11: Poeira de vidro

510 Palavras
A euforia da nova sociedade era como um sol de inverno: brilhante, mas ainda incapaz de aquecer o solo congelado por completo. Sofia e Daniel alugaram um espaço modesto no Queens — um antigo armazém de tijolos aparentes que cheirava a café e esperança. Ali, a “Fundamento” não tinha secretárias de terno ou mármore italiano, mas tinha algo que a Castello & Vandyke nunca teve: oração antes de abrir as plantas. — Você está muito quieta hoje — comentou Daniel, enquanto organizava as ferramentas de medição sobre a mesa de madeira rústica. Sofia olhava para o reflexo da rua na vidraça. — Eric está em silêncio demais, Daniel. E no mundo dele, silêncio significa que ele está carregando a a**a. — "Não andeis ansiosos por coisa alguma" — Daniel citou, aproximando-se e pousando as mãos nos ombros dela. — O que quer que ele tente, ele não está lutando apenas contra nós dois. Ele está lutando contra o que Deus decidiu erguer. Mas a paz foi interrompida pelo som metálico de um envelope sendo passado por baixo da porta de metal. Não era um envelope comum. Era um dossiê com o selo de uma firma de advocacia internacional de Londres. Sofia o pegou. Seus olhos percorreram as páginas rapidamente. — Daniel... o que é isso? Daniel olhou para o documento e sua expressão mudou. A serenidade que Sofia tanto admirava deu lugar a uma palidez rígida. O documento era um "Aviso de Reabertura de Inquérito". Alguém em Londres estava contestando a condicional de Daniel, alegando que novas evidências de corrupção haviam surgido sobre o colapso da viga doze anos atrás. — Ele foi direto na ferida — sussurrou Daniel. — Eric não quer apenas me tirar da obra do museu. Ele quer me mandar de volta para a prisão. — Mas você disse que foi um erro técnico! — Sofia exclamou, sentindo o pânico subir. — E foi. Mas o inquérito diz que houve suborno para aprovar o material de baixa qualidade. Sofia, eu nunca recebi um centavo de suborno. Eu fui negligente, sim, mas eu não fui corrupto. O telefone de Sofia vibrou. Uma mensagem de Eric: "As fundações de um homem justo não servem de nada se ele é um criminoso internacional, Sofia. Devolva-me o contrato do museu e eu garanto que os advogados de Londres percam o interesse. Você tem 24 horas." Sofia olhou para Daniel. A "lua de mel" espiritual tinha acabado. A realidade do conflito espiritual e jurídico estava batendo à porta. — Ele quer uma troca — Sofia disse, a voz trêmula. — A sua liberdade pelo meu museu. Daniel olhou para a Bíblia aberta sobre a mesa, no Salmo 37: *"Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará"*. — Nós não faremos trocas com o inimigo, Sofia — Daniel disse, embora sua voz estivesse carregada de um peso humano imenso. — Se eu tiver que voltar para Londres para enfrentar as mentiras, eu irei. Mas nós não vamos construir este museu sobre um pacto com Eric Vandyke.
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