao meu lado, inquieto mesmo em repouso, como se o medo tivesse aprendido a ocupar o espaço do descanso. Levantei devagar. O primeiro passo foi cauteloso. O segundo, pesado. No terceiro, a contração veio. Não foi um choque. Foi profunda, longa, silenciosa. Uma pressão firme que me obrigou a parar, apoiar a mão na parede e respirar com atenção total. Não havia pânico. Havia certeza. Quando a contração passou, eu já sabia. — Arthur — chamei, sem elevar a voz. Ele acordou de ime

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