A Linguagem da Culpa

1081 Palavras

Arhur mudou depois daquela conversa. Não foi algo visível para quem olha de fora. Continuava educado, presente, controladamente afetuoso. Mas eu conhecia cada silêncio dele. Cada pausa estratégica. E agora ele falava comigo como quem conduz alguém cansado demais para resistir. — Você não dormiu bem — disse pela manhã, servindo café como se fosse um ritual doméstico normal. — Dormi o suficiente — respondi. — Não parece. — Ele pousou a xícara à minha frente. — Estresse não faz bem para o bebê. Era sempre assim. Nenhuma acusação direta. Nenhuma ordem explícita. Apenas frases embaladas em cuidado que terminavam sempre no mesmo ponto: culpa. — O médico não disse isso — falei. — Eu li bastante — respondeu. — Passei a noite pesquisando. Não questionei. Aprendi rápido que confrontá-lo de f

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