Ian era a presença ilustre da festa. Mesmo de longe, eu não conseguia parar de tremer, e minhas mãos começaram a suar. Eu encarava a morena deslumbrante como se quisesse matá-la. E não era para menos, afinal, a mulher estava radiante, adornada com joias deslumbrantes e um sorriso irresistível, ao lado do homem que eu nutria um amor platônico desde que nos entendíamos por gente. Hugo, parecia perceber todos esses detalhes e resolveu chamar a minha atenção.
- Há muitas coisas que podemos fazer aqui, Hanna - disse Hugo, inclinando-se em minha direção. Eu o encarei, ainda perdida em seus pensamentos.
Hugo continuou, exibindo um sorriso cheio de confiança que eu sempre achei louvável:
- Olhe ao redor, há tantos homens incríveis e poderosos. Eu sei que seu objetivo é o Novak, mas quem sabe isso não possa ser uma lição valiosa.
O encarei com raiva, falando em um sussurro que apenas eu e Hugo podíamos ouvir:
- Que tipo de lição você quer que eu aprenda? Que não importa o que eu faça, sempre serei a sombra atrás da parede?
Hugo revirou os olhos com o meu drama, pegou seu copo de bebida e disse:
- Não exagere, Hanna. Esta festa está lotada de pessoas influentes. Acredite, é uma vantagem ele te ignorar agora. Você quer causar um impacto quando começar a trabalhar com ele. Não estrague as coisas com seu ciúme bobo.
Eu sabia que o que Hugo estava falando era verdade, mas estava sendo extremamente difícil para ela aceitar isso. Fiz um esforço consciente para ignorar Ian, bebeu alguns drinks e tentou se distrair conversando com outros convidados.
Quando Hugo saiu para ir ao banheiro, fiquei sozinha e, de repente, foi surpreendida por um homem bastante interessante. Ele tinha olhos verdes intensos, cabelo loiro, uma barba rala e estava vestido com um terno elegante da Prada. Sua figura era imponente, e ele irradiava confiança.
Fiquei observando o homem dos pés à cabeça e me senti um pouco tímida ao perceber que ele fazia o mesmo comigo. Ele se aproximou, abrindo um sorriso irresistível, e disse:
- O que uma mulher tão linda como você está fazendo aqui sozinha?
Meu peito se encheu de ansiedade, mas tentei disfarçar e respondi:
- Estou com um amigo. E você?
Enquanto conversávamos, descobri que ele era de Londres e que era dono de uma cadeia de hotéis ao redor do mundo. Fiquei intrigada com o homem misterioso à minha frente e, pela primeira vez na noite, esqueci um pouco a presença de Ian, que ainda conversava com seus amigos ao longe. Eu não tinha experiência com flertes nem com encontros, mas naquele momento, senti que algo especial estava começando a se desenrolar naquela festa.
A festa estava ótima, a companhia também, mas eu já estava cansada, então, antes de ir embora, fui ao banheiro. Minha cabeça já estava alta, por conta da bebida, eu sabia que no dia seguinte haveria consequências, mas estava confiante ao perceber que isso era uma experiência e que no futuro serviria de algo. Ao passar entre as pessoas, me esqueci de quem era aquela festa e quem estava por ali, rondando, mesmo que ignorasse a existência minha. Então, entrei no banheiro chique, e ao sair do box, encontrei a morena que estava, todo esse tempo, ao lado de Ian. Aquela foi uma péssima lembrança. O nervosismo voltou, assim como a raiva, mas não falei nada. Retoquei o batom vermelho e saí dali, com o nariz empinado, quando algo inesperado aconteceu.
Algo esbarrou em mim, quase me levando ao chão, mas mãos fortes seguraram minha cintura, evitando que eu caísse no meio de todos. Fiquei tonta e, quando levantei o olhar para ver o rosto do meu herói, quase perdi o coração. Os olhos azuis que eu tanto amava me olhavam com curiosidade. Os segundos desde aquele toque pareciam horas. O rosto conhecido fez com que minhas mãos suassassem. Já fazia tanto tempo que eu não encarava Ian tão de perto, que acabei esquecendo do seu perfume, do calor do seu corpo e de como era bom estar na sua atmosfera. Ian pareceu surpreso, admirando a minha beleza. Ele não me largou, parecendo hipnotizado, assim como eu.
Ao notar que estávamos agarrados, ele me soltou com gentileza. Eu não conseguia formar uma palavra. Estava muda, assim como da primeira vez. Então, ele disse:
- Você está bem?
Senti todos os pelos do meu corpo arrepiarem. Sua voz grossa me encheu de desejo, e seus olhos congelantes me forçaram a responder, com timidez:
- Sim, desculpa.
Baixei a cabeça, me martirizando mentalmente. Eu não deveria ser a garota tímida de antes. Não na frente dele. Novamente aquela voz soou em meus ouvidos, fazendo com que meu coração falhasse uma batida:
- A culpa foi minha. Não tem que se desculpar.
Encarei o rosto dele, novamente, com um sorriso. Dessa vez, sem medo. Ian respondeu a isso com um mesmo sorriso, e naquele instante, achei que estava o impressionando. Contudo, a morena apareceu para estragar tudo.
Catarina disse, ao sair do banheiro:
- Desculpe a demora.
Ouvir a voz daquela mulher me deixou furiosa, mas não demonstraria isso agora. Saí de fininho entre as pessoas, mas antes de sair do salão, olhei para trás e vi que Ian estava procurando por algo, no meio de todos. Sorri orgulhosa e pensei: "Causei uma boa impressão." Saí dali com um enorme sorriso no rosto. Hugo, ao meu lado no elevador, perguntou:
- Pelo visto você gostou da noite, não foi?
Eu não iria contar a ele sobre o ocorrido. Esse era um momento particular dos dois.
Ao chegar no carro, não disse uma palavra, encostei minha cabeça no vidro e esperei chegar em casa. Ao entrar no meu apartamento, coloquei minhas coisas na mobília, tirei o vestido e entrei no banho. Após isso, olhei-me no espelho, retirando toda a maquiagem. Então, disse a mim mesma:
- Você será meu, Ian Novak.
Ao sair e colocar meu pijama, fiquei horas olhando para o teto, tentando traçar um plano. Claro que as coisas nem aconteceriam exatamente como eu queria, mas estava confiante.
Já no outro dia, os raios de sol me acordaram, e minha cabeça doía, consequência da noite passada. A sobriedade me lembrou de algo importante: amanhã eu começaria no meu novo trabalho. Isso significava que eu estaria perto de Ian, o veria todos os dias. Meu coração ficou inquieto e ansioso.