A ideia não nasceu como plano. Nasceu como impulso. Foi numa manhã comum, daquelas em que o silêncio da casa parecia pesado demais para ser suportado. Arthur tinha saído cedo, uma reunião fora da cidade, retorno previsto apenas à noite. A funcionária estava na cozinha. O motorista, no pátio. Tudo parecia normal. Normal demais. Sentei na beira da cama e encarei a mala pequena no armário. Não uma mala de fuga. Uma mala de fim de semana. Nada chamativo. Nada que parecesse definitivo. Meu coração acelerou, mas não por medo. Por urgência. — Só algumas horas — pensei. — Só para respirar. Peguei documentos básicos, um pouco de dinheiro, o celular. Não levei roupas extras. Não levei lembranças. Levei o essencial. Como quem testa o mundo antes de decidir se ainda cabe nele. Desci as escada

