Lucas abriu a mensagem no seu celular no meio da lavoura, suas mãos trêmulas sobre a tela. Leu devagar, cada verso como um sopro que lhe aliviava e queimava ao mesmo tempo.
Lucas (em voz baixa): “Perdão… amizade…”
Ele sorriu, o sorriso que tenta não esperar demais.
Mensagem de Lucas (texto):
Clara, li seu poema. Obrigado por ser honesta. Aceito seu pedido de amizade. Vamos tentar começar de novo, devagar e sem pressa
Clara respondeu com um emoticon tímido que dizia mais que palavras. Ele, por uns segundos, achou que tinha feito a escolha certa em confiar.
Lucas ficou chateado porque havia enviado fotos íntimas acreditando na reciprocidade. Não houve retorno igual. Rica sensação de vulnerabilidade, depois decepção.
Lucas: Eu fiquei chateado porque confiei em você e você não confiou em mim. Doeu.
Clara: Eu sei. Me desculpe. Não quis te magoar.
As conversas passaram a ser frias, diretas , educadas no tom, mas com um muro invisível entre as linhas.
A CONFISSÃO
No fim de tarde, na cozinha iluminada pela janela, Clara sentou-se com Otávio.
Clara: Otávio, preciso te contar uma coisa difícil. Me apaixonei por um amigo virtual. Não sei o que isso é, mas foi real pra mim.
Otávio (calmo, com tristeza contida): Você gosta dele?
Clara : Sim, eu gosto dele, mas agora já decidimos ser apenas amigos.E você, eu sei que você se apaixonou também por uma colega do seu trabalho
Otávio: Do que você está falando?
Clara: Eu preciso que você seja honesto. Você tem algo com ela?
Otávio: Foi um deslize, Clara. Não tem sentimento. Só… conversa que foi passando dos limites.
Clara: Se você gosta dela de verdade, eu aceito a separação. Se foi só um erro, a gente continua junto e eu te perdoo, mas você precisa demitir essa moça. E eu não vou deixar de falar com esse meu amigo. Pois ele me faz muito bem e conhecê-lo,foi a melhor coisa que aconteceu comigo.
Otávio: Entendo. Se é isso que te alegra, eu não vou impedir. Vou consertar o que devo com a Marina. E... quero te ver bem.
Otávio, curioso sobre esse “amigo virtual”, propõe uma ideia.
Otávio: Levo você pra ver a cidade dele. Quero entender quem é essa pessoa que te deixou assim.
Clara (rindo nervosa): Tudo bem, eu estava mesmo querendo conhecer melhor aquela cidade.
Clara e Otávio passeiam pela cidade de Lucas e ela envia uma mensagem para ele
Clara: Estou aqui na sua cidade
Lucas: Não estou aí , estou em outra cidade.
No dia seguinte, Clara viu fotos no perfil dele: trilha, sorriso, outra mulher ao lado. Uma pontada de ciúme atravessou-a.
Clara (pensando): Ah, ele não é nada meu. Ele merece ser feliz.
Mais tarde, Lucas esclareceu por mensagem:
Lucas: A mulher da trilha? É minha irmã. Acontece que eu estava em outra cidade mesmo.
Clara (aliviada e um pouco sem graça): Que paleta eu sou… nunca fui ciumenta. Que foi que deu em mim agora?
PREPARATIVOS PARA A FESTA DO CAFÉ
Clara decide convidá-lo para a festa do café da cidade.
Clara (mensagem): Vem na festa?
Lucas: Você vai?
Clara: Sim, eu vou.
Lucas: Então eu vou.
Ambos animados , até acontecer um imprevisto.
O DIA DA FESTA
Clara: (no telefone, abalada) Lucas, não vou conseguir ir. Desculpa, aconteceu um imprevisto.
Lucas (no local, olhando mesas vazias): Tudo bem. Eu cheguei, mas a festa tá vazia sem você. Fiquei esperando e pensando que talvez a gente ficaria frente a frente pela primeira vez hoje.
Clara: Eu também queria muito te conhecer... É frustrante.
Lucas: Meses conversando e nem tão longe assim. A cidade é vizinha. A gente precisa marcar de novo , sem imprevistos.
Clara: Combinado. Sem desculpas da próxima vez.
Lucas: Sério , vamos marcar um café, sem festa, só nós dois.
Clara: Sim. Eu topo. Prometo que vou.
Clara sorriu sozinha, guardando um fio de expectativa: amizade, mas acima de tudo um encontro verdadeiro que já não cabia mais apenas em telas.