Jogador Eu volto devagar. Não é um voltar bonito, não é acordar leve, não é aquele despertar de filme. É como se eu tivesse atravessando um túnel escuro demais, com o corpo pesado, a cabeça zunindo e um gosto amargo na boca que parece ferrugem misturada com remédios. Primeira coisa que eu sinto é dor. Não uma dor só. São várias em vários lugares. A minha perna lateja como se alguém tivesse enfiado um ferro quente lá dentro e esquecido. O peito aperta. A cabeça dói por dentro, como se estivesse inchada. Minha boca tá seca pra c*****o, parece que eu mastiguei areia. Abro os olhos com dificuldade. A luz entra rasgando tudo. — p***a… — murmuro, a voz falhando, rouca, quase inexistente. O teto branco aparece primeiro. Depois as paredes conhecidas. Meu quarto. Minha cama. O cheiro… anti

