O Medo Que Não Controla

1023 Palavras

Arthur começou a confundir cuidado com vigilância. Não era uma mudança brusca. Foi gradual, quase imperceptível, como tudo que nasce do medo. Passou a acordar antes de mim, a conferir se eu estava respirando bem, a perguntar se eu tinha comido, se tinha dormido, se sentia qualquer coisa fora do lugar. Perguntas demais, atenção demais, presença demais. — Eu estou bem — repetia. — Só estou me certificando — ele respondia. Certificar não é cuidar. É fiscalizar. Naquela manhã, ele cancelou compromissos novamente. Falou ao telefone com o jurídico, com o médico, com alguém da segurança. Tudo sem me consultar. Tudo “por mim”. — Você não precisa reorganizar o mundo — falei, sentada na beira da cama. — Precisa reorganizar o jeito como se relaciona comigo. Arthur suspirou. — Eu quase te perd

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