Dezesseis

1527 Palavras
— O que? Eu não acredito que você fez isso! — como sempre Yoongi reagia de forma exagerada às minhas decisões. — Qual o problema? Ninguém deu a mínima. — e em sinal disso, eu dei de ombros com uma expressão serena estampada em minha face. Ele me olhou desconfiado. A gente estava no meu novo apartamento. Eu tinha decidido me mudar e morar sozinho de vez. Mesmo que meus pais nunca estivessem em casa seria mais confortável para nós dois desse modo e eu já podia começar a colocar em prática o meu plano de fazê-lo morar comigo muito em breve. — Tem certeza? Eu não quero atrapalhar a sua relação com seus pais, Kookie. — Yoongi mordiscou o lábio, mostrando o quão preocupado estava com a situação. Ele estava mesmo insistindo nesse ponto desde cedo, mesmo sabendo que o meu relacionamento com os meus pais era o mais distante possível desde o meu nascimento. Eu nunca nem sabia quando eles estavam pela cidade ou não, mas eu entendia a preocupação do meu namorado. Apesar do descaso, a gente não se odiava no fim das contas. Eu tinha aprendido a lidar com a negligência do amor paterno e materno desde cedo. De qualquer forma, eu já era um adulto. As coisas eram diferentes agora. Fazia muito tempo que eu tinha deixado de ser aquela criança chorona, desesperada pelo mínimo de atenção dos seus pais e a minha decisão já estava tomada. Eu não ia voltar atrás. Eu escolhi ficar onde eu achei amor de verdade. Com ele. — Yoongi, relaxa. Você acha que eles ficaram surpresos depois de me darem um apartamento? Era o esperado, certo? — Seria. Só que você disse a eles que estava saindo de casa porque eles tinham sido uns escrotos comigo, seu babaca. — vociferou seu argumento. Eu comecei a rir da cara dele e o agarrei, lhe puxando para o sofá. Meus pais não deram mesmo a mínima quando contei a eles a minha decisão por telefone e eu expliquei direitinho que pretendia morar com o Yoongi e que não tinha gostado nem um pouco do jeito que eles o haviam tratado naquele jantar. E o pior era que eu nem tinha me dado conta, porque eu estava acostumado à indiferença deles e achei que aquilo não era ofensivo aos outros. Em minha cabeça eles apenas me irritavam como pais. Expliquei o tipo de pessoa que o Yoongi era e que era inadmissível alguém não gostar dele, ainda mais por motivos tão fúteis, e no final pedi que eles jamais voltassem a fazer nada que pudesse afastá-lo de mim novamente. Yoongi era a minha pessoa certa. Não importava o que eles pensassem. Como esperei, não houve nenhuma resistência, explicação ou pedido de desculpas. — Minhas babás não me ensinaram a mentir. Agradeça por isso, porque agora você tem um homem de ouro, super honesto. — ele ainda me encarava irritado, não importava quantas gracinhas como aquela eu soltasse. — E vamos ter mais privacidade aqui também. Por mim você já podia se mudar agora. Não quer sair daquele hotel? — Claro que eu quero, mas eu não vou morar com você aqui. — falou como se fosse óbvio demais e por não ser e isso estar bem claro na minha expressão, ele continuou: — O que eu ganho no restaurante não dá pra muita coisa, Jungkook. — Ei, eu não te pedi dinheiro algum. Desculpa, Yoongi, mas a minha mesada é maior do que o seu salário anual. — confessei meio receoso. Ele revirou os olhos. — p**a merda, como eu fui me apaixonar por você, heim? Isso me irrita pra c*****o. — ele estalou a língua. — Eu não vou viver do dinheiro dos seus pais, se é o que planeja. Você é tão s*******o na maioria das vezes, Jeon Jungkook. Pensa um pouco antes de falar tanta bobagem. — O dinheiro é meu. — revidei. — Eu sou filho único, quem você acha que vai herdar tudo? A gente obviamente não vai ter filhos, quer dizer, isso é conversa para depois, ainda somos muito novos. — divaguei. — Concordo... Mas apenas com a parte dos filhos. — continuou ao ver o meu sorriso crescer. — Você não entende? Nem se eu vivesse mil vidas esbanjando, os Jeon iam conseguir gastar tudo. Então o melhor é fazer uso. — Não dá, eu sinto como se eu estivesse dando o golpe do baú em você. — caiu na gargalhada, finalmente lidando com tudo com humor. — Ai que idiota... É só me pagar com sexo. — zombei. — Eu ia adorar. — cheirei seu pescoço e ele arrepiou-se. — Impossível, Jungkoookie, desse jeito é você que ia ficar me devendo na terceira transa. — se supervalorizou e eu não pude negar. Yoongi era inestimável. Ele me lançou um olhar sedutor, estreitando os seus olhos já apertadinhos e eu deslizei as mãos para a sua lombar, mas tinha que deixar a conversa séria. Eu sabia que certos assuntos o deixavam desconfortável e eu ia tocar em um deles bem agora. — Então, vamos fazer outro trato. — comecei. — Você presta o vestibular, estuda gastronomia, como quer, e se torna um grande chef. Aí você abre o seu próprio restaurante e nós poderemos dividir todas as contas, até a do condomínio. Acha justo agora? — Você sonha demais... — me encarou corado. — Mas eu topo. — Isso quer dizer que você vem morar comigo? — Eu venho se eu entrar na faculdade. Que tal? — contrapropôs. — Okay, não vou ser ganancioso. — o abracei apertado. — Dorme comigo hoje? — me deixei levar muito fácil pelo seu calor e todos os sentimentos que me inundavam ao abraçá-lo. — Está com medo já na primeira noite? — zombou. — Eu estava pensando em inaugurar a cama e quem sabe outros cômodos interessantes. O apertei e ele ficou estranhamente quieto e corado. Yoongi mordeu o seu lábio e me encarou, voltando a ser o garoto decidido que eu conhecia e tanto amava. — Agora eu realmente me imagino morando com você no futuro, Kookie. — escondeu o rosto no meu pescoço. — Eu nem sei se vamos dar certo mesmo... — Isso vemos com o tempo, não agora. Acariciei seu rosto, sendo atencioso com o seu medo. Eu não pretendia deixá-lo nunca, mas o futuro era sempre incerto. No momento, eu queria fazer com que Yoongi não tivesse medo do nosso presente e o deixasse passar. — Eu sei, mas é porque sempre que eu penso na nossa situação, parece tão impossível. — Porque você é uma mistura bem estranha de um cara orgulhoso e um cara que se sente inútil. — joguei na sua cara. — Eu achei que já tínhamos passado por cima disso. Eu tenho dinheiro, — revirei os olhos como se aquilo não fosse grande coisa. — então, vamos aproveitar isso. Eu não acho que você está comigo por isso e nem me sinto acima de você por isso. Eu não fiz nada para ter essa vida, foi só sorte de nascimento e os meus pais são bem parecidos com os seus no fim das contas. Ele abaixou os olhos meio entristecido. — Yoongi, você já passou por tanta coisa, se permita ser feliz e me deixe fazer parte disso. Eu sou louco por você, já notou né? Claro. — lhe mostrei um sorriso apaixonado, mas quase todos os meus sorrisos para ele eram assim. — Eu também sou louco por você, Kook, mas... — Não. — fiz uma cara frustrada ao interrompê-lo. — "Mas" serve para anular a afirmação da sentença anterior e eu já escutei tantos "nãos" seus. Ele suspirou derrotado e segurou meu rosto, me encarando com a sua cara de tédio de sempre. — Okay, você sempre consegue o que quer, não é mesmo? — se deu por vencido, mas em troca me castigou com uma deliciosa mordida no lábio. — Me ajuda a estudar então? — Claro, amor. Seria mais fácil se você morasse aqui, assim a gente ia ter mais tempo. — me arrisquei. — Oh, você é tão insistente. — bateu no meu ombro. — Pensei que você já soubesse disso. — o beijei. — A próxima entrada na faculdade é no final do próximo ano. Eu com certeza vou passar. Me promete ser paciente e me dar espaço para estudar? — Prometo. Eu não vejo a hora disso acontecer. — Eu também não. Obrigado por me incentivar. Honestamente, eu sofri por um tempo pensando nisso na adolescência, quando me identifiquei com o meu trabalho, porque eu tinha certeza que isso não era pra mim e agora eu sinto que pode ser... O sorriso doce do Yoongi fazia meu peito derreter e cada vez mais ele era meu tudo e eu faria qualquer coisa para a gente continuar sendo felizes juntos. Esses planos eram só o nosso início e sempre que ele esquecesse, eu ia fazer questão de lhe lembrar que ele não era qualquer pessoa. Ele era Min Yoongi e sem ele eu me tornava menos eu mesmo. Eu era um Jungkook menos feliz. Um Jungkook incompleto. Fim
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