A confiança de Arthur foi o meu primeiro espaço de manobra. Ele não anunciou. Apenas começou a sair mais cedo e voltar mais tarde, como fazia antes de tudo desmoronar. Reuniões, jantares, compromissos “inadiáveis”. Helena passou a supervisionar menos. Não porque confiava em mim, mas porque acreditava que o trabalho dele bastaria para me manter no lugar. Ela sempre subestimou o silêncio. Naquela manhã, acordei com uma pressão estranha no peito. Não era dor. Era alerta. Algo dentro de mim sabia que o equilíbrio frágil daquela casa estava prestes a romper. Desci para o café sozinha. Nenhuma funcionária. Nenhuma vigilância visível. Apenas o relógio marcando um tempo que já não me pertencia. Meu celular vibrou. Miguel. “Consegue falar?” O coração acelerou. Não respondi de imediato. Obse

