Elisie Bellamy A primeira coisa que percebo ao acordar é a escuridão. Não é completa, mas ainda parece que é madrugada. O quarto está envolto em sombras suaves, quebradas apenas por uma faixa pálida de luz que entra pelas cortinas grossas. Pisco algumas vezes, ainda presa neste estado confuso entre o sono e a vigília, sentindo o corpo pesado demais para se mover de imediato. Bocejo baixo e viro o rosto devagar, vendo Lucien dormir ao meu lado. Está de bruços, os braços dobrados sob o travesseiro, o rosto parcialmente escondido. O lençol cobre apenas as pernas dele, e o peito sobe e desce num ritmo calmo, profundo. Ele parece distante de tudo, como se o mundo inteiro pudesse ruir lá fora e, ainda assim, nada o acordaria. Essa imagem me prende por alguns segundos. Antes de fechar os ol

