Capítulo 5

2103 Palavras
Já se passaram algumas horas desde que saímos da prisão. Não encontramos nenhuma casa boa o suficiente para ficarmos. Carl e Maggie estão com suas armas nas mãos para caso algum zumbi apareça. Já eu estou com Judith no colo. A única coisa que consigo pensar é como iremos fazer daqui pra frente para que Judith possa crescer com saúde e em segurança. Única certeza que tenho é que irei cumprir o que disse para Lori. -Já não estou mais aguentando. -Carl parou de andar e abaixou sua a**a. -É, eu também. -Falei. -Me dê ela um pouco, Sofia. -Maggie veio em minha direção. Entreguei Judith para ela e ela me deu sua a**a. -Não sei se sou a melhor pessoa que você possa confiar para ficar de guarda. -Olhei para os lados para ver se nenhum zumbi está por perto. -Sei que consegue. -Sorriu e ajeitou Judith no colo. -Agora vamos continuar andando, temos que encontrar uma casa antes que escureça. ### -Ali. -Carl apontou para uma casa no meio da floresta. Maggie passou na frente dele e se virou para nós aliviada. -Graças aos céus. -Falou. Quando olhei para seu braço, pude pegar perfeitamente a hora que Judith começou a fazer cara de choro. -Não, Judith, não. -Assim que terminei de falar ela começou a chorar. Carl colocou sua mão na cabeça. -p***a. -Disse. -Ela deve estar com fome. Vamos entrar logo naquela casa. Carl tomou a frente e foi correndo até lá. Eu e Maggie ficamos do lado de fora esperando ele dar algum sinal de que estava seguro para entrarmos. -Podem vir. -Falou da parte de cima da casa. Entramos e a primeira coisa que fiz foi olhar ao redor. É incrível o quanto aqui dentro está quase tudo em seu devido lugar. Ao contrário das outras casas que passamos antes. -Uau. -Falei. -Aqui é ótimo. -Sim. É muito bom mesmo. -Maggie deu uma olhada rápida. -Vou ir lá em cima para ver como está os quartos. Deixei ela para trás e fui na direção da cozinha. Abri alguns armários e encontrei alguns alimentos não perecíveis. Com essa quantidade conseguimos ficar aqui por uns três dias. -Nossa, estou com uma fome. -Carl falou enquanto entrava na cozinha também. Ele sorriu ao ver o armário aberto à minha frente. -Salgadinhos. -É. -Ri. -Tem vários. Ele veio até mim e pegou um dos quatro pacotes. -Já deve estar tarde, olha só, está escurecendo. -Se aproximou da janela e ficou olhando lá para fora. -Esse lugar é realmente bom. -Maggie entrou aqui na cozinha com Judith nos braços. -Alguém quer? -Carl estendeu o braço com o pacote de salgadinho. -Eu. -Falamos juntas. Após comer um pouco, saí e resolvi explorar o lugar. Subi as escadas e vi que todas as portas estavam abertas. Maggie deve ter feito isso para sair esse cheiro de coisa morta daqui de dentro. Passando pelo corredor, vi havia dois quarto. Um com uma cama de casal e outro com uma de solteiro. Entrei no quarto de casal e logo de cara avistei um berço perto da janela. Demos muita sorte em encontrar essa casa. Saí do quarto e voltei para o primeiro andar. Encontrei Carl deitado no sofá olhando para o teto. Tenho quase certeza que deve estar pensando em Lori. O deixei sozinho e fui até a cozinha, onde Maggie estava preparando algo que não consegui identificar. -Oi. -Chamei sua atenção. -O que está fazendo? -Parei ao seu lado. -Encontrei isso aqui no armário. -Me mostrou uma lata. -É um tipo de leite em **, é uma das únicas coisas que posso dar para Judith por agora. -E como ela está? -Finalmente parou de chorar e eu a deixei com Carl lá na sala. -Com Carl, é? -Sorri. -Sim, por quê? Ela retirou sua atenção do leite e olhou para mim. -Bom, é que eu passei por lá agorinha e vi ele deitado. -Dei de ombros. -Como? -Largou tudo o que estava fazendo e foi em direção a sala. -Carl! Olhei para lá e ri ao ver ele pular assustado com o grito. -Como é que você deixa sua irmã recém nascida deitada sozinha no sofá? Voltei a atenção para a cozinha e peguei alguns ingredientes para fazer comida. Estava pegando o sal e escutei eles conversando: Ai desculpa, eu não sei cuidar de criança. A culpa não é minha. Depois: Ai solta minha orelha Maggie eu já pedi desculpa. Sorri e continuei a pegar as coisas. ### -Isso está muito bom. -Carl falou ainda de boca cheia. -Bem mais gostoso do que aquele feijão com gosto de nada feito por Geórgia. Maggie riu. -Tenho que concordar contigo. -Obrigada. -Falei enquanto colocava a colher na boca. -Como eu já terminei, vou indo me deitar. -Maggie se levantou e pegou uma das velas que acendemos aqui na sala para iluminar. Assim que ela saiu, um silêncio se formou. Eu e Carl ainda não conversamos direito desde que o tiroteio começou lá na prisão, então era de se esperar esse clima um pouco constrangedor. -Eu... eu acho que já vou também. -Me levantei e peguei o prato do chão. -Tudo bem. -Olhou para mim. -Também já terminei. Pode ir na frente, agorinha eu subo. Concordei e coloquei o prato na pia, indo em seguida até os quartos. Fui até o quarto de solteiro e peguei na maçaneta, a girando para abrir. Só que isso não aconteceu. -Maggie? Por que é que ela preferiria ficar nesse quarto? -Oi. -Respondeu de lá de dentro. -Por que não ficou no outro quarto? -Eu achei melhor deixar ele pra vocês dois. Assim que ela terminou de falar, Carl apareceu na ponta do corredor, vindo andando até onde eu estava. -Aconteceu alguma coisa? -Ahn... é, na verdade sim. -Coçei a cabeça.-Maggie se trancou aqui nesse quarto. -Ah. -Ele pareceu ficar um pouco constrangido. -Então o quarto de casal... -Sim. -Segurei o riso. -Eu não vejo problema de ficarmos na mesma cama, mas se você não se sentir confortável eu posso jogar um lençol no chão. -Não, -Pensei um pouco. -tá tudo bem. -Não vou ficar tão próximo de você, não precisa se preocupar quanto a isso. Concordei e comecei a caminhar para o quarto. Abri o guarda roupas e peguei uma blusa de manga cumprida e uma calça de moletom. Saí mais uma vez e fui até o banheiro. Pelo menos aqui ainda possui água. ### Voltando para o quarto, Carl saiu e foi até o banheiro também. Me locomovi até onde o berço estava e vi Judith deitada com uma roupa adequada para a seu tamanho. Maggie deve ter encontrado em algum lugar daqui da casa. Acho que já ficou bem explícito que os antigos donos estavam esperando um bebê. -Você é uma gracinha. -Passei a mão em seus poucos cabelos. -Eu te dou a minha palavra, Judith, tudo o que estiver no meu alcance eu irei fazer para te manter em segurança. Eu sempre estarei ao seu lado, viu pequena? A temperatura parece estar abaixando, já que até mesmo aqui dentro está frio. Fui até o armário e peguei um dos menores edredons que encontrei. Coloquei nela e em seguida fui até a cama, onde me deitei e respirei fundo. Onde será que todos os outros estão? -Judith acordou? Levantei minha cabeça e vi Carl parado na porta com uma toalha secando seus cabelos. -Não. -Me deitei mais uma vez. -Acho que vai dormir a noite toda. Ele entrou e pude escutar a porta se fechando. -Ótimo. -Bocejou. -Estou cansado. Me sentei e o olhei. Carl está agora sentado em seu lado da cama olhando para o chão. -Você está bem? -Ele levantou sua cabeça e olhou para mim. Seus olhos são tão penetrantes. -Aconteceu muita coisa hoje. -É. -Abaixou o olhar. -Se sentir necessidade de conversar com alguém... -Parei um pouco. -não sinta receio de falar comigo, tá? Concordou e olhou para o berço onde Judith está. -Eu não... eu... -Respirou fundo e estalou a língua. -d***a, é tão difícil. Fiquei em silêncio esperando ele se sentir preparado. -Nunca, -Começou a falar. -nunca havia se passado na minha cabeça que eu perderia a minha mãe assim tão cedo. É claro que eu tinha em mente que isso aconteceria algum dia. Mas hoje? E perder os dois de uma vez ainda. -Seu pai está vivo, Carl. Eu acredito muito nisso. Ele sorriu triste. -Já eu não. -Suspirou. -Eu sempre tive aquela crença de que algum dia minha mãe me veria formar, casar, ter filhos... -Falar essas palavras parece ter doído demais nele. -Só que... -Parou mais uma vez. -Só que isso nunca vai acontecer. Essa maldita pandemia tirou isso de mim. Eu realmente não sei o que posso falar para tentar confortar o coração dele. Essa é uma dor que nada, nem nenhuma palavra é capaz de amenizar. -Perdi uma vida mas ganhei outra em troca. -Sorriu olhando para Judith. -Ela é linda. -É, é bem parecida com minha mãe. -Ele fungou o nariz. -Bom, eu vou dormir. -Secou os olhos. -Eu realmente não estava afim que você me visse chorando. Sorri. -Isso não é nenhum problema, Carl. -De qualquer forma, obrigado por isso, Sofia. Ele se deitou e virou para o meu lado oposto. ### Já perto de amanhecer Judith me acordou com seu choro. Me levantei ainda sonolenta e a peguei, indo até a sacada. Cantarolei bem baixinho uma música que minha mãe sempre cantava pra mim. Aqui do lado de fora está bem frio. Pouco tempo depois ela finalmente havia conseguido pegar no sono de novo então a coloquei novamente no berço e voltei para a sacada. -Ah, -Suspirei. -como eu queria que as coisas estivessem como eram antes. -Eu sei como é. Me virei assustada ao escutar a voz de Carl. O mesmo está parado ao lado da porta com os braços cruzados. -Judith também te acordou? -Tentei de alguma forma arrumar meu cabelo para que ele não notasse o quão bagunçado está. -É, digamos que o choro dela é um pouco alto. Ri e me encostei na p******o. Olhando para ele daqui desse ângulo, pude notar melhor o seu rosto, e ele apesar de estar um pouco inchado por conta que ele acabou de acordar, ainda assim é bem bonito. -Estava falando com as estrelas novamente? Concordei e desviei meu olhar do dele. -Acha que pode me ensinar a fazer isso? Sorri e voltei minha atenção para ele. -Claro. Ele veio até perto de mim e apoiou suas mãos na grade de p******o. -Então... -Me virei para ele. -É só você fechar os olhos e imaginar o rosto da pessoa com quem você gostaria de estar conversando. Se preferir pode ficar de olhos abertos e olhar para cima. -Ok. -Respirou fundo e fechou os olhos. -Oi, mãe. Está doendo tanto não te ter aqui comigo. Parei de olhar para ele e foquei minha atenção em alguns zumbis que estavam passando logo abaixo de nós. -Eu entendo que essa é a lei da vida, mas saber que nunca mais irei vê-la... isso está me machucando. Só não desista de mim, tá? Mordi os lábios levemente e voltei a olhar para ele. -Tudo bem? -Perguntei segundos depois que ele ficou em silêncio. -Tá. -Sorriu. -Obrigado. -Acho melhor entrarmos agora, está bem frio aqui fora. -Sim, tem razão. Tomei a frente e comecei a andar de volta para dentro do quarto. Dei mais uma olhada em Judith e a vi dormindo. -A temperatura caiu muito. -Falou assim que se deitou. Fui até o guarda roupas e procurei por outro cobertor, mas para o nosso azar não possuia mais nenhum. Voltei para a cama e me deitei. Fiquei durante longos dez minutos tentando dormir mas meu corpo se recusava a fazer isso. Me virei na direção de Carl e o encontrei com os olhos fechados. Estamos bem distante um do outro. -Carl. -O chamei e ele resmungou alguma coisa. -Não está com frio também? -Sim. -Disse sem abrir os olhos. Suspirei e permaneci olhando para cima. -Não está conseguindo dormir? -Perguntou. -Não. Ele se aproximou um pouco de mim. -Quer que eu te esquente? Meu Deus. -Como quer fazer isso? -Senti minha respiração parar por um milésimo de segundos. -Posso passar meus braços ao seu redor. Nosso corpo junto pode produzir mais calor. E agora? Eu me aproximo dele ou fico com frio até amanhecer? -Tá. -Falei e fui para mais perto dele. O mesmo passou seus braços por minha cintura e suspirou. -Melhorou? -Sussurou. -Sim, obrigada. Ele ficou quieto e pude sentir sua respiração muito próxima de meus ouvidos. Fechei os olhos e pude sentir o sono enfim chegando.
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