Arhur mudou depois daquela conversa. Não foi algo visível para quem olha de fora. Continuava educado, presente, controladamente afetuoso. Mas eu conhecia cada silêncio dele. Cada pausa estratégica. E agora ele falava comigo como quem conduz alguém cansado demais para resistir. — Você não dormiu bem — disse pela manhã, servindo café como se fosse um ritual doméstico normal. — Dormi o suficiente — respondi. — Não parece. — Ele pousou a xícara à minha frente. — Estresse não faz bem para o bebê. Era sempre assim. Nenhuma acusação direta. Nenhuma ordem explícita. Apenas frases embaladas em cuidado que terminavam sempre no mesmo ponto: culpa. — O médico não disse isso — falei. — Eu li bastante — respondeu. — Passei a noite pesquisando. Não questionei. Aprendi rápido que confrontá-lo de f

