Sayuri Quando cheguei na porta, os dois vapô de plantão me olharam espantados. Um deles era o Juninho, que me conhece desde sempre, o outro era um mais novo que eu só vi de longe. Os dois congelaram, rádio na mão, como se eu fosse um fantasma. Eu nunca vim aqui sozinha. Nunca. O QG é território dele, dos homens dele, das paradas que eu finjo que não vejo. Mulheres entram, sim, mas as que são “de passagem”, as que vêm pra festinha ou pra resolver dívida. Não a enteada. — Sayuri…? — o Juninho gagueja. — Que parada é essa, cria? O que tá fazendo aqui, pô? Eu engulo em seco, aperto a cesta contra o peito. — Vim trazer uma coisa pro… pro Jogador. Eles se entreolham. O mais novo pega o rádio, mas antes que ele fale qualquer coisa, eu já tô passando pelo portão. Não espero permissão.

