Capítulo 10

1586 Palavras
Levei o copo de whisky a boca enquanto escutava a Elena cantarolar. - Bebemos a mesma quantidade, não é possível que esteja bêbada. - murmurei observando a minha companheira de copo sorrir de modo bobo enquanto pedia por mais uma dose. - Eu não quero mais, se eu ficar bêbada não conseguirei voltar para casa. - Bom, eu não acho que você tenha um lugar para voltar depois do que aconteceu na festa. - Elena comentou baixinho enquanto encarava o copo a sua frente que o barman fez questão de encher. Eu sabia que o Kevin não gostaria da minha apresentação que claramente o chamava de traidor e que ele associaria sua demissão a mim, mas eu poderia lidar com sua fúria por alguns dias, não seria nada do que eu não pudesse aguentar. - Vai ficar tudo bem. - murmurei dando de ombros tentando me convencer do que havia dito. - Talvez não fique... - Elena pegou seu celular e o estendeu para mim, apesar de não entender o peguei e passei a assistir o vídeo que estava sendo exibido. Engoli a seco quando entendi do que se tratava. - Elena Marie Woods, - pronunciei seu nome pausadamente. - O que diabos você fez? - Bom, para resumir... - ela bebeu todo o líquido do copo antes de continuar a falar. - Eu não precisei do seu pen-drive. - ela o estendeu para mim me devolvendo. - Quando entrei no computador do Kevin vi que ele como porco imundo que é já havia mandado fotos e marcado encontro com muitas colegas de trabalho, até mesmo com a mulher do supervisor, não era bem a do chefe mas achei que se todos vissem no grande telão iria ser tão impactante quanto. - abri a boca incrédula sem saber o que dizer. - Este é o momento em que você me odeia por fazer isso, mas eu estava cansada de ver aquele babaca sacaneando você e quando me deu a oportunidade de fazer algo mínimo para destrui-lo eu me empolguei Emily, você não pode me culpar por... - Eu te amo! - interrompi sua divagação a abraçando repentinamente, a apertei em meus braços fechando meus olhos, logo senti um beijo ser deixado em minha testa. - Eu te afastei tanto para não ter problemas com o Kevin, que eu acabei me esquecendo que a única pessoa no mundo de quem eu não deveria ficar longe era você. - Desculpe não te proteger de tudo. - neguei com a cabeça enquanto me desvencilhava dela suavemente, eu nunca culpei a Elena por nada do que aconteceu comigo, era exclusivamente minha culpa fazer uma péssima escolha para marido. - Eu te amo minha pequena. Sorri para ela me sentindo grata por não estar completamente sozinha, saber que eu sempre teria ela e o Justin tornava a decisão de me divorciar menos assustadora, e mesmo que eu tivesse medo de não ser ninguém e nunca ser amada novamente eu preferia isso a ter que passar mais um dia casada com um homem asqueroso. Mesmo que não quisesse ficar bêbada decidi tomar mais uma bebida apenas para ficar um pouco mais ao seu lado, eu não percebi o quanto sentia sua falta até tê-la ali ao meu lado contando sobre como foi seu encontro desastroso com um cara de bigode grande que ficava sujo a cada vez que ele comia. ... Depois de duas horas eu decidi que precisava colocar a Elena num táxi para casa mas antes que eu pudesse fazer algo seu encontro desastroso simplesmente apareceu depois que ela o ligou e a levou embora aos tropeços. Suspirei alto pagando a conta e me levantando para sair, eu estranhamente me sentia leve, como não me sentia há um bom tempo, na verdade eu sequer me lembrava a última vez que saí para beber e dei boas risadas ouvindo histórias desastrosas. Mas havia uma sensação esquisita em meu peito, eu me sentia culpada, não por arruinar a vida do Kevin, mas pelo Luke, uma parte de mim não conseguia parar de pensar em como ele ficou m*l com o sumiço da Jane. Quando me dei conta estava caminhando há muito tempo e o meu destino acabou me surpreendendo, batendo na porta esperei pacientemente que ela fosse aberta. - O que você está fazendo aqui? - Justin perguntou surpreso. - Você não ia a festa do Kevin? - Eu preciso da gata. - murmurei ignorando sua outra pergunta e o fato de já ser tarde. - Emily, são quase meia noite. - Justin resmungou e só então notei que ele estava com um pijama rosa e que não estava sozinho em casa pois havia uma voz masculina ao fundo. - Desculpe aparecer assim, mas eu preciso muito da gata de volta. - ele concordou com a cabeça e me deixando ali sumiu por alguns instantes até que retornou com a Jane em seus braços. - Justin... - murmurei assim que a coloquei em meu colo. - Você é o meu melhor amigo, e eu te amo muito. Ele franziu a testa enquanto um sorriso confuso surgia em seus lábios, dando dois passos para frente o abracei apertado e beijei sua bochecha. - Divirta-se. - falei antes de ir embora. Os saltos estavam machucando meus pés e como o meu destino estava longe decidi carregá-los na mão e caminhar sem pressa até a casa da Luke. - Você tem um ótimo dono mocinha, ele ficou m*l sem você. - a gata miou em resposta como se tivesse entendido algo. - Me desculpe por tê-la envolvido no meu plano sórdido, você não tem nada a ver com isso, e nem o Luke... - parei um pouco para refletir nas minhas palavras. - Talvez ela tenha um pouquinho de culpa nisso, mas mesmo assim não merece sofrer sem você. - a gata miou novamente concordando com minhas palavras. - É bom conversar com quem me entende. - a trouxe para perto do meu rosto e beijei o topo de sua cabeça peluda. Eu não fazia ideia de que horas eram mas a rua estava completamente deserta e as luzes da casa do Luke estavam apagadas, mesmo assim caminhei até a porta e arrisquei bater algumas vezes até que uma luz dentro da casa se acendesse. Ouvi o barulho de passos até que a porta foi aberta por um sonolento e descabelado Luke que coçava os olhos com o punho. - Mas o que você está fazendo aqui? - com um sorriso trêmulo estendi a gata no ar para que ele pudesse pegar. - E-Eu não acredito! - Achei que gostaria de vê-la. - murmurei meio sem jeito esperando que ele a pegasse. Luke simplesmente pegou a Jane e me puxou junto me enfiando em um abraço apertado, sem ter o que fazer apenas o abracei de volta e fiz carinho em suas costas enquanto ele chorava. Mas dessa vez meu coração estava aliviado pois sabia que era de felicidade. - Melissa, como que... - ele se desvencilhou mantendo somente a gata no abraço onde ele a beijou várias vezes. - Muito obrigada! - sorri para ele dando de ombros quando seus olhos banhados de lágrimas me fitaram. - Eu não tenho palavras suficientes para te agradecer. - Não precisa agradecer. - murmurei coçando a nuca dando um passo para trás. - Bom, eu já vou indo... - Não! - Luke falou rapidamente me impedindo de caminhar até a porta, ele sorriu sem graça colocando a gata no chão e ajeitando seus cabelos com as mãos. Eu particularmente achava muito mais fofo ele todo desgrenhado como a juba de leão do que todo arrumadinho mas preferi guardar aquele pensamento para mim. - Sei que é tarde, mas posso te oferecer uma xícara de café como agradecimento por trazer a Jane de volta para mim? - hesitei por alguns instantes não considerando uma boa idéia, os olhos de Luke recaíram sobre meu corpo por alguns instantes antes de voltar aos meus olhos. - Você estava numa festa? - Algo do tipo. - murmurei não querendo entrar em detalhes. - E sim, eu aceito o café. - Perfeito, pois eu adoro tomar café com você. - o vi caminhar para a cozinha então prontamente a segui. - Eu sinto como se nos conhecêssemos há muito tempo, você é o tipo de pessoa que torna o dia de qualquer um melhor. Acabei ficando sem jeito diante de sua declaração, eu havia roubado seu gato e ele estava sorrindo para mim exibindo aquelas adoráveis covinhas. - Depois que você foi embora o cara com quem estou acabou aparecendo por aqui e discutimos feio pois eu não tinha mais cabeça para ir numa festa do seu trabalho depois dele ter agido como um babaca insensível... - o ouvi tagarelar enquanto me servia uma xícara de café e colocava cookies em um prato a minha frente. - Você que m*l me conhece fez muito mais por mim do que ele. - senti sua mão suavemente cobrir a minha e fazer um carinho ali. Luke me olhava com tanta delicadeza e carinho que eu acho que era a primeira vez em anos que eu me sentia realmente vista por alguém. O fato dele ser amante do meu marido naquele momento não parecia pesar tanto mas o modo como meu coração se acelerou começou a me fazer questionar se talvez eu não estivesse começando a simpatizar com o homem do inimigo. Isso não podia acontecer em hipótese alguma, o plano ainda precisava dar certo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR