Tommaso
Abri os olhos repentinamente assim que ouvi os passos leves no quarto. A Giovanna me olhou confusa, parando no meio do quarto. Esfreguei a nuca, a exaustão me puxando. Apertei os olhos para recobrar a consciência. Não conseguia relaxar em hotéis. Era por isso que raramente saía do meu castelo em Secília. Pelo menos lá eu estava seguro.
— Se pretendia me matar enquanto eu dormia, devo dizer que o meu sono é leve. — Me ergui em um pulo e notei que eram quatro da manhã. — Hora de irmos.
A Giovanna não falou nada ou protestou, enquanto fazia os preparativos para irmos para minha casa. Dei a ela um casaco. Seu decote estava exposto demais.
Saímos do quarto, e uma silenciosa Giovanna andou calmamente ao meu lado. Seu comportamento quieto me incomodou. Ela não deveria estar gritando e entrando em pânico agora? Jogando algo na minha cabeça? Tentando matar a mim e aos meus homens? O instinto que me manteve vivo por quase trinta e um anos gritou dentro de mim, me dizendo para ficar de olho nela. Ela estava tramando algo.
Eu sufoquei um sorriso. O que quer que ela planejasse, eu estaria pronto. Ela não teria chance.
Minutos depois, chegamos no estacionamento. Enquanto caminhava até o carro, me certifiquei de que Giovanna estava logo atrás de mim com David em seu encalço. Meu carro estava esperando, então eu agarrei seu braço para puxá-la em direção a ele – e senti uma dor aguda na minha mão.
— Maldita! — Eu assobiei. Ela me esfaqueou com uma caneta, a ponta agora cravada em minha carne. Eu vociferei e arranquei a coisa da minha pele, jogando-a no chão. Essa vaca desgraçada.
Giovanna saiu correndo no segundo que teve a chance, mas não era párea para David, que ainda corria diariamente. Eu nem tinha terminado de limpar o sangue na minha mão antes que ela fosse arrastada de volta para o meu carro.
— Me ajude! — Ela gritou para as pessoas em volta — Ajuda! Estou sendo sequestrada.
Meus homens riram. Ninguém em um raio de oitenta quilômetros ajudaria uma pessoa reclamando de sequestro aqui. Todos eles sabiam bem. Abri a porta traseira do carro. — Vá para dentro, Giovanna.
Dei a volta para o outro lado, a fúria queimando dentro de mim, até quase esganar ela. Ela tinha me envergonhado na frente dos meus homens. Extraiu meu sangue e me fez parecer fraco.
Ela pagaria por isso quando chegássemos em casa.
Ela lutou com David, mas foi em vão. Logo ela foi empurrada para dentro ao meu lado e o carro acelerou.
— Nós leve ao chalé. — David me olhou confuso do banco ao lado do motorista.
— Mas Tom…
— Para a p***a do chalé.
David fez o que mandei. Avisando da mudança de rota aos seguranças por telefone.
— Eu não vou me desculpar, — disse Giovanna, como uma criança petulante.
Pela primeira vez, não tentei parecer civilizado. Em vez disso, deixei-a ver a escuridão que eu normalmente mantinha escondida.
— Bom, porque estou ansioso para puni-la.
Ela engoliu em seco e se concentrou no cenário. Quinze minutos depois, chegamos ao Chalé que eu detinha sob o meu poder. Nem meus pais sabiam o endereço daquela propriedade que eu havia comprado.
Quando o carro parou em frente à entrada de pedra, não me mexi. —Deixe-nos. — eu disse a David e meu motorista. As portas se fecharam e Giovanna pulou, uma coelhinha assustada. Inclinei-me ligeiramente em direção a ela. — Você sabe minha parte favorita desse chalé antigo?
— Não. — ela disse, sua voz falhando.
— Nem mesmo um palpite?
— A decoração ridícula?
Sorrindo, eu saí e dei a volta para o lado dela. Assim que a puxei do carro, me inclinei.
— Minha parte favorita deste chalé é o porão, que mais parece uma masmorra dos tempos medievais.
Ela engasgou. Minha paciência acabou, eu não dei a ela a chance de correr. Em vez disso, eu a puxei por cima do ombro e comecei a caminhar em direção à entrada dos fundos que levava abaixo do solo.
Ela instantaneamente começou a se debater, suas pernas chutando freneticamente.
— Coloque-me no chão! Pare! Eu maníaco! Seu louco!
Eu a ignorei e continuei.
— Pare! Ou quando eu me soltar, eu vou matar você. E desta vez não vou usar a caneta.
Comecei a rir assustadoramente.
— Você não vai ter uma chance, querida.
— Não por favor. Eu não posso entrar em uma masmorra. Não me leve para lá. Por favor, senhor Giordano.
Senhor? Isso era novo.
Mas eu estava louco, além do pensamento racional. Usávamos a masmorra para negócios, embora eu preferisse não matar pessoas em minha terra. Fez muita bagunça. Giovanna poderia cozinhar em uma das celas úmidas por algumas horas, então ela poderia ser mais receptiva à minha hospitalidade.
No momento em que abri a porta pesada, ela estava chorando.
Bom. Talvez isso a ajudasse a aprender seu lugar.
— Por favor, senhor. Eu não posso... você não pode me colocar aqui embaixo.
As solas dos meus sapatos arranharam a pedra velha enquanto eu descia. A desesperança sacudiu as paredes, enquanto sangue e desespero pairavam no ar - dois aromas familiares que nunca deixavam de me agradar. Eu tinha feito coisas terríveis neste lugar. Sempre agindo através do medo e da intimidação, da ira e da tortura.
Agarrando um molho de chaves do gancho ao lado da porta, caminhei até a cela mais próxima. As barras de ferro eram impossíveis de escapar, embora muitos tivessem tentado. Correntes estavam embutidas na parede, mas eu não achava que isso fosse necessário com ela. Ainda não, pelo menos.
Eu a coloquei de pé. Lágrimas marcaram suas bochechas e seus olhos estavam selvagens enquanto ela agarrava meu blazer.
— Por favor. Não faça isso. Eu vou literalmente enlouquecer.
Esta geração. Tão dramática pra c*****o.
Eu a afastei e dei um passo para trás, minha intenção clara. Um líder nunca mudava um pedido depois de feito. Nunca mostramos fraqueza ou remorso. Eu ganharia vantagem com essa mulher e ela entraria na linha.
Saí da cela e fechei a pesada porta de metal antes que ela pudesse passar por ela. Quando fechou, ela balançou a cabeça, o pânico a fazendo tremer. Ela agarrou as barras de ferro.
— Por favor, senhor. Não faça isso. Farei o que você quiser. Serei boa.
As palavras fizeram meu p*u se contorcer enquanto eu a imaginava de joelhos sendo muito boa para mim.
Tinha que haver um círculo especial do inferno para um homem que tinha pensamentos impuros sobre a noiva de seu irmão.
— O que eu quiser?
— Sim. Eu prometo.
— Até t*****r comigo?
Seus olhos estretaram. O desespero dominando o seu rosto.
— O que você quiser.
Aquilo era tentador demais, até para mim. Talvez eu aceitasse, mas antes eu precisava fazê-la saber quem manda.
Com uma torção furiosa do meu pulso, tranquei a porta com a chave velha. Acima do solo, podemos ter ido para a alta tecnologia, mas o medieval funcionou perfeitamente bem aqui.
— Talvez isso ensine a você quem detém o poder nesta casa, pirralha.
Ela sacudiu as barras com um grito de dor e por um breve momento eu reconsiderei, algo que eu quase nunca fazia.
Um Giordano não pode mostrar fraqueza.
Meu pai tinha perfurado isso na minha cabeça por anos, quase desde o nascimento. Estava no nosso sangue, na nossa história.
Nós nunca nos dobramos, o que significava que não haveria misericórdia, nem mesmo para ela.
Eu girei e fui para a saída.
— Aproveite sua estadia.