15. O PERDÃO

668 Palavras
Lucas abriu a mensagem no seu celular no meio da lavoura, suas mãos trêmulas sobre a tela. Leu devagar, cada verso como um sopro que lhe aliviava e queimava ao mesmo tempo. Lucas (em voz baixa): “Perdão… amizade…” Ele sorriu, o sorriso que tenta não esperar demais. Mensagem de Lucas (texto): Clara, li seu poema. Obrigado por ser honesta. Aceito seu pedido de amizade. Vamos tentar começar de novo, devagar e sem pressa Clara respondeu com um emoticon tímido que dizia mais que palavras. Ele, por uns segundos, achou que tinha feito a escolha certa em confiar. Lucas ficou chateado porque havia enviado fotos íntimas acreditando na reciprocidade. Não houve retorno igual. Rica sensação de vulnerabilidade, depois decepção. Lucas: Eu fiquei chateado porque confiei em você e você não confiou em mim. Doeu. Clara: Eu sei. Me desculpe. Não quis te magoar. As conversas passaram a ser frias, diretas , educadas no tom, mas com um muro invisível entre as linhas. A CONFISSÃO No fim de tarde, na cozinha iluminada pela janela, Clara sentou-se com Otávio. Clara: Otávio, preciso te contar uma coisa difícil. Me apaixonei por um amigo virtual. Não sei o que isso é, mas foi real pra mim. Otávio (calmo, com tristeza contida): Você gosta dele? Clara : Sim, eu gosto dele, mas agora já decidimos ser apenas amigos.E você, eu sei que você se apaixonou também por uma colega do seu trabalho Otávio: Do que você está falando? Clara: Eu preciso que você seja honesto. Você tem algo com ela? Otávio: Foi um deslize, Clara. Não tem sentimento. Só… conversa que foi passando dos limites. Clara: Se você gosta dela de verdade, eu aceito a separação. Se foi só um erro, a gente continua junto e eu te perdoo, mas você precisa demitir essa moça. E eu não vou deixar de falar com esse meu amigo. Pois ele me faz muito bem e conhecê-lo,foi a melhor coisa que aconteceu comigo. Otávio: Entendo. Se é isso que te alegra, eu não vou impedir. Vou consertar o que devo com a Marina. E... quero te ver bem. Otávio, curioso sobre esse “amigo virtual”, propõe uma ideia. Otávio: Levo você pra ver a cidade dele. Quero entender quem é essa pessoa que te deixou assim. Clara (rindo nervosa): Tudo bem, eu estava mesmo querendo conhecer melhor aquela cidade. Clara e Otávio passeiam pela cidade de Lucas e ela envia uma mensagem para ele Clara: Estou aqui na sua cidade Lucas: Não estou aí , estou em outra cidade. No dia seguinte, Clara viu fotos no perfil dele: trilha, sorriso, outra mulher ao lado. Uma pontada de ciúme atravessou-a. Clara (pensando): Ah, ele não é nada meu. Ele merece ser feliz. Mais tarde, Lucas esclareceu por mensagem: Lucas: A mulher da trilha? É minha irmã. Acontece que eu estava em outra cidade mesmo. Clara (aliviada e um pouco sem graça): Que paleta eu sou… nunca fui ciumenta. Que foi que deu em mim agora? PREPARATIVOS PARA A FESTA DO CAFÉ Clara decide convidá-lo para a festa do café da cidade. Clara (mensagem): Vem na festa? Lucas: Você vai? Clara: Sim, eu vou. Lucas: Então eu vou. Ambos animados , até acontecer um imprevisto. O DIA DA FESTA Clara: (no telefone, abalada) Lucas, não vou conseguir ir. Desculpa, aconteceu um imprevisto. Lucas (no local, olhando mesas vazias): Tudo bem. Eu cheguei, mas a festa tá vazia sem você. Fiquei esperando e pensando que talvez a gente ficaria frente a frente pela primeira vez hoje. Clara: Eu também queria muito te conhecer... É frustrante. Lucas: Meses conversando e nem tão longe assim. A cidade é vizinha. A gente precisa marcar de novo , sem imprevistos. Clara: Combinado. Sem desculpas da próxima vez. Lucas: Sério , vamos marcar um café, sem festa, só nós dois. Clara: Sim. Eu topo. Prometo que vou. Clara sorriu sozinha, guardando um fio de expectativa: amizade, mas acima de tudo um encontro verdadeiro que já não cabia mais apenas em telas.
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